Na Solenidade de Pentecostes, D. Manuel Linda deu início oficial ao Sínodo da diocese do Porto. “Não se trata de fazer programas mundanos, mas de invocar o vento do Espírito que renova a Igreja e alarga os horizontes do amor”, sublinhou o bispo do Porto.
“Com esta celebração, declaro aberto o Sínodo Diocesano do Porto”, foi com esta frase plena de intensidade que D. Manuel Linda deu início oficial ao Sínodo da diocese do Porto.
“Pentecostes e sinodalidade estão profundamente ligados: ambos celebram o Espírito Santo que transforma uma Igreja tímida ou de hábitos adquiridos num Povo de Deus dinâmico e em movimento para se aproximar do mundo que tem de ser salvo”, afirmou o bispo do Porto na Missa que celebrou na Solenidade de Pentecostes na catedral do Porto no domingo 24 de maio.
Na sua homilia, D. Manuel Linda recordou que os apóstolos no “dia de Pentecostes” estavam “todos reunidos no mesmo lugar” como que “refugiados numa espécie de fortaleza que os separava do mundo”. E é aí que recebem o Espírito Santo, num acontecimento “prodigioso”, sublinhou o bispo do Porto.
“Nesse dia, aconteceu algo de prodigioso: uma força vinda do Alto, o Espírito Santo, tomou conta dos corações e da mente daqueles homens tímidos e medrosos, deu-lhes coragem para se dirigirem à multidão e sabedoria para falar na linguagem que ela entendesse. E eles abriram as portas, saíram e voltaram a ligar-se com o mundo ao qual o Senhor Jesus já os tinha enviado”, disse D. Manuel Linda.
É com a força do Espirito Santo que o bispo do Porto lança oficialmente o desafio do Sínodo Diocesano para que, tal como indica a etimologia da palavra sínodo, seja “juntos” (syn) que o “caminho” (odós) se faça, “em união fraterna, no Senhor”.
“O Espírito Santo ensina-nos que não há solidão no plano de Deus: uma Igreja que desce da «sala de cima» até às estradas do mundo, sabe que o faz em conjunto, em união fraterna, no Senhor”, afirmou D. Manuel Linda.
Para o bispo do Porto a sinodalidade é “um estilo de vida centrado em Jesus Cristo”. “A sinodalidade não é uma organização burocrática ou mera assembleia, mas um acontecimento espiritual, um estilo de vida centrado em Jesus Cristo que, na força do seu Espírito Santo, a todos congrega em fraternidade e responsabilidade. Não se trata de fazer programas mundanos, mas de invocar o vento do Espírito que renova a Igreja e alarga os horizontes do amor”, sublinhou D. Manuel Linda.
O bispo do Porto, na sua homilia, esclareceu também que o Sínodo Diocesano do Porto é o acontecimento que serve para institucionalizar o método sinodal. Porque “sem um sínodo formal, a sinodalidade corre o risco de carecer de perspicácia e eficácia na tomada de decisões”.
“O sínodo diocesano é o acontecimento concreto e com um prazo determinado que institucionaliza este método. É que, sem uma cultura sinodal disseminada, um sínodo corre o risco de ser estéril; mas, sem um sínodo formal, a sinodalidade corre o risco de carecer de perspicácia e eficácia na tomada de decisões”, afirmou o bispo do Porto.
“Cristãos da Diocese do Porto, icemos as velas da barca de Pedro. O Espírito Santo é a força que a faz mover na direção do bom porto da vida nova em Cristo. Entremos todos na barca. Dentro dela, abracemo-nos, escutemos, formemo-nos, falemos, avaliemos, projetemos, comprometamo-nos. Deixemos que o Espírito nos faça mover, na certeza de que iremos na verdadeira direção, pois o sentido da fé dos fiéis não se pode enganar. Sejamos Porto de partida para formar, reformar, transformar”, exortou D. Manuel Linda na conclusão da sua homilia.
Nesta Missa da Solenidade de Pentecostes celebraram o sacramento da confirmação muitos jovens de vários colégios católicos. No final da celebração foi lido o decreto episcopal de convocação do Sínodo Diocesano.