No passado dia 11 de fevereiro de 2026, reuniu-se, no Seminário do Bom Pastor, a quinta sessão do Conselho Presbiteral da Diocese do Porto (2024-2027). A sessão decorreu sob a presidência de Sua Ex.ª Rev.ma D. Manuel da Silva Rodrigues Linda e contou com a presença de 27 membros.
Vigilância: centrar-se no essencial
A reunião teve início com a oração da Hora Intermédia – Tércia. A partir da leitura breve, D. Manuel sublinhou a importância da “vigilância”, termo profundamente bíblico, que implica centrar-se no essencial e deixar de lado o que é periférico. Vigiar — recordou o Bispo do Porto — é sintonizar a vida com uma direção concreta: a direção de Deus e dos irmãos. Uma atitude que não pode ficar apenas na intenção, mas que deve traduzir- se na realidade quotidiana do ministério pastoral.
Sinodalidade e corresponsabilidade
No período “Antes da Ordem do Dia”, D. Manuel destacou o significado desta assembleia em tempo de sinodalidade. Recordou que o conselho é um dom do Espírito Santo e que o verdadeiro aconselhar não nasce da emoção, mas da moção interior do Espírito. Invocando Nossa Senhora, Mãe do Bom Conselho, manifestou o desejo de acolher um discernimento que brote do coração e da escuta de Deus.
Entre os pontos abordados, destacou-se a questão da implementação dos Conselhos Pastorais Paroquiais ou Interparoquiais. Tendo presente o cânone 536 do Código de Direito Canónico, e após reflexão partilhada, foi colocada à votação a obrigatoriedade destes Conselhos na Diocese. A proposta foi aprovada por unanimidade.
O Sr. Bispo apelou à colaboração de todos, sobretudo junto dos sacerdotes que possam sentir maior dificuldade na concretização deste órgão, sublinhando que os Conselhos Pastorais são expressão concreta da corresponsabilidade eclesial e da caminhada sinodal.
Renúncia quaresmal: solidariedade além-fronteiras
Foi ainda abordado o destino de parte da verba da renúncia quaresmal. Entre as hipóteses sugeridas, referiram-se uma obra dos Passionistas em Angola e uma iniciativa Vicentina na periferia de Maputo, designada “Renascer para a Esperança”. Houve também quem sugerisse o apoio a realidades nacionais, nomeadamente através da Cáritas. D. Manuel recordou que a Diocese já tem prestado auxílio, de modo discreto, reafirmando que a caridade não necessita de publicidade para ser autêntica.
Sínodo Diocesano: temas e prioridades
Grande parte da sessão foi dedicada ao trabalho de grupo em torno de duas questões centrais: os possíveis temas para o futuro Sínodo Diocesano e os princípios orientadores para o Estatuto Económico do Clero.
No que respeita ao Sínodo, emergiram várias convergências: Reorganização eclesial do território, tendo em conta a mobilidade social e cultural; Formação de discípulos e renovação dos processos de iniciação à fé; Reforço da comunicação e do diálogo com o mundo contemporâneo; Promoção de uma Igreja mais ministerial e corresponsável; Fortalecimento da comunhão presbiteral e da pastoral vocacional.
Os diferentes grupos apresentaram propostas de temas e lemas que, embora distintos na formulação, revelaram sintonia na preocupação com a identidade, a missão e a reorganização pastoral da Diocese.
Estatuto Económico do Clero: um passo necessário
O segundo grande tema da reflexão incidiu sobre o Estatuto Económico do Clero, em continuidade com o trabalho já realizado sobre o Estatuto Económico da Paróquia e da Diocese.
Entre as propostas apresentadas, destacou-se: A definição de uma remuneração condigna, situada em torno do salário médio nacional; O princípio de uma remuneração única, proporcional aos serviços pastorais prestados; A criação de um Fundo Diocesano de Sustentação do Clero, destinado a garantir um valor mínimo a todos os sacerdotes, apoiar comunidades em dificuldade e acompanhar padres em fim de ministério ou em situação de fragilidade.
Vários grupos sublinharam a necessidade de transparência, justiça e corresponsabilidade, bem como a importância de envolver paróquias, sacerdotes e Diocese na construção de um modelo sustentável e solidário.
D. Manuel reconheceu tratar-se de um tema antigo e complexo, enfrentado já pelos seus antecessores, mas manifestou confiança de que é possível dar passos concretos, começando pela constituição do Fundo Diocesano.
Sinais de esperança: obras no Seminário Maior
No encerramento da sessão, o Sr. Bispo partilhou uma notícia significativa: no dia 18 de fevereiro terá início a montagem do estaleiro das obras do Seminário Maior do Porto; a 4 de março será assinada a ata de consignação, e a 19 de março, solenidade de São José, será já visível a primeira grua. Este avanço materializa o compromisso da Diocese com a formação dos futuros sacerdotes e foi apresentado como sinal concreto de esperança e de investimento no futuro.
A sessão terminou com um apelo à renovação do empenho em favor do Seminário e ao reforço da consciência de comunhão, para que também os bens adquiridos no exercício do ministério, quando deixem de ser necessários, possam continuar ao serviço da Diocese.
Num clima de responsabilidade, franqueza e boa disposição, o Conselho Presbiteral voltou a afirmar-se como espaço privilegiado de escuta, discernimento e construção comum ao serviço da missão da Igreja no Porto.