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Entrevista - Bispo do Porto: Empresários devem "ir ao limite do possível" para não despedir


O bispo do Porto pede aos empresários para "irem até ao limite do possível" para não despedirem em plena crise provocada pelo novo coronavírus. Em entrevista à Renascença, D. Manuel Linda acredita que os prejuízos que possam existir nesta fase irão ser compensados.

D. Manuel Linda apela "aos valores éticos" dos empresários e lembra que "estas coisas não se resumem a dados contabilísticos" ou à matemática, "em que se pensa que a empresa está a dar prejuízo" e, portanto, "encerra-se, ou então despedem-se as pessoas".

"Não pode ser", diz o bispo do Porto, que recorda alguns bons exemplos relacionados com a crise de 2008.

O prelado afirma que "teremos de reconfigurar e reconstruir a sociedade". Admite que "os pobres que já o eram o vão ser ainda mais" e diz que pode acontecer que, "por ventura, aqueles que são de uma classe baixa" percam mesmo empregos.

“Mecanismos europeus humanizaram-se bastante"

A nível da União Europeia, o bispo do Porto adianta ter a ideia de que "os mecanismos europeus" de ajuda "se humanizaram bastante mais", tendo como comparação o que se passou na crise económica de 2008.

De acordo com D. Manuel Linda, "na anterior crise económica iniciada em 2008, nós, os três países do sul da Europa (Portugal, Espanha e Itália), é que fomos afetados e naquela altura não houve piedade para connosco". Neste momento, "parece que os mecanismos europeus se humanizaram bastante mais".

O bispo afirma que esta crise prova que "afinal somos mais dependentes do que imaginávamos" e destaca o papel decisivo da economia social no combate às consequências da pandemia. Nas palavras de D. Manuel Linda, “a pandemia, as doenças e a morte, inclusivamente seriam muito maiores se não fosse a imensa generosidade destas instituições particulares de solidariedade social, entre as quais obviamente estão todas as valências das misericórdias".

 

Diocese disponibiliza dezenas de camas

Sobre o contributo da Diocese do Porto no combate à pandemia, D. Manuel Linda lembra que já ofereceu todos os grandes espaços da Diocese e que ainda há outras estruturas que podem vir a ser usadas.

Por exemplo, "temos também mais de 40 pequenos espaços, quase sempre salões paróquias, residências paroquias não usadas, e outros pequenos espaços que na sua totalidade significam dezenas de camas que se for preciso podem acolher temporariamente alguns utentes dos centros sociais paroquias para desinfeção ou outras necessidades".

O bispo do Porto pede para que nesta Páscoa as pessoas fiquem em casa e respeitem as normas das autoridades.

D. Manuel Linda recorda que "no nosso acontecimento pascal há uma Sexta-feira Santa muito negra. Quando Jesus foi crucificado as trevas dominaram a terra. Não obstante de tudo, depois há o Sol radiante da Páscoa. E se Deus quiser a Páscoa neste sentido de superarmos estes limites que neste momento são tão difíceis; essa superação vai acontecer mais depressa do que imaginamos".

O bispo do Porto pede confiança e que "ninguém se deprima". "Cumpramos as normas que as autoridades nos pedem e que são para nosso bem", pede D. Manuel Linda que deixa ainda uma mensagem de esperança: "se Deus quiser esta negrura típica de Sexta-feira Santa vai passar e então a manhã radiante e radiosa da Páscoa florida vai chegar". O Bispo do Porto termina com votos de boa Páscoa para todos.

 

Entrevista: Henrique Cunha / Foto: Marília Freitas/RR