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“Já me sinto algarvio”, D. Vitorino Soares é o novo bispo do Algarve


 

Em mensagem vídeo o bispo auxiliar do Porto recorda a diocese onde cresceu, mas dirige já todas as suas energias para o Algarve. “A diocese do Algarve sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos”, afirma.

 

O bispo auxiliar do Porto, D. Vitorino Soares, reitor do Seminário Maior do Porto, foi nomeado bispo do Algarve pelo Papa Leão XIV, nesta terça-feira dia 14 de julho. Em mensagem vídeo D. Vitorino Soares dirige-se aos diocesanos do Algarve, saúda o bispo emérito D. Manuel Quintas e todas as estruturas da diocese.

 

“A diocese do Algarve sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos”, diz D. Vitorino Soares na mensagem que publicamos na íntegra.

 

Algarve: “Ajudai-me a ser um dos vossos”

 

Neste 14 de julho, recordo a minha ordenação sacerdotal, o Bispo que me ordenou, D. Júlio Tavares Rebimbas, que foi daqui do Algarve para o Porto, todos os que me acompanharam, particularmente os meus pais e o meu irmão sacerdote, que hoje só podem presenciar espiritualmente este dom da minha nomeação para esta nossa diocese do Algarve.

 

Invoco de Deus uma chuva abundante de Bênçãos para todos os que aqui nasceram, aqui residem e os que adotaram o Algarve como pertença. Convosco, sem vos conhecer também já me sinto algarvio, ajudai-me a ser um dos vossos.

 

Agradeço a confiança do Santo Padre, o Papa Leão XIV, para mais uma missão em serviço da igreja e de todos a quem terei a oportunidade de acompanhar e ser acompanhado. Aos que me antecederam, D. Manuel Quintas, todas as estruturas, todas as entidades que trabalham para o bem comum, todo o povo de Deus, os que se destacam com mais projeção, os que ocupam lugares mais escondidos, os mais próximos e os mais distantes, obrigado pelo percurso que fizestes e do qual também quero participar, sacerdotes, diáconos, religiosos/as, seminaristas, leigos, os mais esquecidos, doentes, idosos e isolados, jovens, crianças, comunicação social, outras confissões religiosas. A todos agradeço o testemunho discreto, mas fecundo, de uma fé vivida na família, nas paróquias, nas escolas, nas instituições de solidariedade e em tantos lugares onde a caridade se torna visível.

 

A diocese do Algarve sempre se destacou pela pluralidade e pela comunhão. Manifesto a minha alegria em partilhar e gastar a vida convosco a partir de hoje, nos cansaços e nas energias, nos fracassos e nos sucessos, nos sonhos e nos projetos.

 

Como aconteceu com Jesus Cristo, que nunca se sentou à secretária para escrever o guião da sua vida, vamos todos escutar o Pai e descobrir em conjunto, com a ação do Espírito Santo, a sua vontade a respeito da diocese do Algarve, da sua igreja e de muitos que não estando rotulados com esta linguagem, também levam por diante o mesmo programa “ser felizes e lutar pela felicidade dos outros”, a partir de uma humanidade saudável, que promove vínculos e laços que nos fazem sentir em família, onde nos sentimos amados, perdoados e irmãos em permanente crescimento.

 

“Vim de longe, de muito longe, o que eu andei para aqui chegar. Eu vou para longe, muito longe, onde nos vamos encontrar, com o que temos para nos dar” (José Mário Branco, 1982).

 

Rezai por mim para que possa corresponder ao desafio e à missão que a Igreja me pede. Conto convosco, com todos. Contai comigo, com a minha fragilidade, a minha paixão e oração.

 

Caminhemos juntos, unidos ao sucessor de Pedro e em comunhão com toda a Igreja, para que Cristo seja cada vez mais conhecido, amado e anunciado. Rezai por mim, eu rezo por vós.

