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Conselho Presbiteral reflete sobre a Pastoral do Batismo


No dia 23 de outubro o Conselho Presbiteral reuniu, no auditório do Paço Episcopal sob a presidência de D. Manuel Linda, bispo do Porto.  No centro da reflexão deste Conselho esteve a pastoral do Batismo, no contexto da iniciação cristã, de acordo com os desafios do Plano Pastoral Diocesano para o triénio agora iniciado, com acento no Sacramento do Batismo.

Os desafios pastorais da iniciação cristã: mais do que transmissão de conteúdos doutrinais

Para ajudar à reflexão foi convidado o padre Tiago Freitas, do presbitério da arquidiocese de Braga e autor da tese de doutoramento “O Colégio de Paróquias: a paróquia em tempos de mobilidade”. A sua intervenção foi de cariz teológico-pastoral, sobre a iniciação ou reiniciação cristã. Sublinhou que “iniciar à vida cristã não significa simplesmente receber os sacramentos, mas implica tornar-se paulatinamente cristão”.

Em particular, citou o n.º 30 da Instrução Pastoralis Actio, sobre o Batismo de Crianças, um documento da Congregação para a Doutrina da Fé, datado de 20 de outubro de 1980, em que é colocada a questão das condições para acolher o dom do Batismo. O Pe. Tiago destacou deste documento a clara referência ao «apoio da comunidade dos fiéis», o que leva a considerar a necessária corresponsabilização ministerial das nossas comunidades, que, mais dos que padrinhos, são os verdadeiros garantes deste apoio na vida cristã dos neófitos.

O padre Tiago Freitas enfatizou a necessidade de se pensar a Catequese, não em chave de mera “transmissão de conteúdos”, mas como instrumento de iniciação à vida cristã, nos seus vários âmbitos. Sugeriu também um empenho mais forte no acompanhamento dos casais novos.

Propôs a oferta de algumas formas de acompanhamento das crianças, no período que vai do batismo na primeira infância até à idade de inscrição na Catequese, por altura dos seis ou sete anos.

Deixou alguns desafios, no sentido de procurarmos e sairmos ao encontro das pessoas e de qualificarmos humanamente as práticas de acolhimento, a hospitalidade e os meios de acompanhamento das pessoas, sobretudo nos momentos existenciais mais decisivos, como são, por exemplo, os do nascimento, do casamento, do sofrimento, da morte e do luto.

D. Manuel Linda insistiu na necessidade de um bom acolhimento e de uma atitude de empatia e de simpatia, para com as famílias que pedem o batismo.

Dificuldades, desafios, propostas e boas práticas, na pastoral do Batismo

Os 4 grupos de trabalho, responderam às questões centradas na pastoral do sacramento do batismo: partilha de dificuldades, de desafios, de propostas e de boas práticas, em campo ou em gestação, na sequência dos desafios lançados pelo Plano Diocesano de Pastoral 2019/2020. Da partilha, em plenário, poderão apontar-se os seguintes tópicos de reflexão e ação pastorais:

Dificuldades: perda do sentido comunitário da fé e da vida cristã

Quanto às dificuldades na Pastoral do Batismo, salientaram-se sobretudo as seguintes: a pressa com que o pedido de Batismo é feito pelos pais, que inviabiliza propostas e itinerários de preparação mais cuidados; uma certa privatização do sacramento, que o isola da experiência e da integração comunitárias; a celebração do batismo percecionada como acontecimento predominantemente social ou apenas em linha com a tradição familiar sem a consciência de uma necessária incorporação eclesial; a inexistência, em várias vigararias, de um catecumenato vicarial e a falta de respostas adequadas e adaptadas às circunstâncias das crianças em idade de catequese  ou mesmo nas idades seguintes; o difícil acolhimento e a integração dos convidados, quando a grande maioria deles não é praticante; a diversidade e a falta de critérios comuns para a  aceitação dos padrinhos, múnus que deve ser reequacionado no atual contexto pastoral, em que são sobretudo as comunidades o garante e apoio no crescimento da vida cristã dos batizados.

Desafios: comunidades vivas, percursos diferenciados, um bom acolhimento, uma bela celebração, um melhor acompanhamento.

Relativamente aos desafios pastorais, em torno da pastoral do Batismo, a reflexão centrou-se sobretudo na necessária formação de comunidades cristãs, que devem garantir um bom acolhimento, proporcionar uma celebração bela e cuidar do posterior acompanhamento e integração eclesial das famílias e das crianças batizadas. Neste campo, foi sugerida uma insistência maior, quanto à temática do Batismo, incluída nos itinerários de preparação para o Matrimónio. Deve ser promovida sobretudo a dimensão comunitária da própria celebração do batismo, nomeadamente integrando-o, sempre que for razoável, na celebração da Eucaristia. Insistiu-se no gosto e simpatia, com que devem ser acolhidos os pais, que vivem a alegria de um novo filho. Importa insistir e efetivar a criação de catecumenatos vicariais e a oferta de percursos diferenciados de iniciação cristã de crianças, jovens e adultos não batizados ou simplesmente batizados. Deve prover-se, onde não existirem, a criação de Equipas de Batismo e cuidar-se da formação dos seus membros. Vários conselheiros fizeram notar a necessária e oportuna valorização do testemunho de casais, nas reuniões de preparação para o batismo e na apresentação da comunidade aos pais bem como na apresentação das crianças à comunidade. Importa proporcionar respostas adequadas e percursos diferenciados também àqueles que pedem os sacramentos de iniciação cristã, nas diversas idades e contextos, tendo em conta as circunstâncias concretas, uma vez que o ponto de partida de cada um e o ritmo de crescimento na vida cristã é diverso de pessoa para pessoa.

Boas práticas: fazer a memória viva do Batismo

Da partilha de algumas práticas pastorais, já em campo ou ainda em gestação, nos âmbitos do acolhimento, preparação, celebração e acompanhamento, destacaram-se as seguintes: o envio de mensagem ou de postal por ocasião do aniversário do Batismo; a realização de encontros com as famílias, a seguir à celebração do Batismo; a oferta de celebrações destinadas a fazer memória viva do Batismo, por ocasião do aniversário do mesmo, podendo estas ser distribuídas, ao longo do ano, por grupos etários diversificados e incluindo, na programação, um convívio, uma breve oração e uma visita ao batistério, que pode ser acompanhado pelo reacender da vela do Batismo; o envio de uma carta-convite a lembrar aos pais dos batizados que é tempo de inscrever o filho ou filha na Catequese; a participação de Grupos Corais na celebração dos Batismos; a existência de grupos interparoquiais dedicados à pastoral do Batismo.

D. Manuel Linda agradeceu a reflexão e a partilha realizada neste Conselho, mostrando-se recetivo a acolher e a propor, para discussão, em outros órgãos de corresponsabilidade pastoral, algumas sugestões apresentadas, nomeadamente a respeito dos padrinhos.

(inf: padre Amaro Gonçalo, Secretário do Conselho Presbiteral)