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Prémio D. António Francisco 2018 atribuído aos Jesuítas pelo apoio aos migrantes e refugiados no Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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No dia 11 de setembro, um ano após a morte de D. António Francisco dos Santos, o Prémio que homenageia o bispo que liderou a diocese do Porto entre 2014 e 2017, reconhece o trabalho da Companhia de Jesus no campo dos migrantes e dos refugiados

Nesta primeira edição de 2018 as instituições que promovem o Prémio D. António Francisco resolveram reconhecer o trabalho da Companhia de Jesus no campo dos Migrantes e Refugiados no Porto.

A Associação Comercial do Porto, a Irmandade dos Clérigos e a Santa Casa da Misericórdia do Porto atribuem o Prémio D. António Francisco, que é uma homenagem ao Bispo do Porto D. António Francisco dos Santos pela relevante obra na cidade do Porto e como referência de amor ao próximo e de solidariedade.

Esta iniciativa solidária tem um valor de 75 mil euros e destina-se a apoiar organizações e cidadãos que se distingam na promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz.

Em 2018 o primeiro Prémio

Em particular, são galardoados em 2018 os seguintes serviços de apoio a migrantes e refugiados:

– o Centro Comunitário São Cirilo que é uma comunidade de inserção criada pelos jesuítas no Porto para acolher e (re)capacitar pessoas e famílias estrangeiras e nacionais a passar por fase temporária de fragilidade social (pessoas despejadas das suas casas, sem-abrigo que querem sair da rua e encontrar trabalho, estrangeiros que perdem o emprego e sem retaguarda familiar de suporte, entre outras). Desde a abertura oficial, a 4 de Janeiro de 2010,  o Centro ajudou mais de 6000 pessoas de 113 nacionalidades e conseguiu mais de 300 colocações em emprego;

– o Centro de Instalação Temporária para migrantes em situação irregular (detenção administrativa), Unidade Habitacional de Santo António (UHSA) da responsabilidade do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no Porto. Este Centro conta com o apoio do Serviço Jesuíta de apoio a Refugiados (JRS) na sequência de um Protocolo de Colaboração entre o Ministério da Administração Interna/ SEF e a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Tem capacidade para alojar trinta adultos e seis crianças e alberga pessoas que receberam uma ordem de afastamento do país por estarem em situação irregular e que aguardam a efetivação da medida.

O apoio psicossocial garantido pelo JRS na UHSA centra-se sobretudo na redução da ansiedade e do stress vividos pelos detidos, à adaptação às instalações da Unidade, à preparação para o regresso aos países de origem e à elaboração de projetos de vida.

Sobre o Centro São Cirilo a VP falou com o presidente da direção, o padre Luís Ferreira do Amaral que revelou a sua satisfação pelo reconhecimento conferido por este Prémio:

“Foi com grande alegria que nós tomamos conhecimento deste Prémio e serve para confirmação do trabalho no Centro Comunitário São Cirilo. E também por esta causa que é tão atual no apoio a pessoas nacionais, internacionais, migrantes e refugiados. Pessoas que precisam de ajuda. Este Prémio confirma o nosso trabalho” – declarou.

O padre Luís Ferreira do Amaral assinalou ainda que D. António Francisco dos Santos era “um bispo muito querido nesta diocese” era alguém “que demonstrava claramente uma preocupação social, com os mais fracos e com os mais pobres”. O sacerdote jesuíta confessou também sentir uma “certa responsabilidade pelo trabalho futuro” que vierem a desenvolver no Centro São Cirilo.

Por sua vez, do trabalho dos jesuítas no âmbito da Unidade Habitacional Santo António, falou à reportagem da VP o Dr. André Costa Jorge que é o diretor do JRS em Portugal:

“Enorme gratidão e reconhecimento pela atribuição do Prémio ao nosso trabalho no Porto no âmbito do acompanhamento que fazemos a migrantes que estão em espaço de detenção administrativa. Um trabalho muitas vezes difícil e silencioso sobre o qual tem sido feita uma reflexão profunda em todo o mundo. Concretamente, em Portugal, temos este trabalho de acompanhamento. É um motivo de grande orgulho” – afirmou.

O direto do JRS-Portugal, recordou à VP a grande visão cristã e humana de D. António Francisco dos Santos e as suas constantes palavras “que nos desafiavam muito a sermos criativos, a sermos ousados na ação que fazemos” – declarou o Dr. André Costa Jorge acentuando a vulnerabilidade e fragilidade das pessoas migrantes ou refugiadas que vivem uma situação de detenção administrativa.

Recordando D. António Francisco

A figura de D. António Francisco dos Santos no último ano já foi motivo da atribuição do nome de uma futura ponte sobre o rio Douro que ligará os municípios de Porto e Gaia e também de uma sentida homenagem na sua terra natal com a inauguração de um monumento em sua memória.

E tudo isso porque a ação pastoral de D. António Francisco dos Santos na diocese do Porto foi intensa, próxima e profundamente evangélica. Recordamos aqui quatro momentos marcantes do seu incansável trabalho na diocese do Porto: o plano diocesano de pastoral, a visita aos doentes, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a Peregrinação Diocesana a Fátima.

