O Auditório de Vilar acolheu, na manhã de sábado, 6 de junho, a conferência “Magnifica Humanitas – Num mundo cada vez mais automatizado, frio e digital, permanecer humanos”, uma iniciativa promovida pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Social (SDPS) do Porto.
Inspirado na recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, o encontro reuniu participantes de diferentes áreas para refletir sobre os desafios éticos, sociais e humanos colocados pela crescente presença da inteligência artificial (IA) e das novas tecnologias no quotidiano.
A sessão contou com as intervenções de D. Roberto Mariz, Bispo Auxiliar do Porto, e do Professor Doutor Manuel Fontaine, da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, que abordaram o tema a partir das perspetivas da Doutrina Social da Igreja e da defesa dos direitos humanos.
Ao longo da manhã, os participantes foram convidados a refletir sobre questões fundamentais como a proteção da dignidade humana, a defesa dos direitos fundamentais, o impacto da IA na sociedade e a necessidade de garantir que o desenvolvimento tecnológico permanece orientado para o bem comum.
Na abertura da conferência foi recordado que a tecnologia está já profundamente presente na vida das pessoas, influenciando a forma como comunicam, trabalham, aprendem e se relacionam. Neste contexto, a encíclica Magnifica Humanitas surge como um convite à reflexão sobre aquilo que significa permanecer humano num tempo marcado pela automação e pela digitalização crescente da sociedade.
D. Roberto Mariz destacou a importância de a Igreja acompanhar estas transformações, procurando discernir de que forma a inovação tecnológica pode servir verdadeiramente a pessoa humana. Por sua vez, o Professor Manuel Fontaine sublinhou os desafios que a IA coloca ao Direito, particularmente na proteção da dignidade humana, dos direitos fundamentais e da responsabilidade social.
O encontro decorreu num ambiente de grande participação e interesse, proporcionando um espaço de diálogo, escuta e partilha de ideias sobre uma temática particularmente atual.
Na conclusão dos trabalhos foi reafirmada uma das mensagens centrais da encíclica: o verdadeiro desafio não consiste apenas em acompanhar a evolução tecnológica, mas em garantir que esta permanece sempre ao serviço da pessoa humana, da sua dignidade e do bem comum.
A iniciativa integra o compromisso do Secretariado Diocesano da Pastoral Social em promover espaços de reflexão sobre os desafios contemporâneos à luz da Doutrina Social da Igreja, contribuindo para uma sociedade mais humana, solidária e atenta à centralidade da pessoa.