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Visita de Francisco a Myanmar e Bangladesh PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Papa em Myanmar: paz e perdão para curar e reconciliar

O Papa visitou Myanmar de 27 a 30 de novembro naquela que foi a sua 21ª viagem internacional e que incluiu nos dias seguintes uma visita ao Bangladesh. Em Myanmar Francisco apelou à paz no respeito pelos direitos humanos, sublinhou a importância do diálogo e anunciou o amor de Jesus revelado na cruz como uma mensagem imparável de perdão e de misericórdia

Responsabilidade na transição

A República da União de Myanmar (ex-Birmânia), tornou-se independente do Reino Unido em 1948. Este jovem país encontra-se em processo de transição para a democracia. A Prémio Nobel para Paz, Aung San Suu Kyi, tem sido uma importante figura no atual momento político. Myanmar estabeleceu oficialmente relações diplomáticas com a Santa Sé em maio deste ano de 2017.

As Forças Armadas têm, contudo, ainda grande poder em Myanmar, em particular, nas decisões relativas à Defesa e à segurança das fronteiras. O caso da perseguição à minoria muçulmana rohingya num país de maioria budista tem sido assunto em destaque na imprensa internacional. O Papa apelou várias vezes nos últimos tempos para a ajuda a este povo.

Talvez por isso a primeira etapa do Santo Padre em Myanmar, no dia 27 de novembro, acabou por ser um encontro antecipado e de surpresa com o Chefe dos Serviços de Defesa do país, o general Min Aung Hlaing. O encontro teve lugar no arcebispado de Yangon poucas horas depois da chegada de Francisco a Myanmar.

Segundo Greg Burke, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, neste curto encontro que durou cerca de 15 minutos foi abordada a temática da “grande responsabilidade das autoridades do país neste momento de transição”.

Houve troca de presentes: Francisco ofereceu a Medalha da Viagem Apostólica e o General Hlaing deu ao Papa uma harpa em forma de barco e uma tigela de arroz decorada.

Harmonia através das diferenças

Também não fazia parte do programa oficial, mas Francisco quis encontrar-se com os líderes de 17 diferentes religiões presentes em Myanmar. Foi no refeitório do arcebispado de Yangon.

O Papa no seu discurso sublinhou a importância do diálogo para a construção da paz declarando que somos todos “irmãos”.

“Não tenhamos medo das diferenças” – disse o Santo Padre – “não se deixem uniformizar pela colonização das culturas. A verdadeira harmonia divina faz-se através das diferenças. As diferenças são uma riqueza para a paz” – afirmou o Papa. Neste encontro estiveram representantes budistas, hinduístas, muçulmanos, judeus, batistas e anglicanos.

Paz no respeito pela dignidade

Foi na cidade de Nay Pyi Taw, no dia 28 de novembro, que o Papa proferiu o seu primeiro pronunciamento público em Myanmar. Perante as autoridades do país e logo após encontros privados com o Presidente Htin Kyaw e a Conselheira de Estado, Aung San Suu Kyi, Francisco discursou no International Convention Center.

O Santo Padre começou por recordar que visitou aquele país para confirmar na fé a pequena comunidade católica, mas foi sua intenção “abraçar a inteira população” de Myanmar, um país de “extraordinária beleza” mas que ainda sofre conflitos internos e deve curar as suas feridas – disse o Papa:

“O Myanmar foi abençoado com o dom de uma extraordinária beleza e de numerosos recursos naturais, mas o seu tesouro maior é certamente o seu povo, que muito sofreu e ainda sofre devido a conflitos internos e de hostilidades que duraram demasiado e criaram profundas divisões. Pois que a nação está agora empenhada em restabelecer a paz, a cura destas feridas impõe-se como uma prioridade política e espiritual fundamental” – afirmou.

Francisco apontou no seu discurso a “paz” para o “futuro de Myanmar”, baseada no respeito pela “dignidade” de “cada membro da sociedade”:

“O futuro de Myanmar deve ser a paz, uma paz fundada no respeito pela dignidade e os direitos de cada membro da sociedade, no respeito por cada grupo étnico e sua identidade, no respeito pelo Estado de Direito e uma ordem democrática que permita a cada um dos indivíduos e a todos os grupos – sem excluir nenhum – oferecer a sua legítima contribuição para o bem comum” – declarou o Papa.

Para a paz ser uma realidade são fundamentais as religiões que desempenham “um papel significativo na cura das feridas” – assinalou o Santo Padre:

“As diferenças religiosas não devem ser fonte de divisão e desconfiança, mas sim uma força em prol da unidade, do perdão, da tolerância e da sábia construção da nação. As religiões podem desempenhar um papel significativo na cura das feridas emocionais, espirituais e psicológicas daqueles que sofreram nos anos de conflito” – afirmou Francisco.

