Jubileu de Pároco da Maia do Padre Domingos Jorge Versão para impressão
Documentos - Homilias 2014

1.É de alegria, vivida à volta do altar, a razão que nos traz a esta nova Igreja matriz de Nossa Senhora da Maia. Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia. Fazemo-lo por ocasião do jubileu como Pároco da Maia do Padre Domingos Jorge Duarte do Aido.

Saúdo-vos, irmãos e irmãs, com estes acrescidos motivos de alegria que unimos nesta Eucaristia, que é sempre mistério de graça que de Jesus Cristo recebemos e momento e memorial de ação de graças que a Deus devemos.

 

Saúdo com particular afeto o Padre Domingos Jorge, neste dia de jubileu como Pároco desta Comunidade. Com ele regresso, em romagem de gratidão a Arouca, a terra que o viu nascer, que foi berço da sua fé e escola da sua vocação; recordo os seus pais e a sua família, porque a eles, em primeiro lugar, devemos o Pároco que agora temos.

Mas esta celebração diz-nos que, para nós sacerdotes, a nossa família se alarga aos horizontes dos Seminários que nos formaram, das Comunidades cristãs que servimos e da Igreja diocesana que somos.

Com o Padre Domingos Jorge, quero lembrar os nossos Seminários do Porto, neste dia do início da Semana dos Seminários. O Seminário foi a mais longa e necessária escola da sua formação rumo à ordenação presbiteral. Aí viveu, também, os primeiros anos, no início do seu ministério, como Formador no Seminário do Bom Pastor, em Ermesinde. Aí o conheci e desde esse tempo guardo do Padre Domingos Jorge o testemunho da amizade fraterna e o exemplo do ministério sacerdotal.

Quero, com a minha presença, dizer-lhe que a alegria que aqui nos traz, hoje, é alegria de toda a Igreja do Porto.

2. Neste domingo, a liturgia da Igreja celebra a Dedicação da Basílica de S. João de Latrão. Recorro e inspiro-me nas palavras tão oportunas do Padre João Resina Rodrigues, de saudosa memória, sacerdote do Patriarcado de Lisboa, escritas neste mesmo dia de 2008:

“Durante cerca de duzentos e cinquenta anos, o império romano perseguiu os cristãos com grande dureza e crueldade. O édito de Milão, assinado por Constantino em 313, concede aos cristãos a liberdade de culto. Puderam abrir as portas das casas onde até aí celebravam a Eucaristia em segredo. Puderam fazer igrejas. O próprio Imperador Constantino mandou edificar para os cristãos templos, semelhantes aos edifícios públicos, as basílicas. Esta primeira basílica cristã, a de Latrão, foi consagrada em 9 de novembro do ano 320. Considerada igreja-mãe de todas as igrejas, continua a ser a catedral do Bispo de Roma, o Papa.

Dezoito séculos depois, queremos que existam igrejas. E ficamos felizes se as igrejas, as sinagogas, as mesquitas e outros templos forem espaços de fé e de oração, significarem menos a oposição das crenças e significarem mais a procura de Deus e a aceitação do diálogo. As nossas igrejas e capelas são, em si mesmas, sinal do Deus de Jesus Cristo no meio da cidade dos homens. São espaço onde celebramos a Eucaristia, onde gostamos de rezar, com os irmãos ou a sós, onde podemos reunir-nos, onde guardamos no sacrário o Pão da Eucaristia, Corpo de Cristo, que aí fica presente para nossa adoração e contemplação”.

Tem aumentado sentido dizer esta palavra nesta Igreja nova, construída no coração da nossa Cidade da Maia, fruto da vossa fé e da vossa generosidade, inaugurada e dedicada a Deus no dia 11 de outubro de 1992.

A Palavra de Deus, que acabamos de ouvir, conduz-nos à entrada do templo, donde, segundo a visão profética de Ezequiel, “sai água que tornará sã a outra água, que fará crescer árvores com frutos novos e salvará todos aqueles a quem esta água chegar” (Ez 47, 1-12).

