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Homilia na Vigília Pascal de 2026

Luz, Palavra e Sinodalidade

 

Esta vigília, que nos prepara e celebra já a luz radiante da Páscoa da Ressurreição, é imensamente rica de símbolos e palavras que mereciam longa reflexão. Não podendo trata-los a todos, permitam uma referência à luz e da Palavra de Deus.

Depois da bênção do lume novo, iniciamos uma procissão até ao altar, deixando-nos conduzir pela “Luz de Cristo”, tal como o Diácono propunha. O ideal seria que todos nós nos pudéssemos integrar fisicamente essa procissão. Mas como isso era difícil, deslocamo-nos alguns e todos seguiram esse movimento com o olhar e a intenção. E mantivemos as velas acesas enquanto se cantavam louvores à luz, símbolo da ressurreição do Senhor, no Precónio Pascal. Daqui a pouco, voltaremos a acender as velas para renovarmos as promessas do nosso Batismo.

Uma Igreja sinodal, tal como queremos ser na nossa Diocese do Porto, é isto mesmo: um povo de fraterna união que segue a Luz de Cristo, vigia para que essa Luz ilumine no máximo do seu esplendor, segue a Luz como esposa fiel do seu Esposo e, nessa Luz, revela o seu rosto sempre rejuvenescido, alegre e simpático. E ao renovar as promessas do Batismo, esta Igreja que nós somos, reconhece que todos fomos introduzidos na mesma dignidade de filhos de Deus, membros do mesmo corpo e participantes da relação de Jesus com o Pai, independentemente das nossas funções, carismas e ministérios. Faz-nos ver a necessidade de uma conversão permanente, um restaurar contínuo da vida nova em Cristo, rejeitando todo o mal e semeando o bem neste mundo a transformar em Reino de Deus. E que isso diz respeito a todos. A renovação das promessas batismais não é, pois, apenas um ato litúrgico, mas o motor de uma Igreja sinodal que escuta, caminha junta e se sente corresponsável pela missão.

Por outro lado, esta longa liturgia das leituras bíblicas e dos salmos que as acompanharam faz-nos tomar consciência de que o tal «caminhar juntos», inerente à ideia de sinodalidade, jamais se realizará se não colocarmos a Palavra de Deus no centro, promovendo uma Igreja que, tal como o velho povo de Deus do Antigo Testamento, segue em conjunto na história, abre o coração à escuta do que o Espírito tem a dizer-nos no hoje que nos é dado viver e faz dessa Palavra a base de todo o discernimento. É refletindo sobre ela e nela que se criam espaços de conversação fraterna e escuta mútua, superando a solidão e a indiferença, infelizmente muito típicas de alguns membros da Igreja. Só nessa Palavra seremos capazes de discernir os sinais dos tempos, escutar o Espírito que guia a Igreja, afastar os medos da mudança e renovar as estruturas e colocar todos os batizados nas sendas da missão.

Irmãs e irmãos, o Senhor ressuscitou. É este o centro e a consistência da nossa fé. E Ele continua a dizer-nos, tal como o Anjo a “Maria Madalena e à outra Maria” que ainda pensavam que era necessário embalsamar o corpo de Jesus: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, o Crucificado. Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito!”. Ele vai à nossa frente para aquela Galileia da paz, da beleza e da felicidade. Ele formou um povo santo que caminha na história para solidificar as fraturas que a sociedade gera, para limpar as lágrimas dos que nada mais veem que não seja negrura e morte, para construir a paz a partir de dentro de um coração sensível e amoroso, para dar vista aos cegos e curar os mudos, enfim, para nos dar esperança e coragem para atingirmos esse grande «Porto» de abrigo que é a plenitude da graça e da felicidade.

Caminhemos com Ele e n’Ele. Celebremo-l’O e cantemos-lhe hossanas de vitória. Unamo-nos a Ele para participar da sua felicidade sem fim.

A todos, santa e feliz Páscoa!

 

+ Manuel Linda 4 de abril de 2026