Faixa publicitária
Bênção das Pastas 2010 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Propostas pastorais para a Missão - Maio

HOMILIA


- UMA IMENSA E MAGNÍFICA BÊNÇÃO DE DEUS!

 

Estimados irmãos e amigos da comunidade académica do Porto; e especialmente vós, que acabais as vossas formaturas e aqui pedis a bênção de Deus para o futuro que com Ele quereis construir: Quero, antes de mais, saudar-vos com toda a amizade e congratulação, a cada um de vós, aos vossos familiares – e muito especialmente às vossas Mães, neste dia a elas dedicado –, aos vossos professores e a todos os que estiveram e estão convosco no caminho humano e escolar. – Bem-vindos a esta magnífica sala de visitas da nossa cidade, que é para nós ponto de tantos e tão felizes encontros e reencontros! – Bem-vindos e as maiores felicidades para todos!

 

Mas, nisto mesmo que vos disse, vai algo de importante a reter e a aprofundar um pouco. Disse que estais aqui para pedir a bênção de Deus, para o futuro que com Ele quereis construir. Dizer isto é já dizer muito, na compreensão cristã das coisas e das vidas.

Já percebestes que Deus não é alheio ao que fizestes, nem fica “de fora” do que haveis de fazer. Não é meramente alguém a quem se recorra para reforçar garantias e aumentar seguranças; alguém que nos conviesse ter do nosso lado, mais ou menos disponível para os nossos apelos e urgências. Essa ideia “instrumental” ou subsidiária dum deus de recurso, não é certamente a vossa. Por isso, não estais aqui para que Ele abençoe as vossas pastas como se vos desse um talismã de boa sorte…

É realmente outra a vossa ideia de Deus e é outra coisa a que lhe pedis também. As vossas pastas de curso são apenas um sinal das vidas e trabalhos que aqui agradeceis ao Deus vivo que sempre vos acompanhou, no alento, na esperança e na persistência com que fizestes os vossos cursos.

A bênção, podemos dizer, é Ele próprio, como vida das vossas vidas, constante presença em cada um de vós, para convosco renovar o mundo.

Sabeis isto, caríssimos finalistas, e felizmente o sabeis, porque sois cristãos. Não apenas crentes, no sentido genérico do termo, que a tantos outros se aplica, pois convosco crêem que de Alguém provêm e para Alguém se destinam. Vós sabeis mais do que isso. Sabeis que Deus não só constantemente vos cria e mantém vivos, mas também pretende estar íntima e pessoalmente com cada um de vós, em profunda convivência de sentimento e projecto. Sabeis também, caríssimos finalistas, que este desejo divino de ser para vós e convosco, se realizou finalmente, quando, em Cristo, assumiu a nossa natureza e humana condição, de todos e de cada um, passados, presentes e futuros.

Sabeis ainda que, pelo Baptismo, o Espírito de Cristo está em vós e vos vai tornando, mais e mais, no que Cristo eternamente é: Filho de Deus Pai. Sois filhos de Deus em Cristo, que, nos vossos corações e nas vossas vidas, desenvolve pelo Espírito todas as potencialidades da criação, para a glória de Deus e a felicidade de todos. - Isto sois vós e isto mesmo agradeceis aqui!

Bênção de Deus é a vossa vida, d’Ele recebida e plena de sentido. Bênção de Deus sois vós, cada um de vós, amigos finalistas, porque através da vossa vida, do vosso trabalho, da vossa inteligência e sensibilidade, Cristo poderá realizar no mundo o Evangelho da paz e o Reino da fraternidade universal. - Vós sois, cada um de vós é e será, uma imensa e magnífica bênção de Deus!

 

Ouvistes na segunda leitura aquelas esplêndidas frases e imagens do Apocalipse, último livro da Bíblia e ultimação de todas as coisas em Deus e por Deus. Certamente as lembrais, tão sugestivas foram. João, em tempos difíceis de perseguição e martírio, “vê”, com aqueles olhos que só Deus pode abrir, algo de definitivo e fascinante. Mas é melhor escutá-lo de novo: “Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido, e o mar já não existia. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo”.

Detenhamo-nos um pouco nesta mesma contemplação, pois sempre precisamos dela. Como vos lembrei, o autor deste trecho é um cristão de tempos difíceis, já sob perseguições e dificuldades de toda a ordem. Estava desterrado numa pequeníssima ilha, como se tanto mar quase o afogasse, a ele e à esperança que mantinha. É então que “vê” um novo céu e uma nova terra; “vê” uma nova cidade a descer do Céu e de junto de Deus.

Assim ou quase assim podereis estar agora e devereis estar sempre, caríssimos finalistas, perante incertezas próximas e preocupações futuras. É difícil, realmente difícil, a situação económica e sócio-profissional. É difícil para muitos conseguir trabalho, trabalho à altura da competência adquirida e das legítimas aspirações, como pode ser difícil garantir o que já se tenha. Mas, deixai-me insistir, porque sois cristãos, vós estais diante de tudo isso como Cristo estava nas suas lides evangélicas, isto é, confiante no Pai, força invencível do bem e do bom futuro, realmente bom, ainda além da própria morte. Vós estais em tudo isto como o vidente do Apocalipse, entrevendo já a última novidade das coisas, garantida por um Deus que não desiste do mundo e o recria – a partir de Si mesmo e da vossa colaboração também -, como “cidade nova”, melhor convivência e realização absoluta de tudo e de todos.

