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Homilia na solenidade da Santíssima Trindade PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.Estamos reunidos na nossa Igreja da Trindade, o maior templo católico da cidade, em pleno coração do Porto, situada entre o antigo burgo e a nova cidade. Foi levantada esta Igreja para, à sua volta, se erguer a Casa, a Escola e o Hospital que surgiram como afirmação da missão da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade, criada para ajudar os portuenses e tantos outros na saúde, na educação, na formação cristã e no culto religioso.

Vimos aqui, na solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, para celebrar a Eucaristia. Somos convocados pelo Senhor Ressuscitado. É Ele que nos convida, hoje como sempre, para a sua mesa. Só Ele e sempre Ele nos pode convidar e convocar no amor do Pai e na comunhão do Espírito Santo, como sempre vos saudamos no início de cada Eucaristia.

 

Jesus vivo e ressuscitado, agora na glória do Pai, cumpriu a promessa feita aos seus discípulos e enviou-lhes o Espírito Santo, cuja festa celebrámos no domingo passado, em dia de Pentecostes. E é precisamente e apenas neste poder, que lhe vem do Espírito Santo, por Cristo e no amor do Pai, que a Igreja dá testemunho de Cristo no meio dos homens. Não é da sua iniciativa a missão da Igreja, nem ao seu arbítrio ou gosto que pode dar testemunho de Cristo. É do amor de Deus, uno e trino, que as comunidades cristãs vivem e celebram a sua fé e daí recebem a missão de anunciar a Boa Nova de Jesus.

2. É este o sentido da Palavra de Deus hoje proclamada no Livro dos Provérbios, na Carta de Paulo aos cristãos de Roma e no texto do Evangelho de S. João.

Façamos nossa a palavra da Sabedoria no belo texto da primeira Leitura e voltemos o nosso olhar e o nosso coração para Deus que “me criou como primícia da sua actividade, antes das suas obras mais antigas; que me formou desde toda a eternidade; quando Ele consolidava a terra e os céus eu aí estava presente; quando traçava a linha do horizonte e impunha aos mares os seus limites eu estava a seu lado, deleitando-me, dia a dia, na sua presença” ( cf Prov 8, 22-31).

Ainda que esta palavra seja dita em linguagem simbólica pode muito bem ser atribuída a Jesus, Filho de Deus, e n’Ele e no seu amor redentor nos sentimos também nós identificados e presentes, porque criados e amados por Deus, Seu e nosso Pai.

É deste amor, de quem se sabe criado por Deus, redimido por Jesus e vivificado pelo Espírito Santo, que brota como cântico espontâneo este belo hino do salmo responsorial: “Como sois grande em toda a terra, Senhor nosso Deus!” (cf Sal 8, 4-9).

O texto do Evangelho vai mais longe, neste que é considerado o “discurso de adeus de Jesus aos discípulos”. Jesus viveu, ao longo de toda a sua existência, uma relação de intimidade e de comunhão filial com o Pai. Graças a esta experiência de relação filial com o Pai, Jesus abre-nos a todos um caminho que inicialmente pode parecer inacessível aos humanos, que somos todos nós, que é este caminho de vivermos como Ele viveu. Mas isto só é possível quando recebermos o Espírito da verdade, porque só Ele nos guiará para a verdade plena e nos recordará e confirmará tudo o que Jesus nos disse ( cf Jo 16, 12-15).

A comunhão de vida entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo tem neste texto e em todo o Evangelho de João uma bela e admirável síntese. Ao mesmo tempo as palavras de Jesus neste texto do Evangelho convidam-nos a acolher este mistério na nossa vida, isto é, a acolher o amor do Pai, o do Filho e do Espírito Santo.

O Espírito de Deus que procede do Pai e do Filho, enviado aos apóstolos naquela manhã do Pentecostes, tinha por missão fortalecer os discípulos de Jesus e a Igreja nascente no amor, na unidade, na concórdia, na comunhão e no cumprimento dos mandamentos que receberam de Deus.

3. Uma das tentações maiores do mundo actual e da cultura presente é fazer-nos pensar que podemos viver sem Deus e imaginar que a sociedade pós-moderna se pode construir e sonhar à margem de Deus, apenas respaldada por uma ética laica, edificada na base da indiferença religiosa ou do agnosticismo militante.

Por seu lado um dos perigos maiores de nós os crentes é deixarmo-nos cair na inércia, na indiferença e na comodidade de tudo confiarmos a Deus, como se Ele nos dispensasse de trabalhar pelas causas da vida, do bem, da educação e da missão que entregou à Humanidade e que Jesus o seu Filho confiou à Igreja.

O alheamento da realidade, o desinteresse pelo bem dos outros, o abandono do compromisso pela transformação do mundo são um grave perigo que os cristãos podem correr e são uma “ofensa a Deus”, como ainda há dias nos advertia o Papa Francisco.

Só o Espírito de Deus, que é “Espírito de verdade, para nos guiar para a verdade plena” (Jo 16, 13), como nos dizia Jesus no Evangelho de hoje, pode ajudar crentes e não crentes, onde também existem sementes de verdade, a descobrir que nem a vida nem o mundo se compreendem sem Deus. Por outro lado ninguém está dispensado de tudo fazer para que o amor, a justiça e o bem acampem no coração humano, transformem o mundo para melhor e dêem um rosto feliz, justo e solidário ao nosso futuro colectivo.

É também do Espírito de Deus que a Igreja recebe os dons da sabedoria, da inteligência, da ciência, do conselho, da piedade, da fortaleza, do amor e santo temor de Deus. Destes dons nascem a vocação e a disponibilidade para a missão de servir a Igreja e o Mundo. Neste último dia da Semana da Vida associemos a alegria pelo dom sagrado da nossa vida à disponibilidade para a acolher a missão a que Deus diariamente nos chama e para servir a causa da vida, da família e da ecologia-, como nos recomenda o tema desta Semana.

O chamamento à santidade de vida e à disponibilidade para a missão assume desde o nosso baptismo muitas formas e diversos caminhos que realizam na beleza do amor divino o projecto de Deus para cada um de nós e para as instituições que servimos. Urge ir ao encontro de todos e a cada um convidar para a missão que Deus nos confia e sempre atentos às intuições do Espírito e às necessidades da comunidade, sobretudo dos mais pobres, praticando as obras de misericórdia, com alegria!.

Que Deus, uno e trino, nos conceda graças e bênçãos para sermos cristãos generosos e disponíveis para a missão de anunciar a alegria do Evangelho e de servir em Igreja o mundo que tanto precisa da bênção da Santíssima Trindade, da missão da Igreja e do trabalho das suas Instituições.

Porto, Igreja da Trindade, 22 de maio de 2016

António, Bispo do Porto

 
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