O caminho para a paz

A Prémio Nobel, Aung San Suu Kyi, é Conselheira de Estado de Myanmar, figura muito respeitada e fundamental no atual momento político do país. “The Lady”, como é conhecida, seguiu os passos de seu pai, Aung San, Secretário do Partido Comunista Birmanês, figura importante para a independência do país de um Reino Unido colonizador. Suu Kyi, defensora da democracia e da não-violência, esteve presa durante anos e é hoje Presidente da Liga Nacional pela Democracia.

No discurso que dirigiu ao Santo Padre ressaltou os esforços desenvolvidos para a consolidação da paz. “O nosso esforço mais apreciado é levar em frente o processo de paz com base no acordo de cessar-fogo nacional” – disse Suu Kyi sublinhando que “o caminho para a paz” é o “único” que trará ao povo de Myanmar a justiça e a prosperidade.

A líder birmanesa não deixou de referir a situação gerada em Rakhine com a minoria muçulmana que está em fuga para o vizinho Bangladesh. Suu Kyi desejou sucesso nos esforços de ajuda, salientando que esta situação tem atraído “fortemente a atenção do mundo”.

Amor de Jesus na Cruz é ‘GPS espiritual’ imparável

No dia 29 de novembro o Papa Francisco celebrou Missa no Complexo Desportivo de Kyaikkasan em Yangon para uma assembleia de cerca de 150 mil fiéis.

“Min gla ba” foi a saudação de boas-vindas em birmanês que o Santo Padre utilizou no início da sua homilia. Recordou que Jesus crucificado é a bússola segura que guia a nossa vida. Referindo-se às “feridas da violência” que muitos carregam em Myanmar, o Papa afirmou que “o caminho da vingança não é o caminho de Jesus”.

O Santo Padre assinalou, na sua homilia, que a Igreja em Myanmar “mesmo com meios muito limitados” está a “fazer muito para levar o bálsamo salutar da misericórdia de Deus aos outros, especialmente aos mais necessitados” – disse Francisco recordando o trabalho da Cartitas local e os esforços de “numerosas comunidades” naquele país, que querem ser “sementes de cura e reconciliação” nas famílias e na sociedade, proclamando “o Evangelho” mesmo a “outras minorias tribais”. E fazem-no porque o amor de Jesus “revelado na cruz” é “imparável”. Um verdadeiro “GPS espiritual” – afirmou o Papa:

“A sua mensagem de perdão e misericórdia obedece a uma lógica que nem todos quererão compreender, e que encontrará obstáculos. Contudo o seu amor, revelado na cruz, é definitivamente imparável. É como um ‘GPS espiritual’ que nos guia infalivelmente rumo à vida íntima de Deus e ao coração do nosso próximo” – declarou o Papa Francisco.

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Papa no Bangladesh: solidariedade, missão e sabedoria

A segunda etapa da 21ª Viagem Apostólica do Papa foi ao Bangladesh onde esteve de 30 de novembro a 2 de dezembro. Francisco falou sobre a solidariedade para com os refugiados, em particular, os ‘rohingya’, ordenou e enviou em missão novos sacerdotes e disse aos jovens para procurarem a sabedoria de Deus que fortalece a esperança. Sabedoria que se encontra nos pais e nos avós

Por Rui Saraiva

A 21ª Viagem Internacional do Papa Francisco teve uma segunda etapa após a visita ao Myanmar. No dia 30 de novembro o Santo Padre chegou à República Popular do Bangladesh ao aeroporto da capital Daca. Um país com cerca de 150 milhões de habitantes com uma população que se dedica principalmente à agricultura. É um país de maioria muçulmana, onde se fala o bengali e onde vigora um regime democrático parlamentar. Os católicos são no país uma minoria de cerca de 500 mil pessoas.

Segundo informa a Agência Ecclesia ”o cristianismo chegou ao Bangladesh em 1518 pela mão de comerciantes portugueses que se instalaram em Chittagong, tendo este território ficado confiado à Diocese de Cochim e Goa”. Foram jesuítas os primeiros missionários: Francisco Fernandes e Domingos de Sousa. No dia 2 de dezembro, no Bangladesh, o Santo Padre visitou a antiga Igreja do Santo Rosário que foi construída por missionários portugueses em 1677.

Solidariedade no apoio aos refugiados

O primeiro discurso do Papa no Bangladesh foi proferido perante o Presidente Abdul Hamid num encontro com as autoridades do país, a sociedade civil e o Corpo Diplomático. Francisco chamou a atenção para a situação dos “refugiados chegados em massa do Estado de Rakhine” no Myanmar:

“Nos meses passados o espírito de generosidade e solidariedade que caracterizam a sociedade do Bangladesh manifestou-se muito claramente no seu ímpeto humanitário a favor dos refugiados chegados em massa do Estado de Rakhine, proporcionando-lhes abrigo temporário e provisões para as necessidades primárias da vida. Isto foi conseguido à custa de não pouco sacrifício; e foi realizado sob o olhar do mundo inteiro.”

