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Sínodo. D. Joaquim Dionísio: “desejamos que todos se sintam protagonistas”


Em entrevista ao jornal Voz Portucalense, D. Joaquim Dionísio, coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto, apela a uma participação ativa. “A palavra, o diálogo, a escuta, tudo isso são termos sinodais que nós queremos implementar”, diz o bispo auxiliar do Porto.

 

 

Num primeiro exercício de comunicação, após a publicação da Carta Pastoral que orienta o Sínodo Diocesano do Porto, D. Joaquim Dionísio revela o essencial do caminho percorrido até ao momento. Em entrevista ao jornal Voz Portucalense, o bispo auxiliar do Porto e coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto explica o lema da diocese para este processo sinodal, refere como decorreu a fase preparatória e salienta a importância do exercício da escuta.

 

P: Que caminho em conjunto propõe o Sínodo Diocesano do Porto com o lema “Ser Porto: formar, reformar, transformar”?

 

R: O lema foi escolhido depois de termos ouvido muitos protagonistas. E a verdade é que a formulação pretende ser já um programa. Ou seja, tentarmos crescer e evoluir, no sentido de, enquanto diocese, de acordo com aquilo que fomos ouvindo, promover uma maior formação de todos, quem somos, e sobretudo, também, olhando para aquele a quem queremos seguir: Jesus Cristo, a quem temos que conhecer melhor. E de maneira que o “formar” vai no sentido de, em conjunto, encontrarmos respostas para aumentar não apenas o que sabemos, e não é um saber apenas intelectual, mas o ser cristão e o ser capaz de dar respostas. Um pouco no seguimento daquilo que São Pedro dizia na sua carta: “Estai sempre prontos a dar razões da vossa esperança.” Então propomos isso.

 

Propomos também esse “reformar” no sentido de agilizar estruturas, ver quais são as melhores maneiras de estar no terreno, ocupar o território, atendendo à mobilidade das pessoas, mas depois olhar também para as nossas estruturas e ver o que podemos fazer para agilizar e estar com capacidade para.

 

E depois o “transformar” é a grande meta, porque é a conversão pastoral que desejamos. Portanto, aumentar esta consciência de que somos discípulos missionários, e capacitarmo-nos todos para darmos respostas àquilo que o mundo espera de nós.

 

P: Como decorreu a fase preparatória do Sínodo?

 

R: Não cometo nenhuma inconfidência se disser que D. Manuel Linda colheu a diocese de surpresa quando, no dia 20 de Setembro de 2025, em Fátima, anunciou a possibilidade de um sínodo. Depois durante alguns meses, decorreram aqueles encontros habituais com o Conselho Presbiteral, o Conselho Pastoral, o Conselho Episcopal, reuniões de vigários, reuniões de secretariados e, portanto, muitos que responderam individualmente. E o sentimento foi unânime. O Porto estava preparado. E desde 1710 que isso não acontecia. Portanto, há mais de 300 anos que não há um sínodo diocesano. De maneira que, após este anúncio e depois destes encontros, foi organizada uma comissão preparatória que começou a desenvolver algum trabalho e de maneira que esta preparação, esta divulgação está ainda a decorrer, embora haja já muito que esteja feito, como a oração, o hino, o Regulamento Geral, a Carta Pastoral… As pessoas tenham sido já convidadas para assumirem determinadas responsabilidades. Eu penso que esta fase de divulgação, preparação, motivação vai continuar, penso eu, até quase finais deste ano, porque vamos ter encontros vicariais de formação e de informação. Vamos sobretudo convidar as pessoas a rezarem por este evento de Graça que é o Sínodo. E de maneira que, para responder à questão, esta fase preparatória decorreu já de uma forma muito sinodal, colhendo opiniões, auscultando pessoas, convidando… De maneira que está a decorrer, e penso que bem.

 

P: Na carta pastoral proposta pelo bispo do Porto e seus auxiliares é afirmada a necessidade de exercitar uma escuta ativa do Espírito. Como vai ser a dinamização desse trabalho?

 

R: Depois desta fase dita mais de divulgação, de preparação, vamos entrar numa outra fase dita de auscultação. Ou seja, no primeiro semestre de 2027, as equipas sinodais, grupos sinodais, em todas as paróquias, secretariados, escolas, onde haja possibilidade de serem formadas, vão ser auscultadas de acordo com materiais, conteúdos, esquemas que vão ser divulgados, e de maneira que essa auscultação vai ser feita. E desta auscultação será depois possível elaborar aquilo que chamamos o instrumento de trabalho, que será apresentado em Dezembro de 2027. Depois, essa escuta do Espírito continuará sobretudo naquelas que nós prevemos serem as três sessões da Assembleia Sinodal que decorrerão nos primeiros quatro meses de 2028. Portanto, a palavra, o diálogo, a escuta, tudo isso são termos sinodais que nós queremos implementar. E, sobretudo, queremos que todo este esforço, este caminho, se transforme depois num processo, nesse novo estilo de ser Igreja que parte deste evento. Não partimos do nada. Há muito trabalho que já se fez, há muita participação que já acontece, há muito diálogo que continuamente se processa e, portanto, penso que só um pouco mais de esforço que é pedido a todos, tendo em conta aquilo que queremos. E, portanto, essa fase da escuta do espírito, que não termina, que vai continuar, mas está mais ou menos presente nestes dois passos. E depois, após a conclusão do Sínodo, a aprovação das propostas sinodais que se prevê para dia 4 de junho, dia de Pentecostes, de 2028, teremos depois a grande fase, o grande desafio que é sempre a receção. De maneira que em todo este caminho nós queremos escutar verdadeiramente o Espírito e queremos que todos participem nesta ação.

 

P: Quer deixar um apelo à participação?

 

R: Como membro diocesano, e como todos os diocesanos, nós esperamos e desejamos que todos se sintam protagonis as, sujeitos neste caminho. E, por isso, o grande convite é o acolher da iniciativa, e depois o disponibilizar-se na oração, mas também na participação nos grupos sinodais e, sobretudo, manifestando o interesse em acompanhar todo o processo. Porque aquilo que nós pedimos a quem vai ter a responsabilidade de assumir a comunicação é também o desta transparência, que tudo esteja ao alcance de todos. E, portanto, pedia esse acolhimento, essa participação ativa, e depois esse interesse, que não desvaneça e, sobretudo, que tudo desague numa conversão pessoal e comunitária, tendo a missão sempre como grande meta.