Representantes de 66 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e outras instituições sociais da Diocese do Porto participaram num encontro que reuniu 137 participantes, entre dirigentes, técnicos e vários párocos. A iniciativa constituiu um momento de formação, partilha e reflexão sobre os desafios atuais da ação social da Igreja.
A sessão teve início com a abertura de D. Manuel Linda, bispo do Porto, que abordou os desafios da gestão das instituições sociais ligadas às paróquias e apontou caminhos de reorganização para o futuro. Referindo-se aos centros sociais paroquiais, afirmou:
“Temos que dar passos acelerados para encontrar a forma de avançar para direções unificadas com um diretor contratado para libertar o sacerdote desta função.”
A observação sublinha a necessidade de modelos de gestão mais profissionalizados, capazes de garantir sustentabilidade e qualidade, permitindo ao mesmo tempo que os sacerdotes se concentrem mais plenamente na sua missão pastoral.
A primeira intervenção temática coube a D. Roberto Mariz, que destacou a centralidade da caridade na ação social da Igreja. Recordando que é através dela que os cristãos podem reconhecer que “estamos do lado certo da história”, sublinhou a dimensão evangélica do cuidado com o outro, apoiando-se na fundamentação bíblica da caridade e evocando também os pontos 13 e 14 da Exortação Apostólica DILEXI TE.
Ao abordar a gestão das instituições, deixou uma advertência clara aos responsáveis presentes: “A boa intenção não substitui a boa gestão.” Para D. Roberto, o compromisso cristão exige não apenas generosidade, mas também competência, organização e responsabilidade na administração das obras sociais. Nesse sentido, destacou a importância de garantir qualidade em várias dimensões da vida das instituições: no serviço prestado às pessoas, nas relações humanas dentro das equipas, nas condições do edificado e na preparação dos membros dos órgãos sociais.
D. Roberto sublinhou ainda a necessidade de pensar numa estratégia global a nível diocesano, sem perder de vista a capacidade das comunidades locais para discernir e decidir as melhores formas de gestão das suas instituições. Recordou também que as instituições sociais da Igreja possuem uma identidade própria e uma missão específica, afirmando que “as IPSS canónicas não são meras obras de caridade improvisada”, mas verdadeiros espaços de missão onde se articulam serviço, gestão responsável e valores cristãos.
Seguiu-se a intervenção da Dra. Maria José Miranda, da UDIPSS, que apresentou a plataforma da UDIPSS, um instrumento digital que reúne toda a legislação aplicável às IPSS, bem como um conjunto alargado de documentos de apoio à gestão. Entre os recursos disponibilizados encontram-se minutas, pareceres e documentação técnica pensados para apoiar o trabalho diário das instituições. Durante a sua apresentação, sublinhou a importância desta ferramenta para dirigentes e técnicos, recordando que a complexidade crescente da gestão exige acesso fácil a informação atualizada e fiável.
Dirigindo-se aos responsáveis presentes, deixou uma mensagem que foi muito bem acolhida pela plateia: “Vocês não estão sozinhos!”, destacando a importância da partilha de recursos e do apoio entre instituições.
Na sua intervenção, a Dra. Sílvia Machado retomou alguns dos pontos anteriormente abordados por D. Roberto Mariz, realçando a pertinência das suas palavras sobre os desafios concretos da gestão das IPSS. Sublinhou que o bispo demonstrou um conhecimento próximo das realidades vividas nas instituições, referindo inclusive exemplos concretos de práticas e situações que não devem marcar a gestão destas organizações. Para a responsável, esta proximidade mostra a importância de um acompanhamento atento e de uma reflexão contínua sobre os modelos de gestão adotados.
O Dr. Paulo Correia apresentou, numa perspetiva prática, a experiência de adoção e implementação de instrumentos de gestão na ODPS. A sua intervenção centrou-se nos passos concretos dados pela organização para estruturar e melhorar os processos de gestão, demonstrando como ferramentas adequadas podem apoiar a tomada de decisão e reforçar a qualidade do trabalho desenvolvido. Através de exemplos práticos, destacou a importância de planear, monitorizar e avaliar a atividade das instituições, sublinhando que os instrumentos de gestão são fundamentais para garantir maior eficiência, transparência e sustentabilidade nas respostas sociais.
Formação e missão das IPSS
Ao longo do encontro foi igualmente destacada a importância da formação contínua de dirigentes e colaboradores, considerada essencial para assegurar uma gestão cada vez mais qualificada e capaz de responder às necessidades sociais atuais.
A iniciativa foi amplamente valorizada pelos participantes como um momento de reforço da missão social da Igreja na Diocese do Porto, promovendo a reflexão conjunta e o apoio mútuo entre instituições que diariamente trabalham ao serviço das pessoas mais vulneráveis.
O encontro terminou com uma intervenção de encerramento do Padre Rubens Marques, que sublinhou a importância da cooperação entre instituições e da fidelidade à missão social da Igreja.