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Homilia na Festa de Santo Tirso – Meinedo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia em Meinedo que foi sede de diocese, no século VI. O seu primeiro bispo, Viator, juntamente com os bispos de Dume, Lamego, Viseu e Braga, assinou, em 572, as Atas do II.º Concílio de Braga. Esta foi a primeira diocese criada na área geográfica que a diocese do Porto hoje abrange.

Ao ser nomeado bispo auxiliar de Braga, em 2004, foi-me atribuído pelo Papa São João Paulo II a sede titular de Meinedo, esta antiga diocese situada a meio caminho entre Lamego, a minha diocese de origem, e a arquidiocese de Braga, o meu horizonte de missão. Dou graças a Deus por esta bela coincidência de unir hoje a missão recebida nessa hora à missão que o Papa Francisco me confiou, dez anos depois, ao chamar-me da diocese de Aveiro para a diocese do Porto, de que Meinedo faz parte.

 

Saúdo-vos, por isso, irmãos e irmãs, com acrescida alegria e peço-vos que me releveis a falta pelo tempo que demorei até aqui chegar. Asseguro-vos, porém, que desde esse primeiro dia da minha nomeação episcopal sempre vos tenho acompanhado, de muito perto, com a oração e com a comunhão fraterna.

Quero, com a minha presença hoje, em dia solene de festa de Santo Tirso, vincular-me aos vários bispos diocesanos e titulares de Meinedo, que me antecederam nesta sede, e aos sessenta e oito bispos do Porto, que me precederam nesta longa e abençoada trajectória da Igreja Portucalense. Foi em 1113, logo no início do seu múnus episcopal, no Porto, que D. Hugo recebeu de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, o Couto do Mosteiro de Santo Tirso de Meinedo.

Venho celebrar convosco a festa de Santo Tirso e quero unir-me, assim, com alegria ao vosso percurso cristão com marcas bem assinaladas na geografia e na história do Porto.

Vivemos hoje, como vila e como paróquia de Santa Maria de Meinedo, a mesma história e partilhamos as alegrias do mesmo percurso. Tudo nos diz muito, em Meinedo: a terra, a igreja matriz, as pessoas, as instituições, a memória, a identidade, o passado e o presente. Mas hoje, ao evocar o passado e as circunstâncias que a esse passado me unem, sinto que o que Deus me pede é compreender que a minha missão consiste em assumir o sonho de Deus que a história foi desvelando em Meinedo para que se transforme em realizações, alegrias e esperanças de uma Comunidade que vive de olhar voltado para o futuro.

A bênção do terreno onde vai ser construída a igreja nova, há tanto tempo desejada, para ser Nova Casa de Deus e da Comunidade, é um sinal visível do bem por Deus aqui semeado e por vós, Pároco e Comunidade, aqui realizado.

2. Celebramos hoje com a devoção transmitida desde tempo imemorial pelas muitas gerações de antepassados nossos a festa de Santo Tirso. Santo Tirso nasceu no Médio Oriente, possivelmente em Cesareia, na actual Turquia, no século III, e foi martirizado em Apolónia, na Bitínia, por ordem do Imperador Décio, na perseguição dos cristãos, em 254.

Nos finais do século IV o seu corpo foi trasladado para Constantinopla. O seu culto divulgou-se no Ocidente sobretudo em Itália e na Espanha. Foi, segundo a história, a partir da cidade de Toledo que este culto chegou a Portugal e concretamente à nossa diocese com referências toponímicas à cidade de Santo Tirso e como padroeiro das paróquias de Meinedo, em Lousada, e de Paramos, em Espinho. Em Meinedo, mais tarde, a paróquia foi dedicada a Nossa Senhora, sob a invocação de Santa Maria Maior, mas nunca cessou nem diminuiu a devoção a Santo Tirso. Bem ao contrário, Meinedo é a paróquia de Portugal onde se mantem mais vivo este valioso legado e mais afirmada a devoção a Santo Tirso, de que a habitual festa neste terceiro domingo de agosto é disso expressão.

Não sabemos quantas barreiras Tirso teve de vencer para não trair a sua fé. Mas estava decidido, ainda catecúmeno, a dar a vida por Cristo. Havia uma força interior que o impelia. Era o amor de Jesus Cristo que o chamava a segui-l’O. Nunca lhe faltaram companheiros presentes neste mesmo combate, mesmo na hora da morte. Foi na dádiva plena da sua vida a Deus que Tirso realizou o sonho de ser discípulo de Cristo e de ser baptizado.

3. Neste solene testemunho de veneração a Santo Tirso espelha-se a gratidão de todos nós pelo trabalho, generosidade, coragem e fé dos homens e mulheres que edificaram a nossa comunidade e moldaram a identidade do povo que hoje somos.

Anunciar a alegria do Evangelho com novo ardor e entusiasmo é o primeiro e maior legado que recebemos da vida dos santos. Este mesmo objectivo preside ao nosso Plano Diocesano de Pastoral para o quinquénio de 2015-2020, na perspectiva da celebração do Sínodo Diocesano. Queremos, neste ano do centenário das Aparições de Nossa Senhora, em Fátima, viver esta missão «a caminho com Maria pelas fontes da Alegria». Queremos igualmente implorar a protecção de Santo Tirso para fazermos do anúncio «da Alegria do Evangelho a nossa missão».

4. Isso mesmo nos ajuda a compreender e a realizar a Palavra de Deus da liturgia deste vigésimo domingo do tempo comum. É muito belo o texto do Evangelho e admirável o exemplo daquela mulher estrangeira que mereceu este elogio de Jesus: “Mulher é grande a tua fé” (cf. Mt 15, 31-38).

Nestes dias, em que em Portugal foi declarado o «estado de calamidade pública preventiva», mercê da vaga destruidora de incêndios intermináveis e quando todos choramos o sangue derramado no ataque incompreensível de Barcelona, somos chamados a recorrer, como fez a mulher cananeia, de mãos erguidas para o céu e de coração levantado para Deus, porque só Ele nos pode aliviar a dor, ajudar a vencer o medo e a vislumbrar nestas horas difíceis caminhos de paz, de concórdia e de esperança para Portugal e para o Mundo.

5. Gostaria, porém, de me fixar no texto da primeira leitura e sublinhar a beleza e a oportunidade desta afirmação do profeta Isaías: “A minha casa será chamada «casa de oração para todos os povos»” ( cf. Isaías 56, 1-7).

Ao celebrarmos Santo Tirso e ao abençoarmos o terreno para a nova igreja, «Casa de Deus e Casa de oração para toda a Comunidade» sintamo-nos abraçados por este amor de Deus, de que nos falava o profeta Isaías.

Deus abre, também hoje, ao mundo as portas da Sua casa e do Seu coração para que aí habitemos como se aí fosse a nossa casa e a nossa morada.

Ao edificarmos a Casa de Deus estamos a construir esta Igreja una e santa, Igreja de pedras vivas, uma Igreja de rosto belo e jovem, como nos disse o Papa Francisco, “Igreja missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios mas rica no amor” (cf. Papa Francisco, Fátima, Homilia, 13.8.2017).

Igreja matriz de Meinedo, 20 de agosto de 2017

António, Bispo do Porto

 
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