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“Sintonizar o Sínodo”: começaram os encontros vicariais


A Vigararia de Espinho-Ovar foi a primeira a receber os encontros vicariais de formação e informação sinodal que decorrem até ao mês de dezembro em toda a diocese do Porto.

 

Sentar, escutar, deixar que a palavra do outro encontre espaço. Em Cortegaça, foi assim que cerca de 130 pessoas começaram a experimentar aquilo de que o Sínodo Diocesano quer ser feito: encontro, escuta e discernimento em comunidade. Foi a primeira edição dos encontros vicariais “Sintonizar o Sínodo” que vão decorrer até ao mês de dezembro em toda a diocese do Porto.

 

O Centro Pastoral de Cortegaça acolheu no passado dia 26 de setembro o primeiro encontro de (in)formação dedicado ao Sínodo Diocesano na vigararia de Espinho-Ovar. D. Roberto Mariz, Bispo Auxiliar do Porto, abriu a manhã sublinhando a importância de uma Igreja capaz de “ler os sinais dos tempos e de alargar a escuta às diferentes realidades das comunidades”.

 

Para o bispo, a participação já visível neste primeiro encontro é sinal de esperança para o caminho que se prolongará até 2028 e deverá envolver progressivamente mais pessoas, incluindo aquelas que se encontram menos próximas da vida paroquial. “Escutamos Jesus, escutando-nos uns aos outros”, afirmou, reforçando que o discernimento deve nascer da comunhão, mesmo na pluralidade e na diferença. E recordou que “o futuro da comunidade não está na mão de um, mas está na mão de todos”.

 

Depois da intervenção, os participantes foram distribuídos por 16 grupos, compostos por membros de diferentes paróquias, para uma experiência de Conversação no Espírito. Em diferentes rondas, houve tempo para falar, escutar sem interromper, reconhecer os ecos da palavra dos outros e discernir em conjunto. No final, cada grupo apresentou uma proposta de novos caminhos de sinodalidade para as comunidades da vigararia. As propostas serão agora analisadas pelas comissões sinodais vicariais, que posteriormente as partilharão com a Comissão Sinodal Diocesana.

 

Para o padre Artur Pinto, vigário de Espinho-Ovar, o encontro é já uma resposta ao desafio colocado às comunidades. Se Deus é comunhão, explicou, a Igreja é convocada a ser também espaço de comunhão e de relação. “Não estamos a pedir nada mais à Igreja que não ser aquilo que ela é”, afirmou, acrescentando que reunir a vigararia é começar a responder ao desafio de “sermos aquilo que estamos chamados a ser”.

 

Já o padre Sérgio Leal, presidente da Comissão Sinodal Diocesana e moderador da Comissão Teológico-Pastoral do Sínodo Diocesano, destacou precisamente a riqueza que nasce da diversidade reunida naquela manhã. Pessoas de diferentes idades, profissões, percursos sociais e culturais trazem consigo “um contributo da riqueza onde vivem, onde trabalham e onde vivem o seu empenho social”.

 

Essa diversidade será essencial para perceber os sinais que a Diocese é chamada a escutar. “Nós só podemos construir a pastoral de uma diocese, de uma paróquia, de uma vigararia, pensando no que é que Jesus nos está a pedir e no que é que o mundo de hoje reclama como necessidade”, explicou.

 

Também Tiago Marques, membro do Conselho Pastoral Paroquial de Espinho, destacou a importância do espírito de comunhão neste processo. “A Igreja deve ser capaz de ler os sinais do mundo e este exercício de escuta ativa na Diocese é também fundamental para perceber de que forma as comunidades podem estar cada vez melhor ao serviço”, acrescenta.

 

Maria João Oliveira, membro do Conselho Paroquial Pastoral da paróquia de S. Martinho de Anta considera que “faz todo o sentido que a Igreja se atualize às novas realidades” e que procure ouvir as pessoas sobre aquilo que esperam dela. Sendo todos parte integrante da Igreja, acrescenta, essa participação é fundamental para que exista futuro e para que todos possam sentir que fazem parte dele.

 

O encontro de Cortegaça é apenas o início de um caminho mais longo. Até dezembro decorrem os encontros vicariais, destinados a dar a conhecer a metodologia da Conversação no Espírito e, ao mesmo tempo, a reconhecer sinais de sinodalidade que já existem nas comunidades.

 

“Não estamos a partir do zero”, lembrou o padre Sérgio Leal. Há já experiências de participação, corresponsabilidade e caminho conjunto nas diferentes paróquias. A primeira etapa será, por isso, perceber “onde estamos”. Depois, a partir de janeiro, o percurso continuará através das assembleias paroquiais e da participação das comunidades, grupos e movimentos, procurando discernir “para onde queremos ir”.

 

Será essa escuta, alargada a toda a Diocese, que preparará o caminho até à Assembleia Sinodal de 2028. O objetivo será então discernir os passos necessários para aproximar a Igreja que hoje existe daquela que é chamada a construir.

 

A partir de janeiro, o processo prossegue através das assembleias paroquiais e da participação das comunidades, grupos e movimentos. Depois de perceber “onde estamos”, explica o Padre Sérgio Leal, a segunda etapa procurará discernir “para onde queremos ir”. Os contributos recolhidos ao longo deste processo irão alimentar o trabalho da Assembleia Sinodal, prevista para 2028, a quem caberá ajudar a definir os caminhos futuros da Diocese.