A Comissão Diocesana para o Diálogo inter-Religioso do Porto promoveu, no dia 5 de março, na Casa Diocesana de Vilar, um encontro visando a capacitação dos líderes religiosos cristãos para a pastoral multicultural e inclusiva. Registou-se a participação de sacerdotes, diáconos e líderes religiosos convidados, designadamente os párocos das duas vigararias da cidade do Porto, vários dos seus diáconos, e representantes de outras confissões religiosas, cristãs, judaicas e muçulmanas. Estiveram presentes o Bispo da Igreja Lusitana, Jorge Pina Cabral, da Igreja Metodista (do Mirante), Sifredo Teixeira, da Comunidade Judaica da Sinagoga do Porto, Michael Leo Rthwell, e da Comunidade Muçulmana, Abdul Rehman Mangá.
Verificando-se uma crescente diversidade religiosa verificada nas diversas comunidades da cidade, sente-se a presença de desafios novos de convivência de ação e diálogo pastoral, visto que a presença e contacto com pessoas e instituições de diferentes culturas, tradições e sensibilidades humanas e religiosas colocam novas perspectivas de diálogo e relacionamento.
Lembrou-se que, a partir da Declaração conciliar Nostra Aetate (1965) sobre a relação da Igreja com as Religiões não-Cristãs, abrindo caminho novo ao reconhecimento do que há de verdadeiro e de valor nas outras religiões, propôs e encorajou o diálogo e colaboração entre todas, no sentido do louvor d e Deus e de valorização da condição e da prática humana.
Este espaço de aprofundamento, partilha e escuta, orientado pelo padre Jardim Moreira, na qualidade de Presidente da Comissão Diocesana para o Diálogo Inter-Religioso, iniciou-se com a apresentação dos quatro membros das igrejas não-católicas e com a leitura de uma mensagem de Adelino Ascenso, responsável do diálogo inter-religioso.
Sofia Salgado apresentou um resumo do caminho feito pela Comissão Diocesana para o Diálogo inter-religioso, referindo a elaboração de uma Carta de princípios orientadores para este diálogo.
Um enquadramento teológico do diálogo inter-religioso (bem como uma leitura da presença no mundo das diversas religiões) foi apresentado por José Pedro Angélico, da Faculdade de Teologia (Porto), referindo a importância da linguagem, a inquietação dos seus sentidos (“inquietude semântica”), salientando que o diálogo é um instrumento de missão e de serviço á comunidades política.
Um testemunho, apresentado por Paulo Bacelar, lembrou o contributo do Movimento dos Focolares nas tarefas do diálogo inter-religioso.
Vera Ferreira, membro da KAICIID, organização não governamental orientada para a promoção do diálogo inter-cultural e inter-religioso na comunidades humanas, afirmando o diálogo inter-religioso como espaço de encontro e de entendimento na multiculturalidade das diversas sociedades, proponho promover comunidades de base, baseadas na confiança, no diálogo intercultural e na promoção da paz, valorizando códigos de conduta e de entendimento e processos de formação para o diálogo.
Reunidos em três grupos, os participantes dialogaram sobre processos, métodos e formas possíveis de diálogo que em cada espaço da cidade estão a ser ou poderão ser construídos neste sentido da convivência comum e do diálogo intercultural.
Após uma síntese de encerramento, os participantes partilharam uma refeição fraterna.