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Homilia de S. Mamede – Valongo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

Foto: Município de Valongo1.Celebramos hoje o dia litúrgico que a Igreja dedica a S. Mamede. S. Mamede nasceu por volta do ano 259 em Cesareia, na Turquia actual. Recebeu dos seus pais, que morreram na prisão por causa da fé, o exemplo da heroicidade de vida e o testemunho dos valores cristãos presentes na sua família.

Ao aperceberem-se da proximidade do martírio, os pais confiaram o filho aos cuidados de educação de uma senhora cristã. Depois de várias vicissitudes que a história e a lenda associam à vida de S. Mamede, este jovem cristão morreu como mártir em Cesareia, a sua terra natal. Desde logo começou a ser venerado no Oriente e invocado como o «Grande Mártir».

O seu corpo transladado para Jerusalém foi mais tarde sepultado em Constantinopla. Mais tarde, ainda, as suas relíquias foram trazidas para a Catedral da Diocese de Langres, em França.

Os nossos antepassados escolheram este santo dos primeiros séculos da Igreja como padroeiro desta paróquia de Valongo. S. Mamede é padroeiro de sessenta e cinco paróquias em Portugal, o que nos revela uma grande devoção presente em muitas comunidades cristãs do nosso País.

Hoje, desconhecendo muito embora com o necessário rigor histórico os traços mais significativos da sua vida, fazemos festa e rezamos; abrimos as nossa ruas e avenidas à passagem da sua imagem, ampliando assim os horizontes da nossa fé para lá das paredes deste templo, que lhe é dedicado; erguemos a Deus as nossas preces por intercessão de S. Mamede, e pedimos que nos proteja e abençoe a nossa cidade.

Este dia de celebração, ao evocar o testemunho de santidade de S. Mamede, afirma o valor da fé dos nossos pais e avós que nos transmitiram intacta esta devoção, confirma a nossa identidade como comunidade cristã, congregada à volta do altar da Eucaristia, e faz-nos sentir como membros felizes da cidade que habitamos.

Vivida, de olhar voltado para S. Mamede, nosso padroeiro, esta festa é de todos e para todos. É a alma das gentes de Valongo que aqui se sente e é a missão da Igreja que aqui se vive.

Os santos apontam-nos um caminho, definem um rumo e indicam-nos uma meta. Este caminho, este rumo e esta meta é Cristo. Cristo, rosto da misericórdia do Pai, espelha a santidade de Deus e aponta-nos o sentido e a dimensão da nossa própria busca de santidade, ao propor-nos que “sejamos perfeitos como o nosso Pai do Céu é perfeito” (Mat 5, 48).

2. As festas dos santos, dado o número de pessoas que envolvem na sua longa e exigente preparação, a quem agradeço o trabalho, o desvelo e a devoção, e atendendo à multidão de gente que atraem devem ser uma escola de evangelização.

Como escola de evangelização, as festas religiosas são necessariamente tempo de escuta do que Deus a cada um diz, através da vida dos santos que celebramos.

Neste tempo pastoral, em que nos centramos como diocese na missão de anunciar a Alegria do Evangelho, uma festa religiosa tem de ser igualmente uma oportunidade privilegiada para valorizarmos a alegria do encontro com Cristo. Ao encontrarmos Cristo sentimos o dever, como outrora o sentiram os santos, de levarmos este anúncio feliz do Evangelho para lá dos espaços da própria comunidade cristã.

Isso mesmo nos lembra insistentemente o Papa Francisco ao convidar a Igreja para ser missionária, decidida a ir ao encontro de todas as periferias existenciais. Uma Igreja fechada sobre si mesma não é a Igreja de Jesus Cristo!

Estamos conscientes que, muito embora as dificuldades que possam surgir no longo percurso do caminho, a Humanidade procura Deus, precisa do Evangelho, respeita a Igreja e reconhece o valor da sua missão.

