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Santa Eulália de Sanguedo: ação de graças nos 39 anos do padre Manuel da Silva Moura


No passado sábado, dia 12 de julho, a paróquia de Santa Eulália de Sanguedo, pertencente à Vigararia de Santa Maria da Feira, viveu um dia de festa e profunda ação de graças, ao celebrar os 39 anos de ordenação sacerdotal do seu pároco, o Reverendíssimo Padre Manuel da Silva Moura. A celebração eucarística, que reuniu a comunidade paroquial, amigos, e fiéis de outras paróquias, foi presidida por Sua Excelência Reverendíssima, D. Manuel Linda, Bispo do Porto, naquela que foi a sua primeira visita a esta comunidade.

 

A Igreja paroquial, belamente ornamentada para a ocasião, encheu-se por completo. A presença ativa dos diversos grupos e movimentos eclesiais — desde o grupo coral, catequese, leitores, acólitos, aos movimentos de apostolado— refletiu o carinho e reconhecimento da comunidade para com o seu pároco. Destacou-se ainda uma expressiva participação de jovens, sinal de vitalidade e esperança para o futuro.

 

A celebração foi solenemente concelebrada pelo Padre Benjamim Silva, natural de Fiães, atualmente capelão militar, e antigo condiscípulo do homenageado nos tempos de seminário. Serviram ao altar dois diáconos: o diácono da paróquia e um outro diácono amigo, oriundo da Diocese de Lamego. Um numeroso grupo de acólitos, de várias idades, assegurou a dignidade litúrgica da celebração, animada com fervor e sobriedade.

 

Na homilia, D. Manuel Linda refletiu sobre a Liturgia do XV Domingo do Tempo Comum (Ano C), centrando-se na Palavra de Deus como força transformadora. Sublinhou que «a Palavra que Deus nos dirige é viva, eficaz, e capaz de transformar os corações», destacando que não se trata de um conjunto de regras jurídicas, mas de um dom vivo que opera em quem a acolhe com fé. Apontou para a união íntima que o crente deve viver com Deus, uma comunhão de sentimentos e de vida, onde “os sentimentos de Deus se tornem também os nossos”. O Bispo do Porto alertou ainda para os perigos do individualismo, do materialismo e da desorganização do tempo, que conduzem a uma vida espiritual superficial e sem espaço para o encontro com Deus.

 

Referindo-se diretamente ao ministério presbiteral, recordou que a missão do padre é a de «usar a chave da Palavra para implantar Deus nos corações», através da proclamação da fé, dos gestos sacramentais e do testemunho da caridade. «O sacerdote é aquele que cura os corações feridos, proclama a salvação, semeia a alegria e a esperança, porque se deixa moldar por Deus e pelo povo que serve», afirmou D. Manuel.

 

No final da celebração, o diácono Miguel Silva, em nome da comunidade, dirigiu sentidas palavras de boas-vindas ao senhor Bispo. Começou por afirmar: «Reverendíssimo Senhor D. Manuel da Silva Rodrigues Linda, com o calor da fé, da amizade e do afeto, dou-lhe as boas-vindas em nome de toda esta comunidade. “Bendito o que vem em nome do Senhor”». Recordando a história remota da freguesia de Sanguedo, com raízes que remontam ao século IX, e a elevação a paróquia em 1586, o diácono destacou o profundo sentido de pertença e comunhão eclesial desta comunidade. «Aqui estamos, para caminhar consigo na força da fé e na comunhão em Cristo nosso Bom Pastor», disse, enfatizando o desejo sincero dos leigos, grupos e movimentos de colaborar na missão evangelizadora da Igreja, “na complementaridade dos carismas e ministérios que o Espírito distribui para edificar o corpo eclesial de Cristo”.

 

Seguiu-se uma segunda intervenção, desta vez dirigida ao padre Manuel Moura, evocando o percurso vocacional e pastoral do homenageado. Ordenado em 13 de julho de 1986, na Sé Catedral do Porto, pelas mãos de D. Júlio Tavares Rebimbas, escolheu como lema sacerdotal o “Sim” de Maria: Faça-se em mim segundo a tua Palavra. Exerceu o seu ministério nas paróquias de Penha Longa e Sande, no Marco de Canaveses, depois em Vilar de Andorinho, sendo nomeado pároco de Sanguedo em 2003, por D. Armindo Lopes Coelho.

 

Com emoção, o diácono recordou os momentos de dedicação e entrega do padre Moura, inclusive os períodos difíceis de doença, como o cancro nos intestinos em 2006, a infeção por COVID-19 em 2020 e, mais recentemente, o diagnóstico de cancro da próstata. «Com fé, devoção a Nossa Senhora e uma forte vontade de viver, acreditamos que vencerá também esta nova batalha», afirmou. Pediu, em nome de toda a comunidade, para que o padre Moura continue a residir na comunidade, mesmo após eventual cessação de funções paroquiais, pois “esta tem sido a sua casa nos últimos 22 anos”.

 

No final da celebração, a comunidade ofereceu ao senhor Bispo vários produtos agrícolas e de confeção regional, como sinal de gratidão e hospitalidade. O ponto alto da festa foi a entrega a D. Manuel Linda da Medalha de Honra da Paróquia de Santa Eulália de Sanguedo, imposta pelo próprio padre Manuel Moura, num gesto simbólico e profundamente fraterno.

 

A celebração terminou com um ambiente festivo, marcado pela alegria, reconhecimento e oração, como expressão de um povo que ama e reza pelos seus pastores. Louvado seja Deus pelo dom do sacerdócio!