Esta Palavra de Ezequiel é o pórtico de entrada para a compreensão da mensagem de Paulo aos cristãos de Corinto, ao lembrar-lhes que “eles são edifício de Deus e templo onde habita o Espírito de Deus. O templo de Deus é santo e vós sois esse templo”, diz-nos S. Paulo (1 Cor 3, 9-17).

O cuidado e o desvelo por este templo que somos nós e por tantos outros sinais do templo humano e dos templos edificados, onde Deus habita, é necessária missão dos discípulos do Senhor, como nos diz o evangelho ( Jo 2, 13-22).

3. É em ordem a cuidar dos templos humanos e dos templos edificados das Comunidades que nasce a vocação de todo o discípulo de Jesus. «Vinde ver») Jo 1, 39), respondeu Jesus aos dois discípulos de João Baptista, que lhe perguntavam onde habitava. Foram então e viram onde Jesus morava e sobretudo viram quem era e permaneceram com Ele. Era de simplicidade e de humildade a vida de Jesus; era de mansidão o seu coração e por isso Ele atraiu e atrai hoje também tantos a Ele, que O seguem como seu Mestre e que continuam a sua missão como ministros da sua graça, discípulos missionários da alegria do evangelho, procurando ser pastores ao modo de Jesus, o Bom Pastor.

É igualmente de humildade e confiança, de generosidade e de entrega, o testemunho sacerdotal do Padre Domingos Jorge, sempre vivido em plena comunhão com os seus bispos e em zelosa missão ao serviço do povo de Deus, que lhe está confiado. Bem-haja, irmão sacerdote!

Dou graças a Deus pelos nossos Seminários e para eles peço a oração, a dedicação e a generosidade de todos; louvo a generosidade e a verdade de vidas entregues de tantos jovens que aí caminham na fidelidade a Cristo, rumo à ordenação presbiteral; agradeço a dedicação das Equipas Formadoras e de quantos, colaboradores, amigos e beneméritos, fazem dos nossos Seminários o coração vivo da Diocese. Nos nossos Seminários renasce, dia a dia, com vigor e entusiasmo a esperança do futuro, para que nunca faltem à Igreja e ao Mundo “servidores felizes da alegria do Evangelho”.

Celebrar jubileu sacerdotal é também uma abençoada oportunidade para fazermos deste serviço da alegria do Evangelho, o paradigma, a força e o impulso da nossa pastoral vocacional.

Urge encontrar no belo e fecundo testemunho de vida sacerdotal dos sacerdotes da nossa Diocese e no espírito cristão das famílias e das comunidades destas Terras da Maia, que tanto têm crescido demograficamente e de modo tão exemplar se têm afirmado no contexto da vida da nossa Região, a força mobilizadora e o fascínio do chamamento de Deus para que surjam, a partir daqui, novas e generosas vocações para a vida sacerdotal.

5: Que Nossa Senhora da Maia, que invocamos, também, como Senhora do Bom Despacho e Senhora do Carmo, bênção materna da nossa Cidade, nos inspire neste zelo evangelizador e missionário da Igreja, aberta ao mundo, e nos faça compreender que a messe é cada vez maior e que pertence a cada um de nós tudo fazer em oração, confiança e missão para que haja “servidores da alegria do Evangelho”, como nos lembra o lema desta Semana dos Seminários, em Portugal

Quero rezar por todos os sacerdotes e seminaristas da nossa Diocese e das Comunidades Religiosas que aqui vivem e trabalham. Rezo por todos e por cada um:

“Contigo esteja o Senhor…Que tem mãos de Pai e rosto de Mãe.

O Senhor esteja diante de ti, para te mostrar o reto caminho.

O Senhor esteja ao teu lado, para te dar o braço e apoiar-te.

O Senhor esteja em ti, para te consolar quando estiveres triste.

O Senhor esteja sobre ti, para te abençoar.

Que o bom Deus te abençoe!”

( Sedulius Caelius, monge e poeta, séc. III)

 

Maia, Igreja matriz, 9 de novembro de 2014

António, Bispo do Porto

 

Endereço Original: http://www.diocese-porto.pt/?option=com_content&id=2710

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