Rumar a um Sínodo Diocesano

D. António Francisco dos Santos marcou a sua ação no Porto com uma enorme capacidade de visão estratégica e planeamento à qual dava uma dimensão pastoral traduzida em caminho a percorre no tempo. O Plano Pastoral que apresentou em 2015 foi o início desse mesmo caminho que ele queria percorrer rumo a um Sínodo Diocesano. Um caminho de 5 anos com o lema: “A alegria do Evangelho é a nossa missão”. Colhendo inspiração na Exortação Apostólica do Papa Francisco “Evangelii Gaudium” (A alegria do Evangelho), D. António Francisco preconizou que a diocese do Porto caminhasse com um grande objetivo: “A Igreja Diocesana, marcada pela alegria do Evangelho, que nasce do encontro com Cristo, renova-se em missão, para irradiar a esperança e servir na caridade”.

Iniciando este percurso quinquenal no ano 2015/2016, embalado pelo Ano Santo da Misericórdia proposto pelo Papa Francisco, D. António Francisco dos Santos deu um lema forte e significativo ao caminho desse ano: “Felizes os misericordiosos!”. Seguiu- -se o ano 2016/2017 com o lema: “Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria!” e último ano que foi percorrido sem D. António Francisco e já com o senhor D. Manuel ;Linda com o grande lema: “Movidos pelo amor de Deus!”.

Estas etapas anuais permitiram com as suas atividades, encontros e momentos, percorrer um caminho em conjunto, um caminho “sinodal” que na sua última fase fosse aquilo que D. António Francisco tinha assinalado: “Um caminho sinodal aberto a todos!”.

A Visita aos Doentes

Uma constante na vida pastoral de D. António Francisco na diocese do Porto foi a visita aos doentes. Era uma preocupação quase diária à qual se entregava absolutamente envolvido pelo acolhimento aos mais necessitados. São inúmeras as histórias sobre encontros que tantas pessoas viveram nos hospitais. D. António Francisco visitava alguém num hospital da cidade ou da diocese mas, ao mesmo tempo, visitava os restantes doentes da enfermaria. A todos deixava uma palavra, um carinho, um sorriso.

D. António Francisco era dotado de uma memória prodigiosa. As visitas aos hospitais e outras instituições de saúde e de acolhimento de idosos, permitiram municia-lo dos pormenores necessários para aumentar o seu âmbito de contacto e de comunicação com os outros. Tinha uma postura personalizada. Cada pessoa era um alvo da sua atenção, do seu olhar e da sua ternura. Não esquecia os nomes e os detalhes dos encontros e isso permitia-lhe conhecer as pessoas, as suas histórias, as suas preocupações e necessidades. Em particular, nos hospitais D. António Francisco já era uma visita normal. Os funcionários conheciam-no e saudavam-no logo que o viam cientes de que trazia calor humano para os doentes.

A Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima

Em 2016 a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a todas as dioceses do país foi particularmente sentida na diocese do Porto. Começou a 10 de abril na Vigararia de Ovar e terminou em Gaia no dia 1 de maio. Foram momentos de alegria e de encontro, de oração e de celebração, marcados, todos eles, pela profunda fé do povo. D. António Francisco redobrou-se no contacto, no acolhimento e nas atividades desses dias.

Recordamos aqui as palavras de D. António Francisco proferidas na homilia de dia 10 de abril na receção da imagem peregrina em Ovar: “Podemos dizer que a correspondência à presença da Virgem Maria na Igreja e nas nossas vidas, por vontade de Deus, é mais que mera devoção. Criatura de Deus, a primeira e a mais fiel dos discípulos, sinaliza caminhos de busca e de encontro com Jesus Cristo. Não é meta, nem é caminho: é companhia e vereda para o Caminho.”

“Quantas vezes a realidade ultrapassa os nossos limites e as explicações não explicam! Num diálogo, ao mesmo tempo fraterno e filial, podemos encontrar em Maria o conforto da força dos afetos…Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.” (…)

A Peregrinação Diocesana a Fátima

O último momento de D. António Francisco dos Santos na diocese do Porto foi a Peregrinação Diocesana a Fátima. Uma etapa percorrida com os diocesanos antes do seu coração o trair interrompendo o percurso iniciado em 2014.

Com o seu falecimento na segunda-feira dia 11 de setembro, dois dias depois da peregrinação a Fátima de sábado dia 9, transformaram-se em objeto de estudo os momentos, as palavras, as reflexões e as emoções ali vividas. Segundo o testemunho de tantos que viveram de perto a preparação da Peregrinação Diocesana a Fátima, D. António Francisco colocava nesta iniciativa uma especial atenção e expectativa. Não esperava tanta gente e tanta esperança no coração dos seus diocesanos. Estava feliz e emocionado. O seu olhar transbordava de fé e de alegria. Sabia que aquele momento era princípio de algo de novo para a diocese.

Sempre imbuído da sua natural gratidão, foram de agradecimento e de missão as suas últimas palavras no Santuário de Fátima e também do seu serviço pastoral à Igreja. Palavras que aqui recordamos: “Obrigado a todos os que mais uma vez, e desta forma tão bela, nos dizem pela presença, pela alegria, pela oração, pela generosidade e pelo trabalho e também pela ajuda económica que deram para esta realização, que por aqui passe o sonho de Deus e o caminho da Igreja do Porto. Sentimo-nos movidos pelo amor de Deus, queremos ser esperança e fermento de um mundo melhor e queremo-nos abençoados pela mãe de Deus.” (…) “Convoco-vos a partir daqui e desta admirável peregrinação e abençoada jornada para a missão, mas é Jesus, o Enviado do Pai, que vos envia.”

VP - Rui Saraiva

 
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