Vós sabeis estas coisas e por isso não vos deixareis abater pelo desânimo, antes fareis das dificuldades outras tantas oportunidades de criar coisas novas. Vós sabeis, ides sabendo, o que João também garantia. E era a própria voz divina, assevera ele: “Do trono ouvi uma voz forte que dizia: ‘Eis a morada de Deus com os homens: eles serão o seu povo, e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus’”.

Por isso estais aqui, em celebração eucarística, momento por excelência de sinalização destas verdades, que constituem o vosso segredo e o vosso ânimo indestrutível. Como o próprio Cristo garantiu, onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome, Ele estará também. - E nós somos, hoje e aqui, muito mais que dois ou três! Estamos todos em Cristo ressuscitado, estamos aqui na força do seu Espírito, estamos aqui em acção de graças a Deus Pai, concretizando esta “cidade que desce do Céu” para a felicidade de todos.

Cada um de vós fará decerto o melhor que puder e souber, com os próprios talentos que Deus lhe conferiu. Assim o fareis e oxalá encontreis todas as possibilidades e estímulos que a sociedade vos deve, como também os deveis aos outros. Mas também sabeis, caríssimos finalistas, que falando de uns e outros é sempre de pessoas que se trata; significando isto que, em tudo o que fizerdes, é a vossa relação positiva, com os outros e com as coisas, que está em causa, boa causa certamente.

Por mais técnico que seja um trabalho, por mais científica que seja a investigação, por mais racional que seja o intento, é sempre de pessoas que se trata, seres em relação e finalidades conjugadas. Somos dos outros e para os outros, sempre com os outros, pela consciência responsável de cada um. A “cidade nova que desce do Céu” significa solidariedade, requer comunhão e vive na caridade. Por isso o vosso futuro só será humano e autêntico quando nele couberem os outros e a justa preocupação por eles. Um futuro onde caibam todos é o único que vos servirá também. É uma “cidade” aberta, não um domínio fechado.

- Pois não vos dói constatar, caríssimos amigos, que a maior inteligência se perverte quando perde o sentido desta verdade? – Que toda a generosidade se esvai, quando o egoísmo e o materialismo começam a roer os corações? – Que muitos recursos naturais e capacidades do espírito se degradam e esgotam, por falta de altruísmo e partilha?

Como não tereis dúvida em afirmar que, muito pelo contrário, quando se avança em qualquer domínio do conhecimento e respectiva aplicação, com verdadeiro espírito de humanidade e solidariedade, novos campos se abrem ao engenho e à prática, criando oportunidades inéditas de trabalho e remuneração, para si e para os outros. O bem faz bem e só aumentando o bem comum realizamos o bem particular. Assim é Deus, Pai e Filho em mútua doação no amor do Espírito. Apenas assim poderemos ser nós, à sua imagem e semelhança.

 

Ao próprio Cristo ouvistes dizer no Evangelho: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. - Que simples é a religião cristã, caríssimos finalistas, se nos deixarmos simplificar por ela! Simplificar, isto é, ficar uma coisa só, de corpo e alma, condensada na caridade de Cristo, no amor novo que Cristo viveu e trouxe: cuidando de todos e mesmo dos que não cuidaram d’Ele; dando a vida por todos, mesmo pelos que lha feriram de morte.

Amor que não espera, antes se adianta na dádiva, só aí sendo o primeiro. É este amor que identifica um cristão, uma cristã, que de nada mais precisam para o ser deveras e nada menos requerem, como autênticos discípulos de Cristo. E é esta a bênção de Deus, porque assim vivereis ressuscitados e ressuscitadores, em tudo o que fizerdes. Venha o que vier, assim estareis em paz e fareis a paz, como sinais vivos e activos do amor de Cristo no mundo: nas relações, nas muitas e inovadoras aplicações da vossa inteligência e da vossa sensibilidade. Pois se é certo que de nada valerá ganhar o mundo inteiro a quem perder a alma, certo é também que quem acrescenta a sua alma, em verdade, bondade e autêntica beleza, recria o mundo em redor, libertando-o e libertando-se pelo amor.

Mais, muito mais do que as palavras, serão as vossas vidas a concluir longamente esta celebração. Pedis a bênção das pastas; mas sereis vós mesmos, a Cristo unidos, uma magnífica bênção de Deus para o mundo. Este mundo de agora e o que por vós vai crescendo já, definindo melhor e alargando sempre a cidade nova que Deus não desiste de oferecer a todos!

- Boa sorte então, caríssimos amigos: desta sorte que tendes e melhor se chama graça de Deus, conhecimento de Cristo e força do Espírito!

 

+ Manuel Clemente

Porto, Avenida dos Aliados, 2 de Maio de 2010

Anexos:
Fazer download deste arquivo (HOMILIA  BENÇÃO DAS  PASTAS 2010.doc)HOMÍLIA BENÇÃO DAS PASTAS
 D. Manuel Clemente
 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

Entrada Solene de D. Manuel Linda na Diocese do Porto

Agência Ecclesia

Recursos gráficos
2019-02-19 11:37:35
Word
2019-02-19 11:30:14
2019-02-07 18:10:08
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.