3. Isto mesmo nos afirma a Palavra de Deus, que agora foi proclamada: A primeira leitura, retirada do 2.º Livro dos Macabeus, diz-nos que o rei Antíoco quis introduzir em Israel à força outros costumes e outra cultura desrespeitando a cultura e os valores daquele Povo. O texto realça o exemplo corajoso daquela família inteira que permanece fiel à mensagem dos profetas e firme na fé a Deus e à Sua lei (cf. 2 Mac 7, 20-29).

Na segunda leitura, extraída da primeira Carta de S. João, ouvimos da parte deste Apóstolo o apelo a uma fé dinâmica, viva e atuante que seja fermento a transformar a Comunidade humana onde os cristãos estão presentes (cf. 1 Jo 5, 1-5).

Por seu lado, o texto do Evangelho, nesta bela oração do capítulo 17 de S. João, é uma prece de Jesus ao Pai para que alimente a vida, fortaleça a comunhão de todos os crentes e promova a unidade no mundo (cf. Jo 17, 11b-19).

O que os santos mais nos ensinam e o melhor que a Igreja tem para oferecer ao mundo é esta certeza de que Deus nos ama com um amor único. É este Deus, que se revela em Jesus Cristo e se manifesta pelo Espírito nos Seus santos; este Deus humilde, que em Jesus lava os pés dos discípulos de todos os tempos; este Deus bom, que se compadece diante da multidão exausta; este Deus paciente, que procura a ovelha perdida do rebanho; este Deus misericordioso, que chama Zaqueu e se digna entrar na casa dos pecadores; este Deus que chama pescadores da Galileia e publicanos, para O seguir; este Deus que transubstancia o pão e o vinho no Seu Corpo e no Seu Sangue, para se dar em alimento para a salvação do mundo. É este mesmo Deus que molda e trabalha o coração dos santos!

4. A vida de S. Mamede fala-nos de tempos de perseguição por causa da fé cristã que professavam. Muitos séculos depois, também hoje, continua o martírio de homens e mulheres, vítimas de novas formas de violência, em vários países do mundo. Continua a morrer-se nos nossos dias por causa da fé. A liberdade religiosa é muitas vezes, sob formas subtis, cerceada e constrangida. Não cessa, por isso, de crescer o número de mártires cristãos no nosso tempo!

A idade de S. Mamede, no momento do martírio, e o seu coerente e corajoso testemunho cristão, dizem-nos que a juventude é, também, tempo para a santidade.

Há, também hoje, jovens exemplares, dotados de fé firme, de nobreza de carácter e de grandeza de alma. Há hoje, como sempre houve, jovens santos. Há espaço aberto para a santidade no coração dos jovens do nosso tempo. Importa dar voz e visibilidade ao testemunho de santidade presente na vida dos jovens nas nossas famílias, nas nossas terras e na Igreja.

O próximo Sínodo dos Bispos proposto pelo Papa Francisco sobre «os jovens, a fé e o discernimento vocacional» é uma bela oportunidade e um inesgotável desafio pastoral a valorizar.

Os jovens são verdadeiros tesouros do mundo actual, bênçãos das famílias, exemplos de vida e de fé para todos nós e dons para a Igreja. Como outrora foi S. Mamede, que hoje celebramos! Confiemos a S. Mamede os jovens desta Paróquia de Valongo e de toda a Igreja do Porto.

5. Quero lembrar nesta celebração o momento de dor que vive a Diocese do Funchal, de que é Pastor um Bispo, irmão dedicado, que foi Auxiliar do Porto, desde 1999 a 2007.

Asseguro à Igreja do Funchal e ao seu Bispo com toda a Igreja do Porto a certeza da oração que acompanha a comunhão fraterna e a solidariedade cristã com as famílias atingidas pela dor e pelo luto.

Rezo, igualmente, por todas as vítimas dos incêndios e de outras situações de sofrimento que têm atingido o nosso País e nos têm tocado de perto.

A alegria que as festas de verão habitualmente nos oferecem nunca nos desvia do sofrimento de outros. Pelo contrário, educa-nos para a solidariedade, torna-nos mais próximos e faz-nos mais irmãos.

Valongo, Igreja matriz, 17 de agosto de 2017

António, Bispo do Porto

 
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