 

 

Porto: “onde cresci, onde fui sacerdote, onde fui bispo”

 

Na sua mensagem vídeo D. Vitorino saúda a diocese do Porto lembrando o seu percurso de crescimento que o levou a ser sacerdote e bispo e também reitor do Seminário. Assinala as obras de reabilitação que já estão a decorrer, com uma palavra de confiança para as equipas formadoras e seminaristas. Formula também uma palavra de esperança para o Sínodo Diocesano. Uma mensagem que publicamos na íntegra:

 

Neste dia 14 de julho, em que celebro a minha ordenação sacerdotal, chega-me também esta boa notícia de estar nomeado para a diocese do Algarve e, por isso, aquilo que sinto neste momento é este misto de alegria, de facto, por encarar um desafio, uma nova responsabilidade, mas também a tristeza de deixar a nossa diocese do Porto, um espaço de segurança durante toda a minha vida, onde cresci, onde fui sacerdote e onde fui bispo nestes últimos seis anos. Por isso, a primeira palavra é a palavra gratidão. Gratidão ao senhor Dom Manuel, que foi também um irmão, um amigo, neste tempo, aos meus bispos irmãos auxiliares, Roberto e Joaquim, e às comunidades, paróquias, famílias, clero, todos aqueles com quem contactei pessoalmente. Em cada um ficou uma marca e essa marca vai perdurar. Esta é uma palavra primeira, de gratidão.

 

Uma segunda nota que eu gostaria de deixar era uma palavra de confiança. Aliado ao setor também onde estive nestes seis anos, como reitor do Seminário Maior do Porto, deixar uma palavra às equipas formadoras, aos seminaristas, a quem acompanhei, e partilhar aquilo que foram momentos de tensões, mas, sobretudo, momentos de unidade naquilo que foram decisões e convicções que nos alimentaram. E nesta palavra de confiança está, naturalmente, o novo edifício, que vai crescer e vai concretizar-se e do qual também sinto muita felicidade em ter estado exatamente no princípio. Vai ser uma marca significativa também na história do exercício e na história do Seminário.

 

E uma outra boa palavra é uma palavra de esperança para uma iniciativa da qual também já não vou partilhar, não vou poder acompanhar nem concluir, que é este tempo do Sínodo, que já estamos a viver. Um tempo de participação, um tempo de envolvimento, um tempo de paragem para ler e refletir a realidade e para juntos encontrarmos saídas. Por isso, esta nota é uma nota de esperança. Acredito que daqui vai sair uma igreja de Porto renovada, transformada e convertida, que é exatamente um dos três lemas da proposta da temática para o Sínodo. Ao Algarve, um até e mesmo ainda estamos à distância, mas também já me sinto algarvio e já me sinto também um irmão convosco, com quem quero caminhar, com aqueles que me antecederam e com aqueles que me vão acompanhar em termos de futuro.

 

D. Vitorino José Pereira Soares, nasceu a 19 de outubro de 1960 em Luzim, Penafiel, filho de José Soares da Silva e Joaquina da Conceição Pereira. É o mais velho de cinco irmãos, um dos quais foi também sacerdote da diocese do Porto, o padre Avelino Jorge Pereira Soares, que faleceu em 2022.

 

O novo bispo do Algarve foi ordenado sacerdote no dia 14 de julho de 1985, tendo estudado Teologia entre 1979 e 1984. Foi Prefeito do Seminário Menor do Bom Pastor entre 1984 e 1987 e Capelão Militar entre 1987 e 1989. De 1989 e 1994 foi formador de seminaristas como Prefeito do Seminário Maior do Porto. Durante dez anos (1989 e 1999) foi Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral da Juventude.

 

Entre 1994 e o corrente ano de 2019, D. Vitorino Soares foi pároco de Castelões de Cepeda e desde 1999 de Madalena em Paredes. Foi Vigário da Vara de Paredes desde 1999. Foi também Professor de Religião e Moral da Escola do 1º ciclo de Castelões de Cepeda entre 1996 e 2014. Foi assistente espiritual do Conselho de Zona Penafiel Norte das Conferências Vicentinas entre1996 e 2013.

 

Foi nomeado bispo auxiliar do Porto pelo Papa Francisco a 17 de julho de 2019, tendo sido ao longo destes anos também reitor do Seminário Maior do Porto. Na Conferência Episcopal Portuguesa tem a responsabilidade da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios.

 

A entrada solene de D. Vitorino Soares na diocese do Algarve está prevista para o domingo 19 de setembro.