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A seca que nos sufoca PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNPJ) publicou em novembro uma nota na qual faz um apelo face à seca que estamos a viver, partindo do manifesto internacional assinado por 15 mil cientistas que avisa para os alarmantes problemas ecológicos em curso no planeta. Recordamos aqui alguns aspetos da Encíclica ‘Laudato Si’ do Papa Francisco e publicamos a Mensagem conjunta para o Dia Mundial de Oração pela Criação, 1 de setembro, assinada pelo Papa Francisco e pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla

Em 1992 foi publicado um artigo assinado por 1700 cientistas que alertava a humanidade para a situação de uma planeta “mutilado” devido ao comportamento do ser humano. Passados 25 anos já são 15 mil os cientistas que sentiram a necessidade de subscrever um documento que alerta para as graves alterações climáticas que continuam em curso no planeta. Num manifesto intitulado “Avisos dos Cientistas do Mundo à Humanidade”, os cientistas realçam que daqui a pouco tempo talvez seja tarde de mais para mudar de rumo. As medidas são absolutamente urgentes.

A nota de Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP)

Partindo do estímulo dado pelo documento dos 15 mil cientistas, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) publicou uma nota na qual faz referência à atual situação de carência de água em Portugal fazendo “um apelo face à seca que nos sufoca”. “A água, um bem precioso, está-se tornando raro à medida que continuam as agressões do ser humano a este bem comum” – refere a nota da CNJP que recorda a importância da água para a vida pois “60% do nosso corpo é água”. No entanto, “apenas 3% da água no mundo é potável” – assinala ainda a CNJP – e “1 em 5 pessoas em todo o mundo não tem acesso a água potável”. Um dado muito preocupante referido também pela CNJP é veiculado pela Unicef que “indica que uma criança morre todos os quinze segundos por doenças ligadas à água não potável”.

“O nosso país está neste momento em situação de seca extrema em grande parte do seu território, uma seca sufocante e maligna, que está e continuará a ter repercussões irreversíveis” – pode-se ler na nota da CNJP que lança uma interpelação: “Que queremos fazer com a água que é nosso bem comum?”. Esta interpelação deverá ter respostas por parte do “governo, responsáveis autárquicos e especialistas” – diz a CNJP – respostas que deverão passar por “poupar, racionalizar e partilhar” a água que temos ao nosso dispor. Respostas que deverão partir também da sociedade civil, mudando mentalidades e atuando naquilo a que a CNJP chama de “um projeto de cidadania” de reeducação para a responsabilidade. Com esta nota a CNJP procura interpelar “os cristãos e a sociedade civil” para a urgência do problema da falta de água.

‘Laudato Sí’ e a ecologia integral

A CNJP recorda na sua nota que a água é “um Bem da Criação que nos foi confiado” e refere que o manifesto dos 15 mil cientistas propõe “considerações academicamente sustentadas” que já foram ditas “veementemente” pelo Papa Francisco na sua Encíclica “Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum”.

Recordemos que nos seis capítulos do seu texto o Santo Padre desenvolve um conceito concreto: a ecologia integral como um novo paradigma de justiça. Francisco de Roma coloca-se na esteira de Francisco de Assis e inspira-se no Cântico das Criaturas para lembrar que a terra “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. É preciso uma “conversão ecológica” – evidencia o Papa na sua Encíclica – uma “mudança de rumo”, para que o homem assuma a responsabilidade de um compromisso para o cuidado da casa comum. Um compromisso para erradicar a miséria e promover a igualdade de acesso para todos aos recursos do planeta.

Não à cultura do descartável

A Encíclica faz, assim, um diagnóstico minucioso dos males do planeta: poluição, mudanças climáticas, desaparecimento da biodiversidade, débito ecológico entre o Norte e o Sul do mundo, antropocentrismo, predomínio da tecnocracia e da finança que leva a salvar os bancos em detrimento da população, propriedade privada não subordinada ao destino universal dos bens. Sobre tudo isto parece prevalecer uma cultura do descartável, usa e deita fora, algo que leva a explorar as crianças, a abandonar os idosos, a reduzir os outros à escravidão, a praticar o comércio dos diamantes de sangue. É a mesma lógica de muitas mafias – escreve o Papa Francisco.

