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Matosinhos: encontro vicarial apresenta visitas pastorais


Na passada sexta-feira, 24 de abril, pelas 21h30, no Salão Paroquial de Leça da Palmeira, a Vigararia de Matosinhos promoveu um encontro vicarial de apresentação e preparação das visitas pastorais, que deverão realizar-se entre maio e dezembro do ano em curso. O Conselho Vicarial de Pastoral idealizou e organizou este encontro, convocando os conselhos paroquiais e representantes das dozes paróquias da Vigararia, num verdadeiro sinal de comunhão e de corresponsabilidade. Este encontro contou com a presença de todos os párocos e dos diáconos da Vigararia, sob a presidência do Senhor Bispo Auxiliar do Porto, D. Joaquim Dionísio, Bispo Auxiliar do Porto, a quem está confiado o acompanhamento pastoral desta. Como Bom Pastor, no meio do seu povo, veio para nos escutar, encorajar e dispor-se a caminhar connosco.

 

Abrir caminhos de esperança

 

O encontro teve início com a intervenção do Senhor Padre Francisco Andrade, Vigário de Matosinhos, que enquadrou este tempo marcado por tantas incertezas, recordando que somos chamados a ser uma Igreja que não se fecha sobre si mesma. Sublinhou a importância de “abrir caminhos de esperança” (o mote pastoral destas visitas pastorais), o que exige disponibilidade e conversão pessoal e pastoral, para escutar, acolher, cuidar e caminhar juntos, sinodalmente. Seguiu-se um momento espiritual e musical, no qual se invocou a presença e ação do Espírito Santo, pedindo luz e discernimento, para a missão de cada comunidade.

 

Doze paróquias: uma realidade poliédrica

 

Ao longo deste encontro, foi feita uma breve apresentação de cada uma das 12 paróquias da Vigararia, destacando-se um pouco da sua história, dos seus padroeiros, dos lugares de culto, dos párocos e diáconos ao serviço, da variedade e número dos seus grupos pastorais, da frequência da catequese nas diversas idades, do número de batismos, matrimónios e exéquias em cada paróquia, em 2025. Na apresentação, cada comunidade destacou algumas das suas caraterísticas e desafios específicos.

 

Este momento permitiu conhecer melhor a realidade poliédrica destas doze paróquias implantadas num território de dez freguesias.

 

Foi, sem dúvida, uma leitura enriquecedora, para o conhecimento recíproco, para o encontro, partilha e desejo de renovação, que reforça o compromisso de todos os fiéis leigos e ministros ordenados, em construir uma Igreja mais próxima, mais viva e mais fiel à sua missão, no mundo de hoje.

 

Superar bairrismos para uma pastoral de conjunto

 

Depois da apresentação de cada paróquia, um dos elementos do Conselho Vicarial fez uma leitura das expetativas para as próximas visitas pastorais. Foram destacadas as forças que sustentam o caminho da Vigararia: “o trabalho dedicado das nossas assessorias pastorais, a comunhão vivida entre os sacerdotes e diáconos; a vitalidade dos tempos e espaços de formação e o funcionamento do próprio Conselho Vicarial, que se tem constituído, paulatinamente, como mais um pilar fundamental da organização pastoral”.

 

Foram também apontados desafios pastorais: “aprofundar o papel dos leigos nas assessorias e valorizar, de forma mais efetiva, os ministérios laicais”, a que se acrescenta “a vontade de estreitar a ligação da Vigararia à sociedade civil”; alertou-se ainda para não se ignorar o peso do envelhecimento e cansaço de alguns sacerdotes, o que nos convida “a uma gestão mais atenta das nossas energias, recursos e das dinâmicas paroquiais”.

 

Nas palavras finais, foi expresso ao Bispo Auxiliar este desejo, em jeito de trabalho de casa: “que a sua presença seja um estímulo para sensibilizar as comunidades para algumas urgências vitais: a participação dos jovens na vida comunitária; a necessidade de um compromisso mais assíduo e fiel à vida sacramental; a complexidade da transmissão da fé às novas gerações e a inevitável reconfiguração da nossa vida comunitária perante os tempos atuais”.

 

Foi ainda, a pedido dos sacerdotes e diáconos, destacada esta preocupação pedagógica: “realçar a importância de educar para a fidelidade dos fiéis e servidores da comunidade à Eucaristia dominical e à celebração dos sacramentos”. No fundo – disse a porta-voz do Conselho Vicarial: “é nossa intenção ser sensibilizados para uma verdadeira pastoral de conjunto: queremos superar os bairrismos, apostando decididamente em dinamismos pastorais interparoquiais e vicariais, que nos permitam sair de nós mesmos em direção a uma Igreja mais unida e sinodal”.

 

«Onde estás»? A pergunta original

 

Esta assembleia foi encerrada pela Palavra do senhor D. Joaquim Dionísio, que nos deixou uma reflexão serena e exigente sobre o sentido das visitas pastorais.

 

Dom Joaquim Dionísio recordou que estas visitas pastorais não podem ser vistas como meros momentos formais ou de calendário, mas como verdadeiros tempos de encontro com as pessoas, com as comunidades e, sobretudo, com a realidade concreta de cada lugar. Destacou a importância do diálogo pessoal e que viria em visita sobretudo para agradecer o trabalho diário dos leigos, das instituições, das associações locais.

 

Nessa linha, lançou-nos uma interpelação profunda: “o que tem hoje a Igreja para oferecer àqueles que já não pedem nada, aos que se afastaram ou perderam a esperança? Num tempo em que tantos vivem como se Deus não fizesse falta, somos chamados não a impor respostas, mas a reaprender a escutar, a estar presentes e a testemunhar com simplicidade e verdade” disse. Sublinhou ainda que a missão da pastoral não passa por cumprir agendas previamente definidas ou repetir esquemas do passado, mas por desenvolver um caminho de discernimento, atento aos sinais dos tempos. Discernir implica escutar o Espírito, ler a realidade com os olhos da fé e procurar, juntos, caminhos que respondam aos desafios de hoje. Por isso, a pergunta, que se coloca a cada cristão, a cada comunidade, nesta visita pastoral é esta feita por Deus ao homem: “Onde estás?” (Gn 3,9). Recordou que estas visitas vão decorrer durante a primeira fase do Sínodo Diocesano, o que as torna ainda mais pertinentes e desafiantes.

 

Ficou, assim, o convite a fazer das visitas pastorais graça e oportunidade, para uma Igreja mais próxima, mais atenta e mais disponível a caminhar com todos, especialmente com aqueles que já não se aproximam, mas que continuam a fazer parte do coração de Cristo e da Igreja.