A Procissão do Corpo de Deus, para D. Manuel Linda, “é expressão de sinodalidade” que se concretiza “quando a comunidade sai dos muros da Igreja para ir ao encontro das necessidades dos mais vulneráveis”. Para promover a proximidade aos “desprezados”, “frágeis” e “desprotegidos”. E impedir os “individualismos e indiferenças”.
Na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo decorreu a tradicional Procissão do Corpo de Deus na cidade do Porto. Numa organização do Cabido Portucalense, largas centenas de pessoas acompanharam o bispo do Porto nesta Procissão, na quinta-feira 4 de junho.
A partir da varanda do Paço Episcopal, D. Manuel Linda no final da Procissão, disse que aquele era um momento de anúncio público de que Deus caminha com as pessoas.
Caminhar ao lado das pessoas
“Levar a Eucaristia pelas ruas da nossa cidade do Porto, não é, portanto, um rito folclórico, mas um anúncio público de que Deus caminha ao lado das pessoas, nas suas alegrias e lutas da vida diária”, disse D. Manuel Linda.
Para o bispo do Porto, a Procissão do Corpo de Deus é um ato de “serviço de caridade social” para promover a proximidade aos “desprezados”, “frágeis” e “desprotegidos”. E impedir os “individualismos e indiferenças”.
“Fazemos a procissão como serviço de caridade social: somos impelidos a tornarmo-nos ‘próximos’ de todos, especialmente dos que sofrem, dos velhinhos desamparados, dos não produtivos desprezados, dos frágeis desprotegidos, dos jovens abandonados à sua sorte, de tanta gente explorada e espezinhada. E impede-nos de nos alimentarmos de individualismos e indiferenças, de ódios e divisões, de vinganças e maledicências, de materialismos e ganâncias”, afirmou.
A Procissão, para D. Manuel Linda, “é expressão de sinodalidade” que se concretiza “quando a comunidade sai dos muros da Igreja para ir ao encontro das necessidades dos mais vulneráveis”
“A Eucaristia é o pão dos peregrinos, porque não nos afasta do mundo, mas a ele nos envia como operadores, para o transformar. É expressão da sinodalidade, tema muito atual para nós, pois nos encontramos em pleno Sínodo Diocesano. Ora, a sinodalidade concretiza-se quando a comunidade sai dos muros da Igreja para ir ao encontro das necessidades dos mais vulneráveis. A Igreja não é uma fortaleza estática, mas um povo em peregrinação. Um povo que não deixa ninguém para trás: tal como na procissão, o nosso objetivo é caminharmos ao mesmo ritmo, numa escuta mútua e especial atenção aos mais humildes e frágeis”, sublinhou D. Manuel Linda.
Para proteger a dignidade do ser humano
O bispo do Porto lembrou a Encíclica do Papa Leão XIV na qual o Santo Padre convida a “Magnifica Humanidade” a “defender a beleza e a sacralidade da nossa espécie, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz”, referiu D. Manuel Linda.
Alertou para o risco “de uma sociedade cada vez mais virtual”. “Na era do digital, do metaverso e dos ecrãs, corremos o risco de reduzir o ser humano a um espirito desencarnado ou a um fluxo de dados e algoritmos”, apontou.
“Diante do Senhor presente na hóstia consagrada, contemplamos a dignidade absoluta de cada ser humano que temos o dever de proteger”, disse o bispo do Porto na conclusão das suas palavras no final da Procissão do Corpo de Deus, a todos agradecendo a presença, em particular, às autoridades e a tantos organismos sociais.
A Procissão, tendo em conta as obras que decorrem na cidade do Porto, percorreu as vias mais próximas da Catedral do Porto. Quando saiu da Catedral do Porto passou pela Calçada de Vandoma, Rua de Saraiva de Carvalho, Rua de Augusto Rosa, Rua de Entreparedes, Rua do Campinho, Rua de Santo André, Rua de Santo Ildefonso, Praça da Batalha, tendo regressado à Catedral percorrendo de novo a Rua de Augusto Rosa, a Rua de Saraiva de Carvalho e a Calçada de Vandoma.
Em comunhão e corresponsabilidade
Na Missa na manhã da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na catedral do Porto, D. Manuel Linda lembrou que naquele dia “festejamos o Sacramento dos Sacramentos, instituído pelo Senhor no dia de quinta feira Santa, dádiva perene do seu amor, tornado visível no dom ou oferta da sua vida humana na cruz”.
“Mas celebramos, igualmente, o mesmo Cristo que se torna pão partido para que a humanidade possa alimentar-se deste novo e definitivo maná”, declarou.
Na sua homilia, o bispo do Porto lembrou o Sínodo Diocesano e apelou à comunhão alertando para a divisão no seio da comunidade. “Participar na Eucaristia significa, pois, aderir a Cristo e, consequentemente, aos nossos irmãos e irmãs. Não se pode estar em comunhão com o altar e, ao mesmo tempo, estar dividido no seio da comunidade”, assinalou.
Apelou para a corresponsabilidade assinalando-a como uma marca da sinodalidade. “Tal como todos os batizados formam um só corpo místico, todos os membros da Igreja são chamados ao empenho na missão, valorizando os seus diferentes carismas e ministérios, sem clericalismo”, afirmou.
“Na Eucaristia e na sinodalidade não há espectadores, mas todos os batizados devem oferecer a sua vida e os seus dons para o bem comum, superando a lógica da delegação passiva”, disse D. Manuel Linda na conclusão da sua homilia.