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Sínodo: relação, mudança, diálogo, governo colegial


A formação sinodal para o clero da diocese do Porto teve ainda como oradores João Paiva, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Tiago Freitas, sacerdote da arquidiocese de Braga.

 

No dia 29 de abril a formação sinodal dedicada ao clero completou-se com mais duas conferências: de manhã o orador foi João Paiva, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, desenvolveu o tema “Entre a conservação e a mudança: Desafios para a evangelização, hoje”; e da parte da tarde a formação foi proposta por Tiago Freitas, sacerdote da arquidiocese de Braga, sobre o tema “Território, Missão e Comunidade: Itinerários para uma nova reconfiguração pastoral”. Ambos prestaram declarações à Voz Portucalense.

 

Relação para a mudança

 

João Paiva sublinhou que a evangelização necessita da sinodalidade para “se refazer na cultura em que vivemos”. Considerou que “os desafios pastorais hoje são muito complexos” porque vividos numa tensão entre a mudança e o conservar. E nessa tensão talvez seja melhor privilegiar a vivência da relação em vez da identidade.

 

“Nesta tensão entre a mudança e o conservar, é capaz de ser melhor eleger, como cristãos, a relação em vez da identidade e, por isso, tratar mesmo de mudar, refrescando e tornando crísticos estes relacionamentos”, afirmou.

 

O orador disse que na sua apresentação aos sacerdotes tomou a liberdade de se colocar “na posição de pároco do Porto” tendo procurado lançar ideias sobre “doze problemáticas muito variadas”, desde os problemas económicos aos pastorais”. Um exercício que levou depois a uma partilha com os sacerdotes presentes.

 

“De forma muito divertida e muito leve, numa segunda parte, os senhores párocos deram eco às provocações que eu fiz e falámos mais aprofundadamente sobre muitos desses assuntos”, salientou o docente universitário.

 

“Eu próprio aprendi muita coisa e foi bastante gratificante”, afirmou o professor universitário.

 

Diálogo e governo colegial

 

Por sua vez, Tiago Freitas relembrou que na fase inicial do Sínodo sobre a sinodalidade, naquela que foi a fase da consulta nas dioceses, nas paróquias foi assinalada a necessidade da existência de espaços de colaboração ativa na comunidade.

 

“O que é que isso implica, no plano mais básico?”, perguntou o sacerdote avançando com uma possibilidade de resposta, considerando que o pároco ou presbítero deverá rever o seu próprio ministério, “por exemplo, na forma de governo”, em modo “mais colegial”.

 

“Portanto, tem que haver realmente uma delegação de responsabilidades”, afirmou o sacerdote bracarense.

 

O padre Tiago Freitas apontou ainda a relação entre as religiões como um caminho fundamental da sinodalidade, assinalando o fenómeno das migrações como aspeto essencial da vida das cidades que possibilitam a importância dessa relação.

 

Sustentou, em particular, a importância do diálogo ecuménico, apresentando dados do centro da cidade de Braga, onde já há quase o mesmo número de paróquias como de comunidades protestantes.

 

“Já são quase tantas comunidades protestantes quanto aquelas que são as católicas”, disse o padre Tiago Freitas.

 

E concluiu as suas declarações à Voz Portucalense acentuando a necessidade do trabalho em conjunto, em verdadeira lógica sinodal:

 

“Numa lógica sinodal, se nós temos duas expressões de fé, neste caso cristãs, e se queremos ter um trabalho conjunto, pelo menos numa plataforma de entendimento, que é o bem comum, dos nossos crentes e da nossa cidade, quer dizer que o diálogo, pelo menos ecuménico, deve ser uma forte aposta desta lógica sinodal”, declarou o sacerdote.

 

Presidiu a esta ação de formação o bispo auxiliar do Porto e reitor do Seminário Maior do Porto, D, Vitorino Soares. O padre Sérgio Leal, presidente da Comissão Sinodal e do Conselho Presbiteral do Porto esteve também na mesa da formação, em nome da organização desta iniciativa.