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Mensagem de Natal - Um Natal sem embargo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Textos e Apresentações

1. Mais do que de palavras, o Natal é feito de vida, de gestos e de pessoas. O Natal é feito de Deus. Celebrar Natal é celebrar o nascimento do Filho de Deus.

Nestas semanas de Advento tenho visitado paróquias e instituições. Em todos os lugares encontrei sempre pessoas e famílias, casas e comunidades com vida e alma de Natal.

Inspira-se esta mensagem de Natal, o primeiro que vivo no Porto, num relato simples, recebido por entre confidências de memórias do tempo e desafios da missão que Deus me confia. Vem esta história de vida de uma família de nome conhecido no País e prestigiado na nossa Cidade. O pai, médico de profissão, costumava sair de casa cedo, na véspera de Natal, como se tivesse diante de si um longo dia de trabalho.

 

No ano em que o seu terceiro de seis filhos concluiu o Curso de Medicina convidou-o a acompanhá-lo nessa aparente rotina de Natal. Levou-o a Valadares a visitar uma senhora pobre e só, doente cancerosa, sem família que a pudesse ajudar. Depois passou por um Orfanato do Porto, assim se dizia ao tempo, visitou as crianças e colocou discretamente nas mãos da Irmã Superiora um envelope com uma oferta. Aí se demorou durante a manhã.

O filho médico, agora dedicado a uma grande Instituição de Bem da nossa cidade, ao evocar com emoção este gesto, disse-me que, nesse dia, o pai lhe ensinou a viver sempre com espírito de Natal a sua vida como vocação e como missão de serviço ao bem.

O Natal é para os cristãos e para os homens e mulheres de boa vontade um tempo para que Deus nasça no coração humano e uma escola onde o bem, a bondade, a solidariedade e a alegria do evangelho se vivem, se encontram, se aprendem e se ensinam.

 

2. No mesmo dia e à mesma hora em que ouvia esta bela lição de Natal, que vai habitar a minha vida toda e para sempre, soube que, com a ajuda discreta, silenciosa e eficaz do Papa Francisco, a celebrar, nesse dia, o seu aniversário, tinha terminado o embargo da poderosa Nação americana à pequena Ilha de Cuba, depois de 53 anos de sofrimento desnecessário e de protestos inúteis.

O fim do embargo não foi apenas a melhor prenda de aniversário para o Papa Francisco. Foi, também, uma grande bênção de Natal para o Mundo.

Há 2.000 anos, apesar de todas as profecias e advertências divinas, Jesus não teve lugar para nascer nas hospedarias convencionais. Nasceu na periferia da cidade de Belém, no seio de uma família estrangeira, que vinha de longe!

É propósito pastoral da nossa Diocese fazer da “alegria do evangelho a nossa missão”. Queremos construir no coração de cada um de nós, no espaço abençoado das nossas famílias e no âmbito celebrativo da fé das nossas paróquias “uma casa para a alegria do evangelho”.

Queremos ser casas e igrejas de portas abertas onde todos possam entrar e celebrar Natal. Queremos sentar os pobres à nossa mesa de Natal, mas precisamos, também nós, de nos sentarmos à mesa dos pobres e com eles partilharmos a vida, afirmarmos a nossa presença solidária e testemunhamos a beleza da fé para que não haja espaços vazios que ninguém ocupe, caminhos que ninguém percorra, pessoas que ninguém conheça, visite ou ame.

 

3. Partilharei a refeição de Consoada dos “Sós”, preparada numa das paróquias da periferia da nossa Cidade, e viverei o domingo a seguir ao Natal, que é o dia litúrgico da Família de Nazaré, com os sem abrigo numa das paróquias do centro do Porto.

Penso com particular afeto e permanente oração nas famílias feridas pela morte prematura de algum dos seus membros, magoadas pela doença, atingidas pela rutura do amor ou a viver a provação da falta de trabalho que o desemprego sem fim à vista provoca. Sei que para estas famílias o Natal é mais difícil mas mais necessário!

São muitas também as lágrimas de tantas mães que choram a morte dos seus filhos e de muitas famílias que se vêm separadas pela emigração forçada pela crise social que atinge o nosso País ou imposta pelas guerras e desavenças políticas em tantos povos do Mundo.

O Natal é, também, tempo para saudar as pessoas e agradecer as instituições que neste tempo afirmam com a verdade de sempre e com maior visibilidade o bem que realizam como apóstolos da bondade de Deus e como servidores da alegria do evangelho, para que o Natal aconteça e esteja ao alcance de todos.

Procuremos fazer do Natal de 2014 tempo de alegria, de esperança, de paz, de misericórdia, de bondade e de reconciliação, ancorando-nos na certeza de que Deus fez morada entre nós, tem berço no coração dos cristãos e está vivo e presente no meio do seu Povo.

Em comunhão fraterna com os Bispos que servem esta Igreja do Porto ou aqui vivem, desejo aos sacerdotes, diáconos, consagrados (as) e leigos (as) diocesanos e diocesanas desta amada Diocese do Porto, a quantos aqui habitam ou nos visitam nesta época do ano, um santo e abençoado Natal!

 

Porto, 21 de dezembro de 2014

António, Bispo do Porto

 
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