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Seminário: obras já começaram e bispo do Porto assinala a sua importância para a cidade e diocese


Com um valor previsto de 16 milhões de euros, tiveram início as obras de reabilitação do Seminário Maior do Porto. Será agora necessário promover o envolvimento das pessoas. “O importante é que a diocese esteja toda envolvida”, revelou o reitor do Seminário.

 

Um momento simbólico, mas carregado de significado, fez com que a quarta-feira 4 de março de 2026 ficasse para a história como a data de início oficial das obras no Seminário Maior do Porto. A assinatura do auto de consignação da obra de reabilitação é importante para a diocese, mas também para a cidade do Porto como salientou D. Manuel Linda, afirmando o significado especial deste momento.

 

Contribuir para dar vida ao centro histórico do Porto

 

“Sim, é para a Igreja, mas é também para a cidade. Nós temos os nossos alunos instalados, e bem instalados. Mas não queremos contribuir para a desertificação deste centro histórico. E, de resto, há aqui um valor simbólico. Desde que o Seminário da Sé foi, digamos, instalado nesta zona, e já lá vão muitos anos, ele nunca mais saiu daqui. Portanto, para nós, o regressar às suas origens é muito importante. Eu diria então que é para a Igreja enquanto tal, mas é também para a cidade, que tem este equipamento, e que contribui para dar vida a este centro histórico já por si tão, digamos, condenado a ter cada vez porventura menos habitantes”, disse o bispo do Porto.

 

Primeiros passos financeiros estão garantidos

 

O esforço financeiro orçamentado é de 16 milhões de euros, um valor para o qual a diocese tem já garantidos os primeiros passos, assinalou o bispo do Porto.

 

“Está assegurado os primeiros passos, e está assegurado algum crédito daquilo que precisamos. Portanto, a Diocese teve de se capitalizar ao longo de algum tempo. Desde que cá cheguei, já vão sete anos e meio, quase oito. Mas neste momento, graças a Deus, já temos um pé de meia, como diz o nosso povo, que não permite fazermos as obras na sua totalidade, mas já dão uma ajuda substancial”, afirmou D. Manuel Linda.

 

Envolver as pessoas e as comunidades

 

Por sua vez, D. Vitorino Soares, reitor do Seminário, declarou que o clero e as comunidades têm conhecimento do projeto de obra sendo necessário agora promover o envolvimento das pessoas.

 

“Sim, a ideia está divulgada. A Diocese tem conhecimento do projeto, as comunidades têm conhecimento do projeto, o clero tem conhecimento do projeto. É uma questão agora também nos dispormos a acreditar que isto é uma realidade, porque aquilo que parecia ainda não ser viável de ser concretizado, foi concretizado. E eu suponho que isto depois também anima e acaba por também promover a capacidade de envolvimento das pessoas. A ideia está lançada, as pessoas têm conhecimento. Agora esperemos também que possam participar, independentemente da sua capacidade. O importante é que a Diocese esteja toda envolvida, independentemente de facto daquilo que depois vai ser o contributo material que vai ser necessário, mas que de facto, toda a Diocese se convença que este é o seminário de todos. É o seminário da Diocese toda, das comunidades todas e de todos os homens e mulheres de boa vontade que também esperam que daqui possam sair padres, e padres que também possam ter o mínimo de qualidade naquilo que são as suas condições humanas, também, de sobrevivência”. assinalou o bispo auxiliar do Porto.

 

Unidade hoteleira dará sustentabilidade financeira

 

Junto ao Seminário vai nascer, incluída nesta obra, uma unidade hoteleira que, segundo D. Vitorino Soares, é uma ampliação do próprio Seminário para lhe dar sustentabilidade financeira.

 

“A questão do hotel, como ideia geral é uma ampliação do próprio seminário. E, portanto, é uma alternativa, se quisermos, um crescimento possível do seminário. Embora momentaneamente, a intenção é uma sustentabilidade financeira da própria casa. E, portanto, é essa a intenção. Mas não vai perturbar a vida da casa. Portanto, vai ter uma vida autónoma e onde quem vai usufruir da unidade hoteleira pode também saborear aquilo que é o ambiente de uma formação sacerdotal dentro do próprio seminário. Portanto, a intenção é essa, é rentabilizar para poder formar. E neste tipo de formação, oxalá que nós no futuro viéssemos a precisar da unidade hoteleira, porque o seminário não comportaria os candidatos que nós temos neste momento”, revelou o reitor do Seminário.