Necessária nova economia, mais atenta à ética

Perante isto, podemos ler na Encíclica, é necessária uma “revolução cultural corajosa” que mantenha em primeiro plano o valor e a tutela da cada vida humana, porque a defesa da natureza “não é compatível com a justificação do aborto” e “cada mau trato a uma criatura é contrário à dignidade humana”. O Santo Padre pede diálogo entre política e economia e a nível internacional não poupa um juízo severo aos líderes mundiais relativamente à falta de decisões políticas a nível ambiental. Francisco propõe uma nova economia mais atenta à ética.

Investir na formação para uma ecologia integral

A Encíclica ‘Laudato Si’ sublinha que se deve investir na formação para uma ecologia integral, para compreender que o ambiente é um dom de Deus, uma herança comum que se deve administrar e não destruir. E bastam pequenos gestos quotidianos: fazer a recolha diferenciada dos lixos, não desperdiçar água e alimentos, apagar luzes inúteis, agasalhar-se um pouco mais em vez de acender o aquecimento. Desta forma, poderemos sentir que “temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo e que vale a pena sermos bons e honestos” – escreve o Papa Francisco na sua Encíclica.

Por Rui Saraiva

 


 

A Mensagem de Francisco e Bartolomeu

O Dia Mundial de Oração pela Criação foi no passado dia 1 de setembro. Na ocasião o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla publicaram uma mensagem conjunta. Um texto que vê reforçada agora a sua atualidade e que aqui recordamos na íntegra. Para refletir, rezar e agir

A narração da criação oferece-nos uma visão panorâmica do mundo. A Sagrada Escritura revela que, «no princípio», Deus designou a humanidade como cooperadora na guarda e proteção do ambiente natural. Ao início, como lemos no Génesis (2, 5), «ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar». A terra foi-nos confiada como dom sublime e como herança, cuja responsabilidade todos compartilhamos até que, «no fim», todas as coisas no céu e na terra sejam restauradas em Cristo (cf. Ef 1, 10). A dignidade e a prosperidade humanas estão profundamente interligadas com a solicitude por toda a criação.

«No período intermédio», porém, a história do mundo apresenta uma situação muito diferente. Revela-nos um cenário moralmente decadente, onde as nossas atitudes e comportamentos para com a criação ofuscam a vocação de ser cooperadores de Deus. A nossa tendência a romper os delicados e equilibrados ecossistemas do mundo, o desejo insaciável de manipular e controlar os limitados recursos do planeta, a avidez de retirar do mercado lucros ilimitados: tudo isto nos alienou do desígnio original da criação. Deixamos de respeitar a natureza como um dom compartilhado, considerando-a, ao invés, como posse privada. O nosso relacionamento com a natureza já não é para a sustentar, mas para a subjugar a fim de alimentar as nossas estruturas.

As consequências desta visão alternativa do mundo são trágicas e duradouras. O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral.

Por isso, unidos pela mesma preocupação com a criação de Deus e reconhecendo que a terra é um bem dado em comum, convidamos ardorosamente todas as pessoas de boa vontade a dedicar, no dia 1 de setembro, um tempo de oração pelo ambiente. Nesta ocasião, desejamos elevar uma ação de graças ao benévolo Criador pelo magnífico dom da criação e comprometer-nos a cuidar dele e preservá-lo para o bem das gerações futuras. Sabemos que, no fim de contas, é em vão que nos afadigamos, se o Senhor não estiver ao nosso lado (cf. Sal 126/127), se a oração não estiver no centro das nossas reflexões e celebrações. Na verdade, um dos objetivos da nossa oração é mudar o modo como percebemos o mundo, para mudar a forma como nos relacionamos com o mundo. O fim que nos propomos é ser audazes em abraçar, nos nossos estilos de vida, uma maior simplicidade e solidariedade.

A quantos ocupam uma posição de relevo em âmbito social, económico, político e cultural, dirigimos um apelo urgente a prestar responsavelmente ouvidos ao grito da terra e a cuidar das necessidades de quem está marginalizado, mas sobretudo a responder à súplica de tanta gente e apoiar o consenso global para que seja sanada a criação ferida. Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço.

Do Vaticano e do Fanar, 1 de setembro de 2017.

Papa Francisco e Patriarca Ecuménico Bartolomeu

 
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