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Covid-19: reaprender a celebrar em comunidade


Aproxima-se o dia em que retomaremos a celebração plena da Liturgia com a presença e participação do Povo de Deus. A Conferência Episcopal tornou públicas orientações claras e pertinentes no sentido de conjugar os dois mandamentos que Jesus tornou indissociáveis: o amor a Deus e o amor ao próximo. Deus: o único a quem devemos o culto de adoração, louvor, ação de graças e a quem invocamos e suplicamos misericórdia e bênção. O próximo cuja vida e saúde queremos preservar e com quem o próprio Jesus se identifica ao ter como feito a si o que se faz ao irmão. Por isso a Conferência Episcopal, em diálogo com a Direção Geral de Saúde, publicou orientações atentas e circunstanciadas. Não se trata de proibir, mas de proteger.

Os Bispos de Portugal recordam um princípio formulado pelo II Concílio do Vaticano que este tempo de pandemia nos forçou a redescobrir e aprofundar: a Liturgia é «cume e fonte» da vida e da vitalidade eclesial. Sendo cume, há muita vida eclesial na encosta pela qual se faz a escalada ao monte santo. Sendo fonte, há muito rio a jusante, até à Foz, muito mundo a irrigar com este caudal de vida. A Liturgia, humana e divina – como o Sumo Sacerdote que nela atua a obra da Redenção –, é o tesouro incomparável da Igreja. Mas há muita atividade, muita vida e riqueza antes e depois dela (mas sempre em relação com ela): cume e fonte. É, pois, oportuno recordar ao povo de Deus que a privação do «máximo» não o condena ao «mínimo». Tenhamos como certo que «será preciso ainda esperar algum tempo até ao integral restabelecimento da vida eclesial e religiosa». Não deixemos, por isso, de valorizar as «numerosas formas pessoais e familiares de prática religiosa, de oração e liturgia doméstica».

Um número muito relevante de fiéis não poderá ou não deverá retomar a frequência da Eucaristia comunitária tão cedo:

– Temos assembleias envelhecidas – não são os velhos que estão a mais, são os mais novos que faltam! – e as pessoas mais idosas integram os grupos de risco, que são convidados a não frequentar a Missa dominical.

– As nossas igrejas, muitas delas já exíguas para os frequentadores habituais, têm restrições de «lotação» muito severas. 4m2 por pessoa implica, no mínimo, uma redução de ¼ da capacidade habitual das nossas Igrejas (normalmente mais!). A hipótese de celebrações ao ar livre não está ao alcance de todos e implica, como regra, desabrigo e desconforto. Será doloroso ter de dizer a cristãos famintos e sequiosos de Eucaristia que já não podem entrar na sua Igreja.

Outros fatores vão condicionar o funcionamento da assembleia e a sua articulação ministerial:

– Distanciados entre si na nave das suas Igrejas, os fiéis terão de se submeter a mais duas regras de proteção imperativas: higienização das mãos; uso de máscaras. É a obrigação de tapar o rosto que põe mais dificuldades. Não nos referimos ao desconforto de cobrir a face, que exige algum tempo de adaptação mas acaba por se suportar razoavelmente. Que o digam os profissionais de saúde. A dificuldade maior é psicossocial: a assembleia é, por excelência, lugar de encontro e de reconhecimento, força de comunhão e antídoto poderoso contra o isolamento e a solidão. Com o rosto coberto, isso torna-se mais difícil.

– O exercício dos diferentes ministérios estará também limitado e condicionado: o número de acólitos será limitado pelo espaço disponível no respeito pelo distanciamento prescrito. Em muitos lugares só 1 ou 2 poderão desempenhar o seu serviço, estando obrigados a normas mais estritas no uso de proteção antes de manusear os objetos e alfaias próprios do seu serviço litúrgico; nesta fase, apenas o sacerdote e diácono pegam nas oferendas e nos vasos sagrados. As restrições de espaço pode impor, também, redução no número de leitores e poderá ser inevitável que um só proclame várias leituras. Ainda mais se sentirão estes limites nos ministérios do canto e da música: nenhum coro funciona com os distanciamentos preconizados. Na prática, o «número adequado de cantores» de que falam as orientações da CEP poderá resumir-se a um ou dois, com o apoio do organista.

– Há, porém, um ministério que neste contexto será revalorizado e importa reforçar com pessoas capazes: o dos antigos «ostiários», que corresponde hoje ao serviço do acolhimento e de ordem. Será necessário organizar grupos que coordenem as entradas e saídas e ajudem os fiéis a posicionar-se corretamente no espaço disponível, cumprindo as normas de proteção estabelecidas.