 

Soluções arrojadas ao nível da arquitetura e estabilidade

 

A obra foi entregue à empresa Ferreira – Construção SA, liderada por Joaquim Ferreira que declarou ser este um projeto desafiante, salientando que vão ser desenvolvidas soluções arrojadas ao nível da arquitetura e estabilidade.

 

“Para a Ferreira é muito importante este projeto. É um projeto desafiante. É um projeto que em termos de arquitetura, nos obriga a desenvolver aqui… A arquitetura e a estabilidade, obriga-nos a desenvolver aqui soluções arrojadas, mas é isso que a empresa gosta. Portanto, é um projeto que vai reabilitar aqui parte da cidade do Porto, também precisa. Com condicionantes desafiantes. Mas a equipa técnica que nós escolhemos para este desafio estará à altura de fazer o seu melhor. Conforme eu disse na altura aqui ao Sr. Bispo do Porto, faremos tudo para que corra bem, e certamente daqui a dois anos estaremos aqui a comemorar este momento de inauguração da obra”, disse Joaquim Ferreira.

 

Grande impulsionador de toda esta obra tem sido o ecónomo da diocese do Porto, que confessou ser este início um momento de felicidade. Sublinhou que cada diocesano, através de uma oferta, deve sentir que está a participar da obra. Recordou mesmo as construções que teve de fazer nos seus tempos de pároco.

 

Património destinado ao financiamento da obra

 

“Quando eu era pároco fiz construções dos meus centros sociais. Tínhamos algumas formas de financiamento. Mas uma das coisas que eu dizia é que a comunidade tem que participar daquelas obras. Tinha que participar naquelas obras. E eu penso que a Diocese também tem que o fazer. Cada paróquia, cada diocesano, a sua oferta vai marcar também: eu estou ali, a minha presença. E contamos com a Diocese desta forma. É evidente que isto não vai chegar, e nem estamos aqui com entusiasmos que vamos sobrecarregar às comunidades, porque também elas têm as suas obras e as suas coisas. Temos outros caminhos, temos património que está destinado para o financiamento desta obra. Temos também outro património para que vai… Trazer rentabilidade, para podermos executar a obra. E também estamos a contar com o banco, com os bancos, para nos ajudarem nesta obra. É evidente que os bancos não nos fazem ofertas, mas naquilo que é o percurso e o desenho financeiro de uma obra desta natureza e deste tamanho, pois temos que contar com a banca”, sublinhou o ecónomo da diocese do Porto.

 

O padre Samuel Guedes salientou que a diocese do Porto tem tido uma postura de permuta no que se refere ao património. O objetivo é rentabilizar para fazer face aos compromissos bancários.

 

“Não vai ser propriamente alienado. Nós temos tido uma postura com o nosso património de permuta e, portanto, alguma parte do património fará parte dessa permuta, não é? Mas nós estamos a prever mais rentabilidade desse património do que propriamente alienar de forma definitiva. E porque temos algumas… Aquilo que já estava previsto. Portanto, mesmo no decorrer do projeto houve património que já foi alienado. E estamos a falar de dois prédios em Lisboa. O dinheiro que temos é desse património, que vendemos já há uns anos a esta parte. Há depois também uma Quinta em Matosinhos que também está destinada para aí. Mas temos outro património que queremos rentabilizar porque, como disse, nós vamos ter a banca a ajudar-nos e, portanto, essa rentabilidade vai ser para suportar aquilo que são os nossos compromissos bancários”, declarou o padre Samuel Guedes.

 

O projeto de reabilitação do Seminário Maior do Porto tem a qualidade da assinatura do arquiteto Pedro Resende Leão que já foi responsável por várias outras intervenções em edifícios da diocese do Porto.

 

O prazo de execução previsto para esta obra do Seminário é de dois anos.