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Bispo do Porto: “o Sínodo está em marcha”


Em mensagem vídeo, D. Manuel Linda informa que “já está constituída uma Comissão Central” para o Sínodo Diocesano. Confirma que “todos os órgãos de participação foram consultados” e que este é um processo para se “levar a sério”. “O Sínodo não está esquecido” e “está a andar em bom ritmo”, afirma.

 

 

O bispo do Porto, D. Manuel Linda, através de mensagem vídeo confirma o andamento do Sínodo Diocesano. São estas as suas palavras na mensagem vídeo:

 

Sínodo em trabalho preparatório

 

Caras irmãs e caros irmãos da nossa Diocese do Porto. O Sínodo anunciado em Fátima na nossa grande Peregrinação Jubilar, e depois confirmado no Dia da Sagrada Família, está em andamento. E é com alegria que quero dizer isto ao povo de Deus. Já fizemos muito, muito trabalho, embora escondido. Todos os órgãos de participação foram consultados, todos os organismos deram o seu contributo e agora já está constituída a Comissão Central e um grupo mais alargado, do qual irá nascer, certamente, várias comissões setoriais.

 

A razão então desta minha comunicação é só dizer: o Sínodo não está esquecido. Está a andar em bom ritmo e estamos a cumprir aquilo que é inerente ao próprio Sínodo, que é o trabalho preparatório. Estamos nesta fase de preparação e, portanto, brevemente haverá notícias mais concretas sobre a forma de ele ser desenvolvido. Queria era dizer ao povo de Deus que não o esqueceu, e que é para levar a sério.

 

O Sínodo está em marcha. Nada o parará. Vamos meter-nos neste comboio que está em marcha acelerada? Todos daremos contributo para o Sínodo.

 

Recordemos que o anúncio oficial de um Sínodo Diocesano no Porto foi feito na conclusão do Jubileu de 2025 no domingo 28 de dezembro.

 

Síntese sinodal de 2022 como possível base de trabalho

 

Neste tempo de definição temática do Sínodo Diocesano do Porto é oportuno recordar a síntese sinodal de 2022 incluída no processo de consulta nas dioceses relativa à XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos. Recordamos aspetos negativos e positivos apontados na consulta.

 

Aspetos negativos

 

Considera-se que a Igreja se apresenta como um corpo fechado sobre si mesmo, mais reativo do que proactivo, muito tradicional, pouco aberto ao mundo, envelhecido esvaziado e apático, com muita dificuldade em se adaptar aos novos tempos, em declínio, com um número decrescente de fiéis, pouco transparente e pouco dado a dar contas na gestão e planeamento, tendencialmente conservador e crítico das novas dinâmicas sociais e culturais, incapaz de propagar uma mensagem clara no que respeita a temas fraturantes da sociedade, acentuando uma práxis com base em restrições e obrigações e onde as alterações ou atualizações que são definidas demoram muito tempo a serem implementadas.

 

Continua a ter uma atitude demasiado hierárquica, clerical, corporativa, pouco transparente e resistente à mudança, protegendo-se a si mesma antes de proteger a comunidade de fiéis, como aconteceu no caso dos escândalos de abusos sexuais na Igreja.

 

A Igreja revela pouca abertura para acolher as situações irregulares, que são geradoras de grande sofrimento para alguns grupos de pessoas. É uma Igreja pouco inclusiva e acolhedora, quer em termos espirituais, quer em termos humanos, marginalizando divorciados, recasados, pessoas em «união de facto» e pessoas com diferentes orientações sexuais, dando igualmente pouca atenção a pessoas com deficiência. Há falta de clareza quanto ao que é pecado e lamenta-se a condenação pública. Uma Igreja que não escuta, com dificuldade crescente em cativar os jovens.

 

Revela alguma soberba na atitude e na escuta, desvalorizando os anseios e as expectativas de leigos e leigas e dos jovens, relegando-os, demasiadas vezes, para o papel de recetores passivos. É uma Igreja na qual as mulheres ainda não são consideradas em igualdade com os homens. Revela-se, ainda, pouco aberta à alteração dos rituais e da linguagem litúrgica, isto é, com rituais e com uma linguagem pouco atual e entendível. A liturgia não incorpora as realidades humanas e os sacramentos não são experimentados como sinais de salvação, mas como ocasiões sociais. Não se compreende que se “paguem” os sacramentos.

 

A Igreja não assume práticas frequentes e efetivas de sinodalidade, de tomada de decisões de forma partilhada e discernimento comunitário. A participação dos leigos não é acolhida pela hierarquia, a não ser pontualmente e quase sempre a título de benevolência, quase nunca com reflexos práticos concretos, denotando a existência de poucos espaços de diálogo. É crescente a perceção da dificuldade de a Igreja ser verdadeiramente escutada para lá das suas fronteiras, mesmo que os problemas sociais sejam parte integrante da sua mensagem.

