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Cinzas. Bispo do Porto: na Quaresma “o objetivo é sempre o reencontro com Deus”


“Nesta linha, está em marcha o nosso Sínodo Diocesano”, declarou D. Manuel Linda na Quarta-Feira de Cinzas sublinhando que “somos chamados a novas relações no interior da Igreja e a um novo ardor na missão de a todos aproximarmos de Cristo. Uma Igreja não clerical, mas na qual todo o santo povo de Deus assuma a responsabilidade inerente ao seu Batismo e Confirmação”.

 

Na Missa de Quarta-Feira de Cinzas, o bispo do Porto afirmou que, especialmente, neste tempo litúrgico da Quaresma “o objetivo é sempre o reencontro com Deus”. Ele procura-nos no lugar onde gosta de estar a sós connosco: no nosso íntimo”, referiu D. Manuel Linda na sua homilia.

 

Na Eucaristia na Catedral do Porto, recordou alguns meios que a Igreja propõe para este “tempo de conversão”: a leitura orante da Palavra de Deus; o recurso ao Sacramento da Penitência/Confissão; a abstinência e o jejum; a solidariedade para com os irmãos, expressa na renúncia quaresmal e no contributo penitencial; algum compromisso em ordem ao silêncio interior, como, por exemplo, o uso regrado das redes sociais e da internet em geral; a instauração de novas relações pacíficas e pacificadoras”.

 

Para D. Manuel Linda, “se a conversão diz respeito a cada um de nós, não deixa de possuir implicações sociais e eclesiais”.

 

“Socialmente, somos chamados a humanizar uma sociedade que corre riscos de frieza de relações e de desconhecer aqueles grandes valores que sempre deram sentido à existência coletiva”, sublinhou D. Manuel Linda salientando que também na Igreja “a palavra de ordem é renovação”.

 

“A nível da Igreja que todos constituímos, também a palavra de ordem é renovação, fidelidade ao Evangelho, correspondência ao que o Senhor Jesus sonhou para ela”, disse D. Manuel Linda.

 

E declarou: “Nesta linha, está em marcha o nosso Sínodo Diocesano”.

 

O bispo do Porto referiu que o Sínodo Diocesano está em “fase preparatória” e apelou que, neste âmbito, todos façam “um duplo processo de conversão”: “na nossa individualidade, uma forte convivialidade com o nosso Deus; como Igreja, a tarefa de deixarmos hábitos, estruturas e aspirações que já não se enquadram nas expectativas deste tempo”.

 

Pediu que “sejamos doceis à voz do Espírito que nos interpela ao discernimento e à inauguração de novas formas de participação”.

 

Segundo D. Manuel Linda, “somos chamados a novas relações no interior da Igreja e a um novo ardor na missão de a todos aproximarmos de Cristo. Uma Igreja não clerical, mas na qual todo o santo povo de Deus assuma a responsabilidade inerente ao seu Batismo e Confirmação”.

 

Considera que “clero e leigos são chamados a um trabalho conjunto, sinodal, num caminho irreversível de escuta, diálogo e acolhimento, em ordem a uma Igreja mais aberta e participativa. O clero tem de ser menos clerical e os leigos mais eclesiais”, afirmou.

 

O bispo do Porto informou que durante “esta Quaresma coincidirá, também, com a fase de arranque efetivo das obras de renovação do nosso Seminário de Nossa Senhora da Conceição”.

 

“Conto com a ajuda efetiva de toda a Diocese, para este empreendimento que é caríssimo, atendendo ao local onde o Seminário está implantado e às consequentes condições técnicas difíceis”, apelou D. Manuel Linda no final da sua homilia.