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Homilia - QUARTA-FEIRA DE CINZAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2018

Jl2,12-18

2Cor 5,20-6,2

Mt 6,1-6.16-18

1 - Iniciamos a Quaresma. É um particular tempo de graça. Tempo carregado de força simbólica. Faz-nos recuar aos quarenta anos de deserto, do povo da antiga aliança. Tempo maravilhoso. De provações e de experiência das mais belas maravilhas de Deus, realizadas a favor daquela pobre gente resgatada do Egipto. Tempo de verdade, ou da verdade. Da grandeza e da infinita misericórdia de Deus, e da fraqueza e infidelidade do povo. Tempo de passagem da escravatura à liberdade. Do não ser ao ser povo de Deus.

2- Tempo que nos conduz aos quarenta dias de Jesus no deserto. Em que se nos revela como o verdadeiro Israel, fiel à palavra e vontade de Deus. Será por enxerto n'Eie que se há-de constituir o Novo Povo, o Povo da Nova aliança.

Tempo de oração e penitência em que Jesus se prepara para o seu ministério público.

Diversos momentos da História da salvação à luz dos quais somos convidados a rever-nos.

 

3- É tempo que, como augura o Papa Francisco, somos chamados a viver com alegria e em verdade. Homens de verdade. Homens fiéis a si mesmos, fiéis a Deus e aos irmãos.

 

4 - Começa com este rito da imposição das cinzas que nos projeta para uns quarenta dias de particular penitência e esforço de conversão. É um grande pedido de Deus. A súplica sofrida do seu amor materno.

“Convertei-vos a mim de todo o coração", diz o Senhor pela boca do profeta. “Reconciliai-vos com Deus" recomenda Paulo.

Porque Deus é clemente e compassivo, paciente e misericordioso" revela Joel. Não sou eu, recorda Paulo, é Cristo de quem sou embaixador que vos pede.

A preocupação de Deus à procura do homem que lhe foge.

É isto, o nosso Deus, um Deus que ama. Que ama porque ama. Que ama porque é Ele. Porque é amor. É dom.

Um Deus que ama até à loucura do dom de seu Filho, ou do dom que faz de si mesmo no Filho que entrega até á morte pelos homens que procura.

 

5 - A resposta que espera de nós vai significar-se e viver-se, vai tomar corpo, na tradicional prática da oração que se procura mais intensa e com mais tempo, da esmola e do jejum.

A conversão acontece na convergência duma assumida consciência da própria fraqueza e infidelidade, e duma fé firme na indestrutível misericórdia de Deus. Desse tremer, desse abalarem-se das entranhas da mãe diante dos perigos que vê correr os filhos que ama visceralmente.

Conversão que é um voltar-se para Deus, para o irmão e para a própria criação à qual tantas vezes mostramos as nossas costas. Assim parece entender-se aquela antiga prática quaresmal.

 

6- A oração. O diálogo com Deus. A conversa com o Pai que se procura para O ouvir no que tem para nos dizer, e para lhe confidenciarmos a nossa vida. Para lhe dizermos como vão as coisas. Os nossos projetas, as nossas esperanças, e os nossos medos. As nossas realizações, e os insucessos. Tudo. Ele sabe tudo, mas nós precisamos de lho dizer.

Pobres que somos, precisamos dele, da sua palavra, da sua ajuda, da sua presença. É nele, de facto, que somos e vivemos, que nos movemos e existimos. Sem ele não somos, não nos encontramos, não crescemos. Não vivemos.

Como nos diz, o nosso Papa Francisco, "dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida". É caminho de verdade, a oração.

É neste contexto que queremos ouvir em filial acolhimento, o nosso Santo Padre na proposta que nos deixa das "24 horas para o Senhor", com a celebração do Sacramento da Reconciliação, nos dias 9 e 10 de Março.

 

7- Esmola. Partilhar com os irmãos o que somos e temos, o que podemos e sabemos. O sairmos de nós próprios, como gosta de dizer o papa Francisco, o sairmos do que são as nossas coisas e coisitas que tantas vezes nos escravizam nos prendem e nos isolam, para ir ao encontro do outro, na sua necessidade.

Dar a mão ao outro, para com ele, lutarmos por uma vida melhor, mais digna, mais consentânea com a dignidade humana.

Tendo valor em si mesmo, tudo isto há-de ser sobretudo um sinal daquilo a que todos somos chamados na construção da sociedade que somos e em que vivemos. Assente no cuidado com outro, na solidariedade, no amor.

Neste espírito, contributo penitencial, a nossa partilha, nesta quaresma será para o Fundo Solidário Diocesano e para apoio a um Orfanato das irmãs Marianitas, na Guiné Bissau.

 

8 - O jejum. Antes de mais, o jejum permite-nos "experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome" Diz-nos o Santo Padre. Com ele significamos ainda a nossa entrega a Deus, e a consciência de que é dele que dependemos, é dele que haurimos vida.

E o jejum significa também e nessa mesma linha a nossa liberdade em relação a tudo o que a terra produz. Que não nos deixamos prender nem dominar por nada do que dá e pode dar, e ao mesmo tempo o nosso respeito por essa que é a casa comum e que somos chamados a respeitar e a cuidar, criada para o bem de todos.

 

9 - Na perspetiva do Papa Francisco, será este o caminho para uma quaresma vivida com alegria e em verdade. Neste esforço por sermos aquilo que somos chamados a ser, um Povo que, enxertado em Jesus, dele se alimenta e com ele caminha para o Pai a fonte e a meta de tudo.

 
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