| Educar, em tempo de escombros (notícia SDEIE Porto) |
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| Propostas pastorais para a Missão - Setembro |
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EDUCAÇÃO INTEGRAL, EM TEMPO DE ESCOMBROS
Foi o tema dominante do encontro de formação, promovido pelo Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja na Escola, no início do mês de Setembro e no âmbito da Missão 2010, no passado dia 4 de Setembro, na Casa Diocesana de Vilar. Neste contexto, reuniram-se perto de quatrocentos professores de EMRC. Convidados, e também presentes, docentes e directores de Escolas Católicas e alguns directores das escolas estatais. Esta formação com os professores teve como pano de fundo o estudo da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa “A Escola em Portugal - Educação Integral da Pessoa Humana” (de 13.11.2008) a que se acrescentou, da parte de tarde, um subtema: Novos desafios, diferentes perspectivas!
“Entra, tens aqui um lugar!” O encontro começou com um momento musical de oração, que se quis fosse também de evocação da memória do Sr. Dom Tomaz, que, surpreendente, partira para o Senhor, no primeiro dia deste mês. António Madureira lembrou então que Dom Tomaz, bispo auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, “deu um grande impulso ao respectivo Secretariado Nacional, nomeadamente com a elaboração dos novos catecismos e dos novos manuais para a disciplina de EMRC”.
Hospitalidade, na Escola De seguida, coube ao Director do SDEIE a palavra de saudação, a partir do mote “Entra, tens aqui um lugar”. Na sua intervenção, situou a oportunidade do encontro e ofereceu aos presentes uma breve nota, sobre o alcance e as consequências de uma verdadeira hospitalidade, em contexto escolar. “Ao propormos «Entra, tens aqui um lugar», queremos que este acolhimento não seja apenas a garantia formal de um direito, mas o exercício de uma verdadeira hospitalidade. «Entra, tens aqui um lugar» significa o nosso compromisso por ajudar a fazer da Escola não um terreno de hostilidade, minado pelo espírito de competitividade, mas um espaço de hospitalidade, animado por um espírito de acolhimento e permuta de saberes e sabores da vida” disse.
Dirigindo-se, mais concretamente, aos professores de EMRC, lembrou-lhes que a estes “deve pedir-se, ainda mais, largueza e generosidade, no campo da hospitalidade. Na educação religiosa, mais importante do que doutrina ou qualquer ideia pré-concebida, é oferecer aos alunos o lugar onde possam revelar o seu imenso potencial humano de amor de doação e de criação, e onde possam descobrir a confirmação que lhes dá a coragem de continuarem a sua busca sem receio”.
E desafiou os professores: “com a nossa presença acolhedora, havemos de proporcionar aos nossos alunos um espaço de fronteiras seguras, dentro do qual, cada um deles consiga baixar as suas barreiras defensivas e inclinar-se sobre a sua própria experiência de vida, com todas as suas fraquezas e fortalezas, para descobrir o início de um projecto de vida que valha a pena seguir e viver”! Terminou, expressando um voto de que “o amor, que nos move a educar, nos leve a fazer do nosso coração, um espaço livre, do qual o aluno se possa aproximar, um espaço de confronto e de conforto, onde a permuta dos dons, possa ocorrer; cada um ofereça o seu coração, como estalagem, fazendo do aluno o seu hóspede mais bem-vindo”! Famílias mais atentas ao mundo escolar Para o evento, foram convidados diferentes oradores, com particular destaque para o Professor Eduardo Marçal Grilo. Este salientou, a partir da referida Carta Pastoral, a missão insubstituível da família, no contexto da emergência educativa, devendo os pais ter um papel mais preponderante na definição dos projectos educativos da Escola e uma participação mais activa e decisiva nas suas opções pedagógicas. O ex-ministro da Educação realçou o facto de haver hoje cada vez mais famílias preocupadas com as aprendizagens dos filhos. Por seu lado, a escola não pode desempenhar o seu papel de costas voltadas para esta realidade, nem demitir-se da sua função de ensinar. Os desafios da correlação dos saberes e o consolidar dos conhecimentos são fundamentais para estruturar o pensamento e a reflexão, o que se vão repercutir nas atitudes, nos comportamentos e nos valores, disse.
Educar em tempo de escombros Dom Manuel Clemente resumiu em alguns tópicos um profundo texto de reflexão que escrevera sobre a “A Educação em tempo de escombros” (cf. texto integral acessível no site da diocese do Porto). Recorrendo ao conceito de desenvolvimento integral, retomado de Paulo VI e actualizado por Bento XVI na sua última encíclica social, Caritas in Veritas, o Bispo do Porto inventariou o percurso e as preferências dos diversos saberes, apontando alguns riscos, como a “excessiva fragmentação do saber, o isolamento das ciências humanas, relativamente à metafísica, as dificuldades no diálogo entre as ciências e a teologia, que danificam não só o avanço do saber mas também o desenvolvimento dos povos, porque, quando isso se verifica, fica obstaculizada a visão do bem completo do ser humano, nas várias dimensões que o caracterizam. É indispensável o ‘alargamento do nosso conceito de razão e do uso da mesma”.
