“Sem nos darmos conta, também nós podemos contribuir para a dilaceração do mundo e para a ruina do povo de Deus”, alertou D. Manuel Linda.
Na Missa da Ceia do Senhor com Rito do Lava-Pés, no dia 2 de abril, D. Manuel Linda deu início ao Tríduo Pascal na catedral do Porto, presidindo à celebração que recorda a instituição da Eucaristia, nas palavras de Jesus na ceia com os seus apóstolos: “Fazei isto em memória de mim”.
Na sua homilia, D. Manuel Linda assinalou a importância de purificar relações dentro da própria Igreja, para que não reine a mentalidade da inveja e da intriga.
“Temos de começar por purificar relações dentro da própria Igreja, da comunidade dos crentes. Não estamos isentos de pecado. Entre nós, também pode reinar a mentalidade do mundo: divisão, competição, inveja, cálculo, pretensão, intriga e disputa de interesses. Sem nos darmos conta, também nós podemos contribuir para a dilaceração do mundo e para a ruina do povo de Deus”, afirmou.
Para o bispo do Porto, “quem se alimenta de Cristo” não deve pactuar “com o pecado que divide”, mas sim, “com o amor que une”. É Cristo quem nos convida a ser “expressão do serviço fraterno” como bem recorda o gesto do lava-pés na liturgia da Missa da Ceia do Senhor, lembrou o bispo do Porto.
Em especial, D. Manuel Linda sublinhou o valor da unidade, pois “quando os cristãos a edificam” é possível uma “humanidade-família” que viva em fraternidade.
“Sabemos bem quanto o mundo precisa de unidade. Quando os cristãos a edificam e a mostram, transmitem a esse mundo a notícia alegre de que os conflitos, divisões e injustiças não são uma fatalidade, mas é possível uma humanidade-família, uma sociedade edificada à maneira da Igreja, Corpo Místico de Cristo, e uma fraternidade regida pelos vínculos da alegria, da colaboração, da simpatia e da atração pelo bem”, declarou.
O bispo do Porto, assinalou a importância de fazer do Sínodo diocesano e da sinodalidade um convite a reconhecer a presença do Ressuscitado nas relações fraternas.
“Como é fácil de ver, ao referir isto, tenho em mente o Sínodo diocesano que já está em processo. Se a união com Deus e da humanidade entre si é o grande objetivo da nossa fé, a sinodalidade convida-nos a reconhecer a presença do Ressuscitado nas relações fraternas, muitas vezes marcadas pela cruz e pela fragilidade humana”, apontou.
“Unamo-nos a Jesus por intermédio deste a que chamamos o Santíssimo Sacramento. E quando, daqui a um mês, celebrarmos o Corpo de Deus, venhamos para a rua dizer a todos que só a comunhão ou comum união no seu Corpo e no seu Sangue pode renovar a Igreja, fazer deste um mundo novo e elevar a nossa materialidade até à glória da pura espiritualidade”, disse D. Manuel Linda no final da sua homilia.
Depois da homilia, D. Manuel Linda, imitando Jesus, lavou os pés a 12 jovens.
Concelebraram a Missa da Ceia do Senhor, numa catedral cheia de fiéis, os bispos auxiliares D. Vitorino Soares, D. Joaquim Dionísio e D. Roberto Mariz e ainda o bispo emérito de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis.