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Homilia na Páscoa da Ressurreição do Senhor PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Que a alegria de Jesus ressuscitado esteja convosco, irmãos e irmãs, reunidos nesta celebração da Eucaristia do domingo da Ressurreição do Senhor, na Sé do Porto. Que esta mesma alegria seja extensiva a todos os que estão em comunhão connosco através da Rádio Renascença, sobretudo os doentes, os que viajam, os que trabalham a esta hora ou tantos outros, que por razões várias não podem participar hoje presencialmente na Eucaristia.

Juntamos a esta alegria o júbilo pelo aniversário do Papa Bento XVI, que hoje celebra noventa anos e serve a Igreja no silêncio de uma vida de oração e de contemplação com o mesmo encanto, fulgor e verdade como a serviu como teólogo, bispo de Munique, cardeal da Cúria romana ou Papa ao longo de oito anos. Cantemos-lhe os parabéns da nossa oração, da nossa comunhão e da nossa gratidão.

 

Jesus ressuscitou. É esta certeza que oferece uma nova luz para o nosso olhar, um alicerce firme para a nossa fé e uma abençoada oportunidade para percorrermos todos juntos os caminhos do tempo e do mundo a anunciar a alegria do Evangelho e a certeza inabalável da Páscoa de Jesus.

Esta certeza enche-nos de alegria e faz exultar os nossos corações. Dá solidez às nossas convicções e revigora as nossas forças. Eleva o nosso espírito e mostra-nos que podemos correr pressurosos como outrora fizeram Maria de Magdala, Pedro e João que logo de manhazinha foram a Jerusalém para chorar a morte de Jesus e encontraram o túmulo vazio.

Jesus ressuscitou. A fé cristã brota desta certeza. Quem a vive, consegue encontrar as razões de esperança que nos animam a renovar a Igreja e a transformar o mundo.

 

2. A ressurreição de Jesus não é um acontecimento do passado, diluído na história já distante, situado num tempo longínquo, reduzido àquela manhã de Páscoa e restringido apenas a Jerusalém.

A ressurreição é um acontecimento vivo e dinâmico que mudou o rumo da história e abriu para sempre caminho à esperança na vida que não acaba com a morte. A partir daquela hora, a morte já não tem a última palavra. Jesus ressuscitou como primícia de todos aqueles que hão-de ressuscitar.

Importa, por isso, que sejamos capazes de trazer a presença do Ressuscitado para o nosso tempo como dádiva maior da Igreja ao Mundo. Aqui reside o âmago do mistério da entrega de Jesus ao Pai, numa obediência até à morte e morte de cruz, para a salvação do Mundo.

É de vida que falamos quando celebramos a Páscoa. É a vitória sobre a morte que celebramos quando afirmamos a fé na ressurreição. É a certeza da vida do Ressuscitado que procuramos sempre que relemos as Escrituras, que nos aquecem o coração, como haveriam de dizer os discípulos de Emaús na tarde daquele dia de Páscoa, ao reconhecerem Jesus ressuscitado na fracção do pão. É a justiça reencontrada que se afirma vitoriosa na hora do ressuscitado depois da justiça ferida e vencida na hora da condenação de um inocente, entregue nas mãos de malfeitores.

 

3. A actual situação de ansiedade generalizada que ensombra o horizonte do Mundo diz-nos que não podemos calar a Páscoa. Se é verdade que «Jesus morre a morte de todas as vítimas da história»(Padre Tolentino de Mendonça), também é igualmente verdade que, a partir da vida e da ressurreição de Jesus renascem os apelos a uma vida nova no coração de cada homem e mulher, de cada família, de cada comunidade e de cada povo. A Páscoa é para nós cristãos a escola da renovação da Igreja e a chave da transformação do Mundo.

A ressurreição de Jesus é a vitória da misericórdia de Deus sobre o pecado humano e o triunfo do diálogo solidário sobre a violência assassina. O silêncio de Jesus na hora da Sua morte foi a condenação de toda a intolerância, seja religiosa ou ideológica, e de toda a prepotência seja económica, cultural ou política.

