Na Casa Diocesana de Vilar, realizou-se, no passado dia 26, a celebração diocesana do Dia do Cuidador, subordinada ao tema “A Igreja Sinodal do Porto e o cuidar”. O encontro reuniu cuidadores, agentes pastorais, profissionais de saúde e fiéis da Diocese, num momento marcado pela reflexão, partilha de experiências e reafirmação do cuidado como dimensão essencial da missão eclesial.
A sessão de abertura esteve a cargo da Diretora do SDPSaúde, Maria do Rosário Rodrigues, cuja intervenção imprimiu o enquadramento espiritual e pastoral de todo o encontro. Num discurso claro e mobilizador, sublinhou que a identidade sinodal da Igreja só se concretiza plenamente quando esta se torna “uma Igreja que escuta e que cuida”, apontando o cuidado como critério concreto de autenticidade eclesial. Evocando a imagem da estalagem da parábola do Bom Samaritano, destacou o desígnio de uma Igreja onde “ninguém caminhe sozinho”, capaz de acolher tanto quem sofre como quem cuida. A responsável salientou ainda que o cuidado não pode ser reduzido a uma resposta assistencial, constituindo antes uma expressão concreta da fé e um verdadeiro ato de justiça, em consonância com o pensamento de Papa Francisco. Neste contexto, dirigiu uma palavra de reconhecimento a todos os cuidadores, formais e informais, valorizando o seu testemunho silencioso como sinal vivo da ternura de Deus junto dos mais frágeis.
Na sua intervenção, Dom Roberto Mariz destacou a dimensão comunitária do cuidado, lembrando que “todos precisamos de cuidados e todos também prestamos cuidados”. Sublinhou a importância da comunhão eclesial, em ligação com o bispo diocesano, Dom Manuel Linda, e apresentou sete verbos orientadores — conhecer, alegrar, celebrar, agradecer, motivar, comprometer e alargar — como caminho pastoral para uma Igreja mais próxima e corresponsável.
O programa integrou três testemunhos que deram expressão concreta ao tema “Onde vejo Deus no cansaço do Cuidar”. Adelaide Alves, cuidadora informal que acompanha o seu pai idoso após já ter cuidado da mãe, partilhou a exigência e a dimensão espiritual do cuidado familiar, vivido como missão entre a entrega e a fragilidade. Margarida Alvarenga, enfermeira e responsável da unidade de cuidados paliativos do IPO do Porto, destacou a condição frequentemente invisível do cuidador e a necessidade de cuidar de quem cuida. Por sua vez, Lídia Vale, voluntária no Hospital de São João, testemunhou o serviço de acolhimento e acompanhamento de doentes como expressão de proximidade, escuta e esperança.
No momento de diálogo, moderado por Américo Lisboa, foram partilhadas dificuldades concretas associadas ao cuidado, nomeadamente na gestão das relações familiares e no respeito pela dimensão espiritual em contexto hospitalar. No encerramento, Dom Roberto Mariz reforçou que a capacidade de acolher a dor do outro revela a verdadeira humanidade e sublinhou o papel da fé como suporte essencial para doentes e cuidadores, recordando ainda que a assistência espiritual em contexto hospitalar é um direito a garantir com respeito pela liberdade de cada pessoa.
O encontro terminou com um apelo à criação de redes locais de apoio, desafiando cada paróquia a organizar contactos de cuidadores disponíveis. Num gesto simbólico, os participantes entrelaçaram fitas numa rede, sinal de uma Igreja que se constrói no cuidado mútuo e onde ninguém fica de fora.
Após o momento em sala, seguiu-se a celebração eucarística, presidida por Dom Roberto Mariz, sendo os cânticos assegurados pelo Grupo Coral S. Francisco de Assis, da Paróquia de Valadares, que animou de forma significativa a vivência espiritual deste Dia Diocesano do Cuidador.