 

O ecumenismo e o diálogo com outras instâncias da sociedade continuam a ser insuficientes.

 

O clericalismo de padres, diáconos e leigos é um obstáculo à escuta e à mudança. Parte do clero não anuncia, não pratica o Evangelho e os valores de Cristo, procuram a ostentação e a riqueza e não seguem as orientações da Igreja. Muitos párocos não querem delegar serviços, por medo de perder o poder e o prestígio. A maioria dos sacerdotes está sobrecarregada com o serviço de muitas paróquias, tarefas administrativas e celebração de muitas missas. Não têm tempo para cuidar de si e dos seus paroquianos, para a sua formação contínua e para alimentar a sua própria espiritualidade. Sente-se falta de formação para clérigos e leigos, sobretudo os que prestam algum serviço. São necessários cada vez mais padres pastores e menos padres gestores ou administradores de estruturas da igreja, sendo cada vez mais necessário que essas estruturas sejam geridas por leigos responsáveis. Tudo isto contribui para exista um significativo distanciamento entre o clero e os leigos.

 

Aspetos positivos

 

A Igreja é vista como um espaço de encontro, de experiência pessoal, onde se sonha e partilha e se organiza a vida da comunidade. É lugar de reunião de uma família espiritual, sempre em construção e conversão. Espaço de acolhimento, de crescimento na fé, de escuta da Palavra de Deus partilhada em comunidade. Um lugar onde se presta um serviço aos mais marginalizados, doentes e pobres, onde existe um sentimento de pertença, de comunidade, onde se recebem valores e princípios. A diversidade de grupos na Igreja, dá espaço a cada um para colocar ao serviço dos outros os seus diferentes carismas.

 

É reconhecida a ação social desenvolvida por diferentes estruturas da Igreja, louvado o trabalho que a Igreja realiza em favor dos irmãos mais desfavorecidos e excluídos, muitas vezes escondido, uma vez que a Igreja não é perita em dar a conhecer o muito trabalho que desenvolve nesta área.

 

A ideia de Igreja mais marcante é a de um corpo que está em processo contínuo de mudança, de atualização. Constata-se que é crescente e significativo o número de fiéis que o são não por tradição, mas por convicção. Sublinha-se a liberdade experimentada numa fé de portas abertas, à qual se adere e que se vive livremente.

 

Vivenciam uma Igreja a caminho, cuja peregrinação reflete a fragilidade e os limites da condição humana, mas também é reveladora da ação do Espírito Santo. Com um longo caminho percorrido, experimentou nas últimas décadas alterações profundas ao nível estrutural e participativo, com especial realce para o papel e a vocação do leigo pela tomada de consciência de pertencermos a uma Igreja onde todos somos responsáveis e missionários.

 

A igreja continua a dar sentido à vida de muitos fiéis, que têm na sua fé o pilar para suportar as adversidades da sua vida, que reconhecem que esta tem um papel fundamental na transmissão de um conjunto de valores humanos que são essenciais à vida em comunidade. É substrato para o crescimento na fé, estruturante na transmissão de valores, abre-nos à solidariedade e à caridade e rasga horizontes para a promoção de um mundo mais justo. Num mundo no qual prevalece o individualismo, quem pertence à Igreja tem sempre um sítio ao qual pode voltar, um reduto de espiritualidade num mundo em que muitos recusam a transcendência. Ela é o alicerce.

 

Na Igreja há uma crescente abertura para ajudar e ouvir todos, independentemente da raça e religião. O cuidado com o próximo, o acolhimento aos outros, a valorização do conceito de Casa Comum, a riqueza presente na diversidade de modos de expressar a fé, o serviço como estilo de vida e a partilha são marcas referenciais do ser Igreja de Jesus Cristo.

 

De sublinhar, neste ser Igreja, o papel das comunidades de vida religiosa e congregações, que constituem espaços privilegiados de escuta da Palavra de Deus, de vivência da liturgia, de oração, de partilha fraterna, de serviço, de diálogo, de aprendizagem de lideranças partilhadas na inserção nos diversos grupos paroquiais.

 

Importa realçar que um número significativo de pessoas se mostrou bastante agradada com a abertura que a Igreja demonstrou com este Sínodo, com esta consulta ao Povo de Deus, com o “querer escutar”. As pessoas sentiram-se ouvidas pela Igreja o que foi tido como um dos pontos mais positivos deste “caminhar juntos”.