“Nenhum de nós pode deixar de estar consciente da gravidade da situação, do custo imenso exigido de sofrimentos humanos e das precárias condições de vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs, a maioria dos quais são mulheres e crianças amontoados nos campos de refugiados.”

“É necessário que a comunidade internacional implemente medidas resolutivas face a esta grave crise, não só trabalhando para resolver as questões políticas que levaram à massiva deslocação de pessoas, mas também prestando imediata assistência material ao Bangladesh no seu esforço para responder eficazmente às urgentes carências humanas” – disse o Santo Padre.

No seu discurso Francisco assinalou a “forma particularmente eloquente” do povo do Bangladesh revelada na reação ao “brutal ataque terrorista” de 2016 em Daca “na mensagem clara enviada pelas autoridades religiosas da nação” condenando o ódio e a violência em nome de Deus.

O Santo Padre apontou ainda a disponibilidade dos católicos, não obstante o seu “número relativamente reduzido”, na construção e “desenvolvimento do Bangladesh, “especialmente, através das suas escolas, clínicas e dispensários” – disse o Papa.

Sacerdotes com a missão de ensinar e santificar

No dia 1 de dezembro o Papa presidiu à única Missa no Bangladesh no Suhrawardy Udyan Park de Daca. Participaram mais de 100 mil fiéis e o Santo Padre ordenou 16 novos sacerdotes. Foi sobretudo dos novos padres que Francisco falou na sua homilia dizendo que serão “cooperadores dos bispos” com a missão de “serviço do Povo de Deus”. São ordenados para ensinar e santificar:

“Vós, queridos filhos, que ides entrar na Ordem dos presbíteros, exercereis, no que vos compete, o sagrado múnus de ensinar em nome de Cristo, nosso Mestre. Distribuí a todos a palavra de Deus que vós mesmos recebestes com alegria. Meditando na lei do Senhor, procurai crer o que ledes, ensinar o que credes e viver o que ensinais.”

“Exercereis também, em Cristo, o múnus de santificar. Pelo vosso ministério se realiza plenamente o sacrifício espiritual dos fiéis, unido ao sacrifício de Cristo, que, juntamente com eles, é oferecido pelas vossas mãos sobre o altar, de modo sacramental, na celebração dos santos mistérios. Tomai, pois, consciência do que fazeis, imitai o que realizais. Celebrando o mistério da morte e da ressurreição do Senhor, esforçai-vos por fazer morrer em vós todo o mal e por caminhar na vida nova” – disse o Papa.

Presença de Deus, hoje, chama-se também ‘rohingya’

Também na sexta-feira dia 1 de dezembro destaque para as palavras do Papa a um grupo de refugiados rohingya no final de um encontro Inter-Religioso e Ecuménico pela Paz que teve lugar no Arcebispado de Daca.

A estes refugiados da minoria muçulmana rohingya que fugiram de Myanmar, Francisco disse-lhes que “em nome de todos aqueles que vos perseguem, daqueles que fizeram mal, sobretudo pela indiferença do mundo, eu peço-vos perdão. Perdão” – afirmou o Papa.

O Santo Padre assinalou ainda o acolhimento que estes refugiados receberam no Bangladesh e reforçou o seu apelo dizendo: “Continuemos a fazer o bem, a ajudá-los, continuemos a mexer-nos para que sejam reconhecidos os seus direitos. Não fechemos os corações, não olhemos para o lado. A presença de Deus, hoje, chama-se também ‘rohingya’ – declarou Francisco.

Sabedoria de Deus fortalece a esperança

No dia 2 de dezembro, na Visita do Papa ao Bangladesh, destaque para o encontro com os jovens no Notre Dame College de Daca. Nesse momento com os mais novos Francisco alertou para o perigo de “vagar sem rumo” na vida. Para que tal não aconteça é necessária a “sabedoria que nasce da fé” que é a “única coisa que nos orienta e faz avançar”. Uma “sabedoria que se vislumbra nos olhos dos pais e dos avós que puseram a sua confiança em Deus” – afirmou Francisco.

O Papa declarou ainda que “a sabedoria de Deus fortalece em nós a esperança e ajuda-nos a enfrentar o futuro com coragem. Nós, cristãos, encontramos esta esperança no encontro pessoal com Jesus na oração e nos Sacramentos, e no encontro concreto com Ele nos pobres, doentes, atribulados e abandonados. Em Jesus, descobrimos a solidariedade de Deus, que caminha constantemente ao nosso lado” – disse Francisco aos jovens do Bangladesh.

Neste que foi o último encontro naquele país asiático o Papa assegurou ainda aos jovens as suas orações para que todos eles possam continuar a “crescer no amor de Deus e do próximo” – afirmou o Santo Padre.

 

Por Rui Saraiva

 
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