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Católicos e judeus anunciam apoio a instituições do Porto


A Diocese e a Comunidade Judaica do Porto promoveram nesta terça-feira dia 17 de dezembro uma reunião para reforçar as relações entre as comunidades católica e judaica, tendo anunciado a entrega de 15 mil euros a duas instituições da cidade.

Na reunião, descrita pelas duas comunidades como “sem precedentes”, o bispo do Porto, Manuel Linda, explicou que este encontro é revelador do “bom clima” que existe entre as duas comunidades, cuja relação “está solidificada” e “não voltará a atrás”.

“O Porto não se quer apresentar como exemplo. Se o formos tanto melhor ainda, eu estou convencido que sim. Numa altura em que a Europa volta a ter algumas negatividades e uma delas é o antissemitismo, que se nota em alguma zonas.

Naquilo que depender do nosso contributo, aqui no Porto, não haverá antissemitismo, como também a Comunidade Judaica não tem dimensão antirreligiosa católica”, afirmou em declarações à Lusa, à margem do encontro.

Em setembro de 2018, foi assinado um protocolo – Global Project in the Fields of Culture and Religion – entre as duas comunidades no qual resultou a produção de quatro filmes, a definição de uma estratégia de promoção dos museus das duas comunidades, e ainda a materialização de um apoio financeiro a instituições sociais.

De acordo com o bispo do Porto, este é já o segundo ano que a Comunidade Judaica do Porto atribui este apoio a instituições da área social, tendo sido contempladas, este ano, a Associação Nossa Senhora da Conceição para reforço do trabalho de integração dos sem-abrigo no mercado de trabalho, e as Conferências Vicentinas para medicamentos para as famílias carenciadas. As duas instituições, revelou Manuel Linda, vão receber cada uma 7.500 euros. Para o bispo do Porto, este apoio é importante na medida em que, teme, que o fenómeno dos sem-abrigo na cidade possa vir a aumentar.

“Na medida em que se trata de uma cidade que está a crescer sob o ponto de vista turístico, nós sabemos que algumas pessoas, particularmente gente ligada à toxicodependência, procura a cidade porque está convencida que vai obter esmolas, ajudas dos turistas. E portanto, oxalá que me engane, mas estou convencido que este problema e drama dos sem-abrigo vai aumentar aqui no Porto”, afirmou.

Também o presidente da Comunidade Judaica do Porto, Dias Ben Zion, sublinhou a importância deste protocolo assinado em setembro, que considerou “histórico” no reforço das relações entre as duas comunidades.

“Esse foi, aliás, um dia histórico, porque este protocolo foi assinado 500 anos depois do anterior protocolo de cooperação entre a comunidade judaica do Porto e a Diocese. (…) Desde a expulsão dos judeus de Portugal e Espanha, a comunidade judaica era inexistente. E só agora a nossa comunidade está a crescer novamente e é por isso que nos queremos construir esta relação em conjunto com a Igreja Católica como exemplo de uma coexistência pacifica entre as duas comunidades”, defendeu.

Em declarações à Lusa, Michael Rothwell, membro da administração da Comunidade Judaica do Porto, salientou que o objetivo é, enquanto a comunidade tiver recursos financeiros, manter e alargar o apoio às instituições da cidade.

No encontro que aconteceu no Palácio Episcopal do Porto, e que juntou cerca de 30 pessoas das duas comunidades, foi exibido um excerto da curta-metragem “The Nun’s Kaddish”, um dos quatro filmes que narram os acontecimentos que ocorreram ao longo dos séculos na sociedade portuguesa.

O valor angariado pelos filmes em Portugal será entregue para apoiar causas sociais.
O encontro de hoje terminou com uma visita aos museus das duas comunidades, a que se seguiu um almoço comum na Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim, no Porto.

(Lusa)