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Festas da Beata Maria Droste e do Sagrado Coração de Jesus


No final do século XIX, num tempo em que a Igreja enfrentava perseguições e incertezas, uma jovem religiosa alemã, de origem aristocrática, tomou uma decisão que marcaria para sempre a história espiritual do Porto. A Irmã Maria do Divino Coração Droste zu Vischering deixou a sua pátria e viajou até Portugal para assumir a missão delicada de restaurar uma Casa do Bom Pastor em grave dificuldade. Chegou no mês dedicado a Maria, Mãe de Deus, e o seu primeiro gesto, simples e profundamente simbólico, foi entronizar a imagem do Sagrado Coração de Jesus na capela. A partir desse momento, dedicou-se a reacender a fé num povo marcado pela pobreza e pela descrença, instituindo as Primeiras Sextas‑Feiras como dias de festa e devoção. A sua vida tornou-se um testemunho vivo da missão que a guiava: fazer resplandecer a amabilidade de Jesus nos corações dos outros.

 

Entre os dias 5 e 12 de junho, a Capela do Sagrado Coração de Jesus, em Paranhos — onde a Beata viveu e morreu — e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Ermesinde — onde repousam os seus restos mortais — acolheram um conjunto de celebrações que uniram fé, memória e gratidão. Foram dias intensos, marcados por oração, encontro e profunda espiritualidade.

 

O Tríduo da Beata Maria do Divino Coração, celebrado na Capela de Paranhos, abriu este ciclo festivo. No dia 5 de junho, Primeira Sexta‑Feira do mês, a Eucaristia inaugurou o tríduo, evocando o zelo da própria Irmã Maria. No dia seguinte, a comunidade reuniu-se novamente para a Eucaristia, seguida de um momento de convívio e de um criativo Jogo da Glória, que permitiu revisitar a vida da Beata de forma lúdica e envolvente. O tríduo concluiu-se a 7 de junho, com a adoração ao Santíssimo Sacramento, acompanhada por cânticos de alegria e louvor.

 

A festa da Beata Maria do Divino Coração, celebrada a 8 de junho na Capela do Sagrado Coração de Jesus, em Paranhos, e na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Ermesinde, destacou a atualidade da sua mensagem. Sublinhou-se o seu testemunho profético, a força transformadora do amor e a necessidade de comunidades que irradiem misericórdia, acolhimento e esperança. Recordou-se também o apelo à reparação e à consolação, tão presentes na espiritualidade do Sagrado Coração, como resposta aos desafios pastorais do nosso tempo: a indiferença, a solidão, a pobreza espiritual e a fragilidade das relações humanas. As celebrações reuniram numerosos fiéis, que encontraram na vida da Beata um convite renovado à confiança e ao amor reparador.

 

Seguiu-se o Tríduo do Sagrado Coração de Jesus, celebrado nos dias 9, 10 e 11 de junho, na Igreja das Irmãs do Bom Pastor, em Ermesinde. Três dias de oração e Eucaristia prepararam a comunidade para a grande solenidade.

 

O ciclo culminou a 12 de junho, com a Festa do Sagrado Coração de Jesus, numa Eucaristia solene presidida por D. Manuel Linda, Bispo do Porto, acompanhado por D. Joaquim Dionísio, sacerdotes e diáconos. Foi a celebração do Amor Infinito e Misericordioso, diante do Coração que continua a chamar, a curar e a enviar.

 

A vivência destes dias recorda que a espiritualidade do Coração de Jesus permanece atual e necessária. A missão da Beata Maria continua a inspirar a Igreja a tornar visível a amabilidade de Cristo, a cultivar a reparação e a esperança, e a formar corações capazes de amar num mundo que tanto precisa de luz.