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População de Ovar vive entre a «angústia» do desconhecido e a «solidariedade» natural


A população da freguesia de São João de Ovar, foco principal da cerca sanitária aplicada no município devido à propagação do Covid-19, vive entre a “sensação de insegurança” e o espírito de “solidariedade”, segundo o pároco local.

“É uma situação nova, os tempos modernos não conheceram esta pandemia e o desconhecido provoca o medo. No dia-a-dia as pessoas tomam consciência e já se sente que andam menos na rua, mas vive-se um espírito de solidariedade”, explica o padre Vítor Pacheco.

Na cidade de Ovar foram identificadas 40 pessoas infetadas com o Covid-19, estando 440 em monitorização, o que levou as autoridades a decretar o estado de calamidade pública, com uma cerca sanitária aplicada a todo o município restrições impostas a atividades económicas e circulação de pessoas.

O pároco dá conta do contacto com uma casa onde vivem avós, pais e três filhos, o mais novo bebé de meses, cuja mãe foi infetada no Centro de Saúde.

“Há uma preocupação com o marido, filhos e os pais que vivem consigo. Temem o desconhecido, isso cria angústia. Mas são pessoas de fé, uma fé diária praticada e nesta hora viram-se para Deus com mais fervor”, explica.

Num misto de “esperança e natural preocupação”, a solidariedade já sentida num contexto semi-urbano, “onde se cultiva para o próprio sustento”, vai cimentando o “ambiente mais próximo”.

“Percebe-se um espírito de entreajuda”, destaca.

A paróquia, que presta serviço de creche e apoio domiciliário, encerrou a primeira valência, mantendo o apoio básico “de higiene e alimentação” dada a 20 utentes.

“Contactamos as famílias dos utentes para avaliar os serviços que seriam ainda necessários manter, uma vez que alguns familiares estão em casa e podem ajudar; por outro lado, tendo várias funcionárias que teriam de estar em casa para cuidar dos filhos, ficamos com uma redução de colaboradores. O que seria assim difícil continuar a prestar todos os serviços”, indica o responsável católico.

As equipas que mantêm o serviço básico de higiene e alimentação “têm todos os cuidados com máscaras e luvas e seguem as normas vigentes”.

“Ao domingo temos uma dupla de colaboradoras a trabalhar, mas para poderem descansar sou eu que vou fazer a entrega de alimentos. Deixo ficar a mala à porta com todos os cuidados”, explica o padre Vítor Pacheco.

O pároco afirma não sentir mais pedidos de ajuda, mesmo espiritual: “estamos numa fase de início, só se passou uma semana, sinto que as pessoas aceitaram muito bem as normas que a Igreja transmitiu, o cancelamento das missas e dos funerais, foram muito compreensíveis. Talvez as pessoas de mais idade, habituadas a ir à missa são as que mais sentem falta, e ficam tristes, embora compreendam e acompanhem na televisão”.

Pelas redes sociais, e dada a proximidade natural das pessoas, também através do telefone, o sacerdote vai tendo notícias dos seus paroquianos.

As pessoas têm procurado estar em família, fazer a oração em família. Tenho relatos de paroquianos que acompanho e acredito que vamos redescobrir valores na dimensão familiar que este tempo nos coloca. Se há tristeza por as pessoas não se poderem congregar para celebrar, o que antes não faziam em casa, começam a fazer. É uma oportunidade para crescer na fé”.

O responsável explica ainda que as Conferências Vicentinas paroquiais, que acompanham 100 famílias, vão procurar “manter-se disponíveis para o necessário”, acautelando, o facto de serem pessoas já idosas.

“Estamos a estudar a melhor forma de poder continuar com a entrega mensal de alimentos sem expor as pessoas que prestam este auxílio”, aponta.

LS