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Francisco/7.º aniversário: Vaticanistas portugueses analisam pontificado que ajudou a «rebentar a bolha»


Os setes anos de pontificado do Papa Francisco, que hoje se assinalam, têm sido marcadas pela luta contra uma cultura do descartável, na natureza e na vida humana, e na promoção de uma Igreja em “saída”.

A posição é assumida pelos vaticanistas Aura Miguel, da Renascença, e Octávio Carmo, da Eccclesia, em entrevista conjunta pelo sétimo aniversário da eleição do sucessor de Bento XVI, a 13 de março de 2013.

Para Aura Miguel, o pontificado tem como “fio condutor” a ideia de “Igreja em saída”, de portas abertas, com bom acolhimento por parte de pessoas que se tinham distanciado das comunidades católicas.

“A Igreja é chamada a não ficar numa bolha e o Papa Francisco veio ajudar a rebentar essa bolha”, assinala a especialista, que em maio de 2019 completou 100 viagens a acompanhar viagens pontifícias.

A jornalista destaca, em particular, a convocação de um Jubileu da Misericórdia, com a abertura da Porta Santa em Bangui, capital da República Centro-Africana, antes da Basílica de São Pedro, a 29 de novembro de 2015

“É um Papa de gestos que marcam, que ficam na memória”, refere, a respeito de Francisco, considerando que a missão de qualquer pontífice é ir “sempre um passo mais à frente do que o pesado corpo da Igreja, em tudo”.

Octávio Carmo, chefe de redação da Agência ECCLESIA, considera como documento central do atual pontificado a encíclica ‘Laudato Si’, de 2015, sobre ecologia integral, “que fala à Igreja Católica e fala à sociedade no seu todo”.

“Uma das chaves para entender este pontificado é a globalização. É um Papa global que quer estar ao lado dos que estão a perder com a globalização, não daqueles que ganham sempre”, assinala.

O jornalista sublinha que Francisco dedica “uma atenção muito particular àqueles que mais ninguém vê e aos que não têm voz, neste discurso globalizado” 

Aura Miguel admite, por sua vez, que exista na Igreja Católica quem sinta dificuldade em “sair do conforto”, com resistências internas a um pontificado que tem dado prioridade às “periferias”.

Para a vaticanista, a “maior dificuldade do Papa no Vaticano” é levar a cabo uma reforma centrada em três temas: a reforma da Cúria Romana, a gestão financeira e a crise dos abusos sexuais.

“Não é um homem de poder, que possa ser visto como um flop, se não responder. Foi chamado para uma missão, não é um político que procura voltar a ser eleito”, acrescenta.

Octávio Carmo considera que a “resistência interna à dinâmica do pontificado está a ganhar força”, após a recente polémica sobre o celibato e a ordenação sacerdotal dos homens casados, envolvendo a figura do Papa emérito Bento XVI, na sequência do Sínodo especial para a Amazónia de outubro de 2019.

O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, assumindo o inédito nome de Francisco; é o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja e também o primeiro pontífice sul-americano.

HM/OC