Procurou o Bispo do Porto aplicar à realidade escolar o princípio do desenvolvimento integral. Na parte final da sua intervenção, lembrou aos presentes que “cada aluno – como cada professor, que continua a aprender – parte do que recebeu duma herança cultural e colectiva, que, antes de mais, deve conhecer no essencial dos diversos campos em que se manifesta. A partir daqui, progredirá por si e com os outros, e tanto mais quanto crescer em humanidade e serviço. Assim se avaliará verdadeiramente o desenvolvimento, na sua base e nas suas metas”.
E Dom Manuel Clemente concluiu, dirigindo-se aos principais destinatários da mensagem: “não duvidemos de que as aulas de EMRC, pondo os alunos em contacto com a tradição viva do Cristianismo, tão humanamente integrador como socialmente mobilizador, constituem excelente oportunidade para realizar esse objectivo”.
Desafios da era digital A parte da tarde ficou marcada pela intervenção do Doutor António Andrade e da Doutora Isabel Baptista. Dois professores da Universidade Católica que se debruçaram sobre os desafios à EMRC na era digital: simbiose e diferenciação. António Andrade referiu que muitos professores, “formados na era pré-digital usam uma linguagem e uma abordagem educativa que pressupõe que os jovens se devem «desligar» do mundo antes de entrar na sala de aula. Porém os avanços tecnológicos são vertiginosos e vem aí um mundo novo disponibilizando verdadeiras «próteses electrónicas» e com ambientes progressivamente mais ricos em tecnologia e libertos do computador e do teclado, facilitando ainda mais o conectivismo educativo”. Neste contexto - disse o conferencista - “coloca-se aos professores o desafio de estarem actualizados no potencial pedagógico das tecnologias e da sua exploração em sala de aula sem colocar em causa a seriedade das aprendizagens”. Professores de EMRC e a prática da hospitalidade, responsabilidade e bondade Isabel Baptista desenvolveu, na parte final do encontro, o tema “Cultura escolar e prática profissional do professor de EMRC”. “Enquanto sujeitos de consciência moral cristã investidos de responsabilidade profissional docente, os professores de EMRC constituem agentes privilegiados de condição humana, desempenhando um papel pedagógico crucial no contexto escolar da nossa contemporaneidade”. Precisando melhor a missão dos professores de EMRC Isabel Baptista disse que lhe cabia alimentar uma “arte de relação interpessoal onde emerge a «responsabilidade de ser herdeiro» de uma tradição, de uma cultura e de um património axiológico. Uma missão com especial pertinência numa altura em que as escolas portuguesas tendem a comportar-se como organizações em sofrimento, onde grassa o desencanto e esmorece o gosto de ensinar e aprender”. Terminou associando a missão dos professores de EMRC à necessidade de revitalização humana das nossas escolas, assentes no tríptico: hospitalidade, responsabilidade e bondade, enquanto valores matriciais de uma «ética do rosto”. O Padre Querubim Silva, membro da Comissão Nacional da Educação, e o Dr. José Faria, Director de uma escola estatal, fizeram parte do painel de intervenientes e coube-lhes fazer a síntese dos trabalhos, destacando alguns eixos fundamentais da Carta Pastoral sobre a Escola em Portugal, que ocupou parte substancial deste dia de formação. Professores de EMRC dinamizam Missão no mês de Setembro No sentido de dinamizar o mês de Setembro, nas Escolas da Diocese do Porto, a partir do lema “Entra, tens aqui um lugar”, foram distribuídas fachas de 2m x 1 m, para marcarem o início do ano lectivo e 75 mil pulseiras, para oferecer alunos, com a mensagem “EMRC! Eu quero”. Aliás, também os “alunos” marcaram presença activa, neste encontro, como uma espécie de acção simbólica de que são eles os “hóspedes mais bem-vindos” a quem nos cabe acolher e fazer crescer integralmente.
Ficou claro, por esta acção inaugural, como o lema, “Entra, tens aqui um lugar”, em período de rentrée escolar, se torna uma proposta e se constitui como propósito de “tudo fazer, por que a Escola aconteça não apenas como um espaço geográfico ou demográfico, mas como um lugar a ocupar, uma missão a cumprir, por todos e por cada um de nós”!
AG
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