A ressurreição não abriu por parte de Jesus nem do lado dos seus discípulos campo à represália ou à vingança sobre os protagonistas da condenação ou sobre os que zombaram na berma do caminho diante do crucificado. Iniciou, isso sim, o caminho do anúncio feliz de um tempo novo de reconciliação, um tempo imparável que traz em si a brisa da manhã da ressurreição e o fogo ardente do Pentecostes.

A ressurreição de Jesus será sempre para nós cristãos o fundamento da liberdade religiosa para lá de todos os fanatismos fundamentalistas. A ressurreição de Jesus iniciou o caminho do diálogo, abriu-nos à capacidade de escuta dos outros, e deu-nos coragem para não regressarmos às injúrias, às ofensas e às provocações de tantos calvários no nosso tempo. A Páscoa de Jesus veio dar sentido às lágrimas das mulheres de Jerusalém, à toalha de Verónica, à ajuda do Cireneu e ao conforto espelhado na presença da Mãe de Jesus junto da cruz de Seu Filho. São assim, também, as nossas mães!

A vitória do Ressuscitado e o hino à vida, que o belo cântico do precónio pascal ontem cantava, são, a meu ver, o único pórtico que pode abrir caminho ao diálogo com todos quantos professam uma fé abraâmica comum e que acreditam no Deus uno. Só com a ajuda de Deus podemos uns e outros decidir caminhos comuns de reconciliação e de paz. Sozinhos nem as pessoas nem os povos nunca conseguirão a paz sustentada, sólida e duradoura!

Nesta «guerra aos pedaços», de que nos fala o Papa Francisco não estão apenas os países onde se combate mas também aqueles em que produzem e fabricam as armas. Em guerra não estão somente aqueles que tombam mortos nos campos da frente mas também aqueles que alimentam na retaguarda o ódio no seu coração e os que decidem as invasões e as retaliações a preço de morte de tantos inocentes. A não-violência que confunde sempre os fortes e os poderosos é a única maneira de nos libertar do medo e de eliminar o terror. Façamos da Páscoa a profecia de um mundo melhor decidido a construir a paz.

 

4. É este o mesmo e igual apelo à paz que nos trouxe Maria, Mãe de Jesus, em Fátima, na mensagem que confiou aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco. Esta misteriosa ocorrência na Cova da Iria continua a despertar, cem anos depois, o Mundo para a necessidade de dar ouvidos à voz de Deus que opera milagres no interior do coração humano e nos convida à civilização do amor, à não-violência, à paz e ao respeito pela vida nesta casa comum da criação.

Apelos novos que nos chegam diariamente de vários lugares da nossa sociedade são hoje ouvidos pela Igreja ao dar voz à cultura de abertura ao espiritual e ao religioso. São tantos os apelos do divino que batem hoje à porta do humano!

A procura do silêncio, a viagem ao coração da beleza da criação, as experiências de oração e de peregrinação, a celebração da Eucaristia como memorial vivo da morte e ressurreição, os movimentos de espiritualidade são sinais sempre novos a afirmar a presença do divino no coração do mundo e a colocar-nos perante o fascínio do anúncio da Páscoa de Jesus.

Vejamos, como desafio, exemplo e paradigma, as intuições clarividentes, as iniciativas pastorais e os caminhos proféticos já trilhados pelo Papa Francisco. São verdadeiramente intuições, iniciativas e caminhos de um verdadeiro discípulo de Jesus, decidido a renovar a Igreja e a transformar o mundo.

A próxima visita do Papa Francisco a Fátima como peregrino na esperança e na paz será para todos nós uma abençoada ocasião de afervorar a Igreja em Portugal, tornando-a mais sensível ao Evangelho da Páscoa e mais atenta à criatividade do Espírito Santo para iluminar a sociedade portuguesa e o mundo nos caminhos do Evangelho e na construção da paz.

 

5. A Páscoa de Jesus comporta uma riqueza inesgotável e tem uma palavra a dizer na vida da Igreja, no rumo do nosso País e no horizonte de esperança e de paz para o Mundo.

 

Uma santa e feliz Páscoa. Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Porto, Sé Catedral, 16 de abril, na Páscoa da Ressurreição de 2017

António